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Irã e Omã avançam em negociações para reabrir o Estreito de Ormuz

Publicado 04/08/2026 • 18:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Irã e Omã avançam em negociações para possível reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica do petróleo global.
  • EUA acompanham o acordo com cautela, defendendo livre circulação e rejeitando controle iraniano sobre a passagem.
  • Tensões permanecem na região, com impactos econômicos e novo incidente envolvendo navio no estreito.
Ormuz

Irã e Omã avançaram nas negociações para um possível acordo que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (4) por autoridades regionais. A medida poderia contribuir para reduzir as tensões e auxiliar no processo de encerramento da guerra no Oriente Médio.

As tratativas ainda estão em andamento, e o formato final do acordo pode sofrer alterações. As informações foram repassadas por dois funcionários não identificados à Associated Press, sob condição de anonimato, devido ao caráter sigiloso das negociações.

Pelos termos discutidos até o momento, navios entrariam no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e deixariam a região por uma passagem sob controle de Omã. O possível acordo também prevê a cobrança de taxas de serviço destinadas a garantir a segurança da navegação e preservar o meio ambiente marítimo.

Outro ponto em negociação envolve a possibilidade de levantamento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

Um eventual reconhecimento formal do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz representaria uma importante vitória estratégica para Teerã. Por esse motivo, os Estados Unidos poderiam tentar barrar o acordo caso mantenham a recusa em suspender o bloqueio.

Antes do conflito, o estreito era considerado uma via navegável internacional aberta. A situação mudou após o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã, realizado em 28 de fevereiro.

Um funcionário americano familiarizado com as negociações afirmou que possíveis rotas temporárias criadas no estreito não dependeriam de aprovação iraniana e não envolveriam cobrança de taxas. Segundo ele, a posição dos Estados Unidos é pelo retorno ao modelo anterior, no qual nenhum país exerce controle sobre as rotas ou sobre a circulação pela região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta pressão para encerrar uma guerra considerada impopular. O conflito provocou aumento nos preços da gasolina antes das eleições de meio de mandato e reduziu os estoques americanos de alguns tipos de munição.

Nos últimos dias, Trump alternou entre ameaças de ataques em larga escala e apoio a iniciativas diplomáticas.

Leia mais: Petróleo recua e volta a ficar abaixo de US$ 80 com expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz

Em conversa com jornalistas na segunda-feira, o presidente americano afirmou ser contrário à cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz. “Não vou deixar que cobrem”, declarou. Trump também disse que, caso alguém estabelecesse taxas pela passagem, os Estados Unidos adotariam a mesma medida.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que as negociações bilaterais com Omã têm como objetivo estabelecer rotas marítimas seguras de entrada e saída, respeitar os direitos soberanos dos países e considerar as preocupações de segurança nacional de Irã e Omã.

Segundo Baghaei, os resultados finais das discussões serão divulgados após a conclusão do processo. A declaração foi publicada pela agência estatal iraniana Irna. O Irã negou a existência de negociações diretas com os Estados Unidos e afirmou que as conversas ocorrem apenas com Omã.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que houve avanços nas negociações, mas destacou que ainda não existe um acordo definitivo. Segundo ele, a expectativa é de que um entendimento seja alcançado em breve. No mês anterior, Rubio havia rejeitado qualquer acordo que concedesse ao Irã controle sobre o estreito, classificando essa possibilidade como um “precedente muito perigoso” para outras regiões do mundo.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou à CNBC que existe a possibilidade de um acordo ser firmado “hoje ou amanhã”, permitindo a reabertura do estreito e levando a uma situação mais estável no conflito.

Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. Ataques iranianos contra navios praticamente interromperam a circulação pela hidrovia, provocando aumento nos preços dos combustíveis, elevação dos valores dos fertilizantes e impacto nos custos de outros produtos, com consequências econômicas além do Oriente Médio.

Trump afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos mantinham negociações com o Irã e classificou o diálogo como a “última chance” para Teerã chegar a um acordo e evitar uma nova escalada militar americana.

Segundo o presidente americano, a primeira etapa da negociação seria a reabertura do estreito, enquanto a segunda envolveria a desnuclearização do Irã, processo que, de acordo com ele, levaria mais tempo.

Em junho, Irã e Estados Unidos haviam chegado a um acordo provisório para reabrir o Estreito de Ormuz, iniciar 60 dias de negociações, buscar o fim da guerra e resolver a disputa sobre o programa nuclear iraniano. O entendimento, porém, fracassou após uma escalada das hostilidades concentradas na região, e o prazo final do acordo anterior está a cerca de duas semanas.

Enquanto as negociações avançam, um novo incidente marítimo foi registrado na área. Um navio cargueiro informou ter sido “atingido por um projétil desconhecido” no Estreito de Ormuz, próximo à costa de Omã. A informação foi divulgada pelo Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

Não foram divulgados detalhes sobre o navio envolvido, a bandeira sob a qual navegava ou o tipo de carga transportada.

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