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“Master paraguaio”: colapso do Ueno Bank entra no terceiro dia de protestos, leva presidente à renúncia e tem 27 executivos acusados

Publicado 05/11/2026 • 22:23 | Atualizado há 12 minutos

KEY POINTS

  • Crise do Ueno Bank já provocou três dias de manifestações no Paraguai e levou Santiago Peña a renunciar à Presidência nesta quinta-feira (5).
  • Ministério Público acusa 27 pessoas de participação em operações financeiras irregulares, entre elas oito integrantes da cúpula do banco.
  • Câmara aprovou o impeachment de Peña mesmo depois da renúncia; Senado decidirá se aceita a saída ou leva o julgamento político adiante.

Fotos: Divulgação e AFP

O colapso do Ueno Bank ampliou a crise política e financeira no Paraguai nesta quinta-feira (5). As manifestações chegaram ao terceiro dia, em meio à renúncia do presidente Santiago Peña e a uma investigação que já alcança pelo menos 27 pessoas.

Nesta quinta, funcionários do Ueno Bank e de empresas ligadas ao Grupo Vázquez foram às ruas para cobrar respostas sobre salários, rescisões e a situação dos postos de trabalho após o fechamento da instituição. O grupo se concentrou em frente ao Banco Central do Paraguai e seguiu para o Ministério do Trabalho.

Os protestos também se espalharam para outros setores afetados pela crise. Comerciantes do Mercado 4, um dos principais centros de comércio popular de Assunção, também anunciaram mobilizações diante das dificuldades provocadas pela crise.

As manifestações ocorrem desde terça-feira (3), quando o Banco Central colocou o Ueno em processo de resolução. Desde então, a pressão passou a atingir funcionários, comerciantes e o próprio governo paraguaio.

Renúncia e impeachment

A crise ganhou novo capítulo depois que Santiago Peña anunciou a renúncia à Presidência. A decisão foi apresentada formalmente ao Congresso nesta quinta, depois que parlamentares da própria base governista passaram a apoiar um processo de impeachment contra ele.

Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados decidiu levar o processo adiante. Os 78 parlamentares presentes aprovaram a abertura do julgamento político, e caberá agora ao Senado decidir se aceita a saída de Peña ou se dá continuidade ao processo de destituição.

Peña teve participação no grupo empresarial que controlava o banco antes de deixar a sociedade em 2025.

Investigação alcança 27 pessoas

Ao mesmo tempo, a investigação criminal avançou sobre a antiga administração do Ueno Bank e empresas que mantinham relações financeiras com a instituição.

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O Ministério Público do Paraguai formalizou acusações contra 27 pessoas por suspeitas que incluem lesão de confiança, tentativa de fraude e irregularidades cometidas durante a crise do banco. A apuração se concentra em empréstimos e sobregiros concedidos entre 2025 e 2026 a empresas relacionadas ao mesmo grupo econômico.

Oito dos investigados integravam a administração ou a fiscalização do Ueno. Os demais aparecem ligados a empresas que receberam recursos nas operações analisadas, entre elas Mowi, Grupo Hendy, Grupo M, TUIU, Franede e Aime. 

Entre os principais nomes estão Miguel Vázquez Villasanti, ex-vice-presidente do banco, e Juan Manuel Gustale, presidente da instituição.

Segundo a Promotoria, os créditos teriam sido concedidos, em alguns casos, sem garantias suficientes ou sem que as empresas apresentassem capacidade financeira compatível com os valores recebidos. Os investigadores também apuram o destino dado ao dinheiro e operações entre companhias ligadas ao mesmo grupo.

Seis ex-dirigentes são presos

Ainda nesta quinta-feira, a Justiça determinou a prisão preventiva de seis antigos integrantes da cúpula do Ueno.

Além de Vázquez e Gustale, foram detidos Julio Daniel Rey Fernández, Alejandro Gómez Abente, Diego Fernando Duarte Schussmuller e Miguel Ángel Almada Frutos. 

As ex-diretoras Diana Leticia Mongelós González e Mariana Isabel Torres Rubiani ficarão em prisão domiciliar e serão monitoradas por tornozeleira eletrônica.

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