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Milei avança com reforma trabalhista e vitória no Congresso expõe divisão política
Publicado 20/02/2026 • 12:00 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 20/02/2026 • 12:00 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Tomas Cuesta/AFP
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a reforma trabalhista promovida pelo governo de Javier Milei pouco depois da meia-noite de 19 para 20 de fevereiro de 2026.
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o projeto de reforma trabalhista impulsionado pelo governo de Javier Milei, garantindo mais uma vitória política ao Executivo em meio a um cenário de forte polarização. A proposta avançou com 135 votos a favor e 115 contra, após intensa negociação e articulação política.
Segundo informações do jornal Clarín, o apoio de governadores foi determinante para a aprovação, reforçando a capacidade do governo de construir maiorias mesmo sem base sólida própria. O texto agora retorna ao Senado após a retirada de um artigo sensível que alterava regras de licenças médicas.
Em um ambiente político fragmentado, a votação mostrou que alianças regionais podem ser mais decisivas do que ideologia. Na prática, governadores funcionaram como peças-chave para destravar a agenda econômica.
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A aprovação contou com votos de La Libertad Avanza, PRO, UCR e MID, além do apoio de parlamentares ligados a governos provinciais, incluindo representantes de Santa Fé, Córdoba e Jujuy. Esse bloco ampliado foi essencial para garantir a maioria.
Do outro lado, o peronismo liderou a rejeição, acompanhado por setores da esquerda, Coalición Cívica e parte da oposição moderada. Mesmo deputados que contribuíram para o quórum, como representantes de Catamarca, acabaram votando contra o projeto, o que evidenciou a complexidade das alianças.
O clima no Congresso foi marcado por tensão e troca de acusações. Parlamentares oposicionistas criticaram duramente a proposta e questionaram seus impactos sociais, enquanto aliados do governo pressionaram pela aprovação rápida para cumprir o cronograma político.
Segundo o Clarín, houve episódios de confronto durante a sessão, com gritos, interrupções e até disputas físicas no plenário, refletindo o grau de conflito em torno da reforma.
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Siga o Times | CNBCDurante a votação em particular, os deputados aprovaram os principais capítulos do projeto, incluindo a criação do Fundo de Assistência Laboral, que gerou controvérsia por possíveis impactos sobre o sistema previdenciário. A medida foi aprovada com 130 votos favoráveis, 117 contrários e três abstenções.
Outro ponto sensível foi a revogação de estatutos profissionais, incluindo o de jornalistas, que também acabou aprovado apesar da resistência de setores da oposição.
Para viabilizar o avanço do projeto, o governo aceitou retirar o artigo que modificava regras de licenças por doença, o que permitiu destravar votos decisivos. Com essa alteração, o texto precisa voltar ao Senado para nova análise.
A estratégia da Casa Rosada é acelerar o processo legislativo e garantir a aprovação final antes da abertura do período ordinário do Congresso, marcada para 1º de março.
A reforma trabalhista é vista pelo governo como peça central para estimular a economia e aumentar a formalização do emprego. Já críticos avaliam que a proposta pode fragilizar direitos e aumentar a precarização das relações de trabalho.
Para o mercado, o avanço do projeto é interpretado como um sinal de governabilidade, especialmente pela capacidade de Milei de articular apoio em um Congresso fragmentado.
Ao mesmo tempo, o processo expôs fissuras dentro do próprio peronismo, com críticas públicas a parlamentares que contribuíram para o quórum. Esse racha pode ter efeitos políticos relevantes nos próximos meses.
No fim, a votação deixa uma mensagem clara. Mais do que ideologia, o jogo político argentino hoje passa pelas negociações regionais e pela capacidade de construir maioria voto a voto.
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