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CNBCRali do petróleo é retomado após breve queda; Brent supera US$ 87 por barril

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Kuwait corta produção de petróleo após paralisação no Estreito de Ormuz

Publicado 07/03/2026 • 14:54 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Kuwait corta produção de petróleo após paralisação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
  • Interrupção no tráfego de petroleiros provoca acúmulo de barris no Oriente Médio e já força países da região a reduzir a produção.
  • Analistas alertam que cortes podem superar 4 milhões de barris por dia e levar o Brent acima de US$ 100 se o conflito persistir.

Reuters

Bomba de petróleo

O Kuwait anunciou neste sábado (7) que reduziu a produção de petróleo após a interrupção do tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico, em meio às ameaças do Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz.

O país não informou quantos barris por dia foram retirados do mercado, mas classificou a decisão como preventiva e afirmou que o volume será reavaliado conforme o desenrolar do conflito.

Quinto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o Kuwait produziu cerca de 2,6 milhões de barris por dia em janeiro. Em nota, a estatal Kuwait Petroleum Corporation afirmou que permanece pronta para restabelecer a produção assim que as condições permitirem.

Leia também: Petróleo dispara e fecha dia acima de US$ 90; commodity acumula até 35% de alta na semana

A interrupção no fluxo de navios pela região começa a gerar impactos concretos sobre a oferta global de energia. Com o receio de ataques, armadores suspenderam a travessia de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, principal saída marítima do Golfo Pérsico.

Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pela rota. Sem navios para transportar a produção, barris começam a se acumular no Oriente Médio, forçando países da região a reduzir a produção à medida que a capacidade de armazenamento se aproxima do limite.

O Iraque já cortou cerca de 1,5 milhão de barris por dia por falta de espaço para estocagem, segundo autoridades ouvidas por uma agência de notícias.

Para Natasha Kaneva, chefe global de pesquisa de commodities do JPMorgan, o mercado começa a sair de uma fase de precificação baseada apenas no risco geopolítico para enfrentar uma disrupção concreta na operação do mercado.

“O mercado está deixando de precificar apenas risco geopolítico e começando a lidar com uma interrupção operacional tangível”, afirmou a analista em relatório enviado a clientes.

Segundo estimativas do JPMorgan, se a guerra entre Estados Unidos e Irã se estender por mais de três semanas, países do Golfo podem esgotar sua capacidade de armazenamento, o que poderia forçar novos cortes de produção e levar o petróleo Brent a ultrapassar os US$ 100 por barril.

O banco estima ainda que os cortes podem superar 4 milhões de barris por dia até o fim da próxima semana caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado.

O impacto já aparece nos preços. Na sexta-feira (6), os contratos futuros de petróleo registraram a maior alta semanal da história do mercado.

O Brent avançou 8,52% no dia, fechando a US$ 92,69 por barril, e acumulou ganho de 28% na semana, a maior alta desde abril de 2020. Já o WTI subiu 12,21%, para US$ 90,90, com valorização semanal de 35,63%, a maior desde o início da série histórica do contrato, em 1983.

Leia também: Barril em disparada: onde estão as oportunidades de investimentos no petróleo

A crise também começa a atingir o mercado global de gás natural. O Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) após ataques do Irã no início da semana.

O país responde por cerca de 20% das exportações mundiais de GNL, combustível amplamente utilizado para geração de eletricidade e aquecimento em diversas economias.

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