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Cúpula entre Trump e Xi coloca segurança da IA na pauta, mas nenhum dos lados quer desacelerar

Publicado 23/09/2026 • 11:45 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Trump e Xi provavelmente discutirão a segurança da inteligência artificial diante dos temores sobre modelos autônomos cada vez mais avançados.
  • Autoridades dos Estados Unidos e da China discutiram a possibilidade de um diálogo sobre IA para tratar de incidentes relacionados à segurança nacional.
  • As restrições à exportação dos chips avançados da Nvidia e as acusações de uso de “destilação” de IA continuam sendo os principais pontos de divergência.
Donald Trump e Xi Jinping durante reunião bilateral em Pequim

Daniel Torok / The White House

Donald Trump e Xi Jinping se cumprimentam durante cerimônia de boas-vindas em Pequim. Os dois líderes voltam a se encontrar nesta semana, em Washington, com comércio, inteligência artificial, tarifas e Irã na agenda.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer que o país supere a China na corrida pela inteligência artificial. Mas, durante o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, os dois países também avaliam como lidar com os riscos provocados pelo rápido avanço da tecnologia.

Nos últimos meses, sistemas de IA passaram a realizar ações cada vez mais relevantes na internet. A OpenAI afirmou que um de seus modelos de pesquisa obteve acesso não autorizado a partes da plataforma de IA Hugging Face, enquanto a Anthropic identificou o uso de inteligência artificial para automatizar partes de ataques cibernéticos. Os episódios aumentaram os temores de que modelos cada vez mais autônomos possam tornar ataques mais rápidos e difíceis de conter.

Antes do encontro entre Trump e Xi, marcado para quinta-feira (24), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, discutiu no fim de semana com seu homólogo chinês, He Lifeng, a possibilidade de um “diálogo entre Estados Unidos e China sobre IA”, incluindo um canal para tratar de incidentes que “cheguem ao nível de segurança nacional”.

“Os líderes dos dois países estão preocupados com o aumento das capacidades cibernéticas dos modelos de IA, especialmente com agentes que atuam de forma autônoma para escapar de mecanismos de contenção e invadir sites”, afirmou Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center, do Center for Strategic and International Studies (CSIS), à CNBC.

Mas, à medida que os temores aumentaram, as tensões não diminuíram.

Washington continua restringindo o acesso da China aos chips de IA mais avançados da Nvidia e acusa empresas chinesas de inteligência artificial de usar a chamada “destilação” – processo de treinamento de modelos com base nos resultados produzidos por sistemas americanos mais avançados. Pequim rejeita a acusação.

Leia também: Comércio, guerras, Taiwan e Direitos Humanos: o que foi discutido entre Trump e Xi Jinping

O que foi dito até agora?

Embora os Estados Unidos tenham assumido a liderança inicial no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, ou LLMs, graças a empresas como OpenAI e Anthropic, os modelos chineses avançaram significativamente em capacidade nos últimos meses e vêm sendo cada vez mais adotados por empresas em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos.

Trump já havia rejeitado alertas de que a IA representa uma ameaça existencial à humanidade. Os riscos foram destacados pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, e pelo presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, que defenderam uma desaceleração do setor e maior supervisão regulatória.

“Se não vencermos a corrida da IA, estaremos em uma posição muito ruim”, disse Trump a jornalistas no início deste mês.

Na segunda-feira (21), porém, ele afirmou em uma publicação na rede Truth Social que o governo “vai controlar as coisas se for necessário”.

Alguns parlamentares esperam que as negociações resultem em algum tipo de acordo sobre IA, embora reconheçam que a cúpula possa ser mais importante pelo fato de ocorrer do que pelos resultados concretos.

“Espero que Trump se reúna com Xi Jinping e chegue a algumas salvaguardas de bom senso”, afirmou o deputado democrata Ro Khanna, da Califórnia, que representa parte do Vale do Silício, em entrevista ao programa “Squawk Box”, da CNBC, na quarta-feira (23).

“Por que simplesmente não concordamos que não deveria ser possível ter uma IA que se aperfeiçoa sozinha?”, disse Khanna. “Por que você não gostaria de se sentar com Xi Jinping e dizer: vamos chegar a um acordo razoável? E que ele seja aplicável, com confiança, mas com verificação.”

Leia também: Encontro entre Trump e Xi Jinping deve redefinir áreas de influência global

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Segurança da IA e acesso a chips

As áreas com maior possibilidade de acordo entre Estados Unidos e China podem ser a criação de definições e estruturas comuns de segurança para modelos de IA avançados e um mecanismo de comunicação emergencial para discutir incidentes, segundo Mehta.

Um canal para tratar de incidentes relacionados à segurança nacional seria um passo “modesto”, mas positivo, afirmou Chris McGuire, pesquisador sênior de China e tecnologias emergentes do Council on Foreign Relations, à CNBC.

Um acordo para desacelerar o ritmo acelerado de desenvolvimento da IA, porém, é “extremamente improvável”, acrescentou.

Historicamente, a China tem usado os diálogos sobre IA “para reclamar das restrições americanas à exportação”, afirmou McGuire. Essas medidas são utilizadas pelos Estados Unidos para impedir que os chips de IA mais avançados sejam vendidos à China.

“A mídia estatal chinesa rejeitou amplamente as preocupações apresentadas pelos principais laboratórios americanos de IA sobre o potencial de riscos catastróficos, o que é consistente com o ceticismo histórico da China em relação a todas as propostas americanas de controle de armas”, acrescentou.

Apesar das restrições dos Estados Unidos, várias empresas chinesas teriam conseguido acessar remotamente o poder computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático.

Embora o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, tenha afirmado que os controles sobre chips não estavam na pauta das negociações preliminares realizadas no fim de semana, a China pode pressionar pela flexibilização dessas medidas, afirmou Melanie Hart, diretora sênior do Global China Hub, do Atlantic Council.

“A China está pedindo que os Estados Unidos adotem modelos chineses de IA e eliminem algumas das restrições americanas ao acesso da China aos chips semicondutores”, disse ela a jornalistas na terça-feira (22).

Leia também: EUA e China tentam evitar nova escalada na guerra comercial antes de encontro entre Trump e Xi Jinping

A questão da destilação também pode surgir nas negociações. Empresas e autoridades americanas acusam laboratórios chineses de utilizar a prática para avançar na corrida tecnológica, classificando-a como roubo. A China rejeita as acusações.

Em julho, Bessent ameaçou impor sanções a empresas que utilizassem a prática e afirmou que o governo Trump havia encontrado “marcas d’água de nossos grandes modelos de linguagem americanos em muitos dos modelos chineses”, classificando a situação como “inaceitável”.

O avanço da cooperação em IA depende de dois fatores, segundo Mehta. “O primeiro é que isso não pode prejudicar a capacidade de Estados Unidos e China de competir com base no mérito de suas tecnologias.”

O segundo é a criação de um mecanismo de verificação, acrescentou. “Os formuladores de políticas não estarão inclinados a simplesmente acreditar na palavra de seus homólogos, então precisaremos encontrar maneiras de garantir que as informações que circulam entre os dois países sejam precisas. Isso significa mecanismos de verificação tanto técnicos quanto de governança.”

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