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Lula x Trump na ONU: Tarifaço e debate sobre soberania transformam abertura da Assembleia Geral em palco de crise geopolítica

Publicado 22/09/2026 • 08:06 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • O presidente brasileiro deve focar seu discurso na soberania, democracia, comércio internacional, combate ao crime organizado transnacional e defesa do multilateralismo.
  • Não há agenda oficial entre os dois presidentes durante o evento.
  • Expectativa do Brasil é que aconteça um encontro oficial entre os países para a discussão do tarifaço durante a reunião do G20, no dia 30 de setembro.

A imposição de barreiras protecionistas e sobretaxas severas pelos Estados Unidos contra o Brasil — culminando em uma tarifa combinada que pode alcançar até 37,5% sobre milhares de produtos nacionais — redefiniu o tom da relação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O conflito comercial passa a dominar a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, que começa nesta terça-feira, 22.

O tradicional fórum de debates multilaterais sobre clima e governança global pode dar lugar a um verdadeiro acerto de contas político e comercial. Em entrevista na véspera do evento, o presidente Lula defendeu o multilateralismo e criticou a postura do líder norte-americano frente ao Brasil, chamando-o de “Imperador”. Até o momento, não há previsão de uma agenda oficial entre os dois chefes de Estado. No ano passado, os presidentes tiveram apenas um breve encontro nos corredores.

Leia também: Assembleia Geral da ONU começa nesta terça (22) sob tensão global, indefinição sobre sucessão de Guterres e expectativa por discursos de Lula e Trump

Também existe a expectativa de que Lula aborde questões de defesa da soberania nacional e ataque a possibilidade do governo norte-americano de intervir nas eleições brasileiras.

De investigação comercial a crise geopolítica

O que começou com investigações do USTR (Escritório de Representação Comercial dos EUA) sobre supostas práticas comerciais desleais desdobrou-se rapidamente em taxas atreladas a exigências sistêmicas, como o combate ao trabalho forçado. Uma das frentes mais sensíveis envolve o Pix: o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro entrou na mira de Washington sob a justificativa de ser uma barreira a empresas americanas. Para o governo brasileiro, a discussão ultrapassou a pauta comercial e fere a soberania regulatória e a autonomia do Banco Central.

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Diante do cenário, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Itamaraty adotam uma estratégia coordenada. Enquanto o Itamaraty lidera a frente diplomática — repudiando interferências externas e acionando a OMC —, o governo mantém canais abertos de negociação para proteger setores vitais, amparando-se na dependência que empresas norte-americanas possuem de insumos do Brasil. O ministro Márcio Elias Rosa informou que representantes dos dois países devem se reunir presencialmente para discutir o tarifaço durante o G20, em Milwaukee, entre 30 de setembro e 1º de outubro.

Principais frentes do Brasil na ONU

A escalada comercial entre o Planalto e Washington projeta-se diretamente sobre os debates em Nova York, alterando o eixo das discussões diplomáticas em quatro frentes principais:

  • Defesa do Multilateralismo: Diante do que classifica como unilateralismo punitivo, o Brasil utilizará a tribuna global para defender as regras do comércio internacional e criticar sanções extraterritoriais como ferramenta de pressão política.
  • Soberania vs. Exigências Internas: O debate servirá para o Brasil contra-atacar discursivamente contra ingerências em políticas nacionais de desenvolvimento, leis de proteção de dados e diretrizes de sustentabilidade.
  • Articulação do Sul Global: A crise atua como catalisador para que o Brasil reforce alianças com economias emergentes, fomentando conversas sobre autonomia estratégica e diversificação de mercados de exportação.
  • Realpolitik Econômica: A delegação brasileira equilibra a busca pragmática por acordos de curto prazo com uma postura pública firme em defesa da dignidade comercial do país.

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