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Lira turca e mercado de ações caem após prisão do prefeito de Istambul
Publicado 19/03/2025 • 14:50 | Atualizado há 2 anos
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Publicado 19/03/2025 • 14:50 | Atualizado há 2 anos
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A lira turca atingiu uma nova mínima histórica em relação ao dólar e o principal índice da bolsa do país caiu até 7% após a surpreendente prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu — rival do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan e figura de destaque da oposição — sob acusações que ele nega.
De acordo com dados da Refinitiv, a lira chegou a ser negociada a 40,96 por dólar antes de se recuperar para 38,74 às 12h47 em Istambul, com a moeda norte-americana registrando alta de 5,53% sobre a já fragilizada divisa turca. O índice BIST 100 conseguiu reduzir parte das perdas após cair até 7% no início da manhã.
Imamoglu, que venceu as eleições para a prefeitura da cidade mais populosa da Turquia em abril de 2023, foi preso sob acusações que incluem terrorismo e crime organizado, segundo a agência estatal Anadolu, que citou o Gabinete do Procurador-Chefe de Istambul.
A agência também informou que os promotores emitiram mandados de prisão para outras 100 pessoas ligadas ao partido político de Imamoglu.
O popular prefeito de 53 anos era apontado como o provável candidato da oposição à presidência turca. O Partido Republicano do Povo (CHP), principal legenda de oposição da Turquia, realizaria uma eleição primária em 23 de março, na qual Imamoglu era amplamente esperado como o escolhido para disputar a presidência.
Em comunicado, o CHP rejeitou veementemente as acusações contra Imamoglu e classificou a prisão como um golpe.
“Tomar decisões em nome do povo, usar a força para substituir ou obstruir a vontade popular é um golpe”, escreveu Ozgur Ozel, presidente do CHP, em uma publicação traduzida pelo Google na plataforma X.
“Atualmente, há uma força atuando para impedir que a nação escolha o próximo presidente. Estamos diante de uma tentativa de golpe contra nosso futuro presidente.”
A CNBC entrou em contato com o Gabinete da Presidência da Turquia para comentários.
Na quarta-feira, Imamoglu publicou um vídeo na plataforma X com a legenda: “A vontade do povo está sendo atacada”.
O acesso a várias redes sociais na Turquia foi restringido, segundo o site de monitoramento da internet Netblocks, que relatou limitações no acesso ao X, YouTube, Instagram e TikTok.
As críticas à prisão e aos mandados foram imediatas, com muitos observadores apontando o momento estratégico da ação — poucos dias antes da esperada nomeação de Imamoglu como candidato presidencial do CHP.
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Siga o Times | CNBC“Isso é uma tentativa artificial de manipular a política”, disse Can Selcuki, diretor-gerente da consultoria Research Istanbul, à CNBC. “Isso nunca funcionou no passado e só fará a Turquia perder tempo” no que diz respeito à recuperação econômica e ao progresso democrático, acrescentou.
Outros analistas apontam que Erdoğan, que ocupa a presidência desde 2014, vê Imamoglu e outros críticos proeminentes de seu governo como ameaças.
“Mais uma vez, tudo gira em torno de Erdoğan e sua reeleição”, dizia o título de uma análise de Wolfango Piccoli, da consultoria Teneo Intelligence, após a notícia da prisão.
“Pesquisas recentes mostraram consistentemente que Imamoglu derrotaria Erdoğan em uma eleição presidencial”, apontava o relatório. “A detenção de Imamoglu ocorre em meio a uma crescente incerteza e um clima de medo na Turquia, reforçando a sensação entre os críticos e opositores de Erdoğan de que ninguém está seguro.”
O relatório também destacou que Erdoğan, já criticado anteriormente por infringir direitos democráticos e enfraquecer instituições, provavelmente se sente fortalecido pelos recentes desdobramentos geopolíticos.
“Erdoğan se sente encorajado pela crescente importância da Turquia para a segurança europeia e pelo retorno de Donald Trump à presidência dos EUA para neutralizar seus oponentes internos”, escreveu Piccoli.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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