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Inflação x mercado de trabalho: estudo revela que choque do petróleo pressiona mais preços do que emprego 

Publicado 04/06/2026 • 22:29 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Segundo o relatório divulgado pelo Fed de Boston, nesta quinta-feira (4), os Estados Unidos se tornaram menos dependentes de energia por unidade produzida e ampliaram significativamente sua produção doméstica de petróleo, reduzindo a vulnerabilidade a choques externos.
  • Enquanto os episódios dos anos 1970 provocaram desaceleração econômica acentuada e aumento global do desemprego, os choques atuais tendem a gerar principalmente pressão inflacionária, com impactos mais limitados sobre o emprego. 
  • Na avaliação dos pesquisadores, isso muda a forma como o Fed deve reagir a aumentos expressivos nos preços da commodity. 
  • A conclusão do estudo reforça uma tendência observada também no Brasil: o principal canal de transmissão dos choques geopolíticos ligados ao petróleo deixou de ser o mercado de trabalho e passou a ser a inflação.

Um novo estudo do Federal Reserve Bank de Boston indica que o principal efeito do choque do petróleo, em consequência da crise no Estreito Ormuz, tende a ser majoritariamente sobre a inflação, e não sobre o mercado de trabalho.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (4), a economia dos EUA passou por grandes transformações estruturais desde as crises do petróleo causadas durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, e a Revolução Islâmica no Irã e o início da Guerra Irã-Iraque, em 1979. Os Estados Unidos se tornaram menos dependentes de energia por unidade produzida e ampliaram significativamente sua produção doméstica de petróleo, reduzindo a vulnerabilidade a choques externos.

Na avaliação dos pesquisadores, isso muda a forma como o Fed deve reagir a aumentos expressivos nos preços da commodity. Enquanto os episódios dos anos 1970 provocaram desaceleração econômica acentuada e aumento global do desemprego, os choques atuais tendem a gerar principalmente pressão inflacionária, com impactos mais limitados sobre o emprego. Por isso, o estudo defende que a política monetária americana concentre maior atenção no comportamento dos preços.

A discussão ocorre em um momento delicado para a economia global. O conflito no Oriente Médio elevou os riscos para o abastecimento internacional de energia e levou o barril do petróleo Brent, que era negociado próximo de US$ 68 antes da crise, a se aproximar de US$ 100 em determinados momentos. O movimento interrompeu parte do processo de desaceleração da inflação observado em diversas economias desde 2022 e aumentou as incertezas sobre juros e crescimento.

A conclusão do estudo do Fed de Boston reforça uma tendência observada também no Brasil: o principal canal de transmissão dos choques geopolíticos ligados ao petróleo deixou de ser o mercado de trabalho e passou a ser a inflação. A diferença é que, enquanto bancos centrais ao redor do mundo avaliam como evitar que a alta dos preços se torne permanente, países produtores de petróleo, como o Brasil, contam com mecanismos adicionais evitar parte dos efeitos da turbulência internacional.

Impactos no Brasil seguem controlados diante da tensão externa

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No Brasil, porém, os impactos da guerra no Irã  têm sido parcialmente mitigados por características próprias da economia. De acordo com o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgado no fim do mês de maio, o país manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026, mesmo diante do ambiente internacional mais adverso.

A equipe econômica reconhece que a alta do petróleo elevou as pressões inflacionárias. Por esse motivo, a estimativa para o IPCA de 2026 foi revisada de 3,7% para 4,5%. Ainda assim, a avaliação do governo é que parte desse impacto poderá ser compensada pela valorização do real, pela política monetária e por medidas adotadas para reduzir pressões sobre os preços.

Durante a apresentação do boletim, no dia 18 de maio, a secretária de Política Econômica, Débora Freire, afirmou que o conflito no Oriente Médio alterou significativamente o ambiente macroeconômico global, combinando menor crescimento e inflação mais elevada em diferentes países. Apesar desse cenário, a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo tem funcionado como um amortecedor relevante.

Ainda segundo a SPE, o aumento das cotações da commodity tende a fortalecer as contas externas, ampliar a arrecadação e reduzir parte dos impactos negativos observados em economias importadoras de energia. Além disso, o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando resiliência com baixa taxa de desemprego.

A inflação mais alta limita o espaço para redução dos juros, enquanto o endividamento das famílias e as condições mais restritivas de crédito podem moderar o ritmo de expansão do consumo. Ainda assim, o diagnóstico do Ministério da Fazenda é que a economia brasileira mantém fundamentos capazes de sustentar o crescimento mesmo diante da deterioração do ambiente externo.

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