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Corte de rotas e passagens mais caras podem frear avanço do turismo no país
Publicado 15/04/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 15/04/2026 • 21:00 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
A combinação de alta de custos e aumento de impostos pode levar companhias aéreas a reduzir rotas, cortar voos e até manter aeronaves em solo, avaliou Maurício França, especialista em aviação e sócio da L.E.K. Consulting. Segundo ele, o cenário já observado no exterior pode se repetir no Brasil caso a proposta de IVA de 27% sobre o transporte internacional avance.
“Você aumenta o preço, diminui a demanda, aquela rota que estava no break-even deixa de fazer sentido; as pessoas não voam e você tira a rota”, afirmou, em entrevista na manhã desta quarta-feira (15) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Ele destaca que, diferentemente de alguns mercados, a situação pode ser ainda mais crítica no Brasil por causa da estrutura de custos das empresas.
O turismo brasileiro atingiu patamares recordes em 2024, mas enfrenta uma ameaça que pode interromper o ritmo de expansão. Dados consolidados mostram que o setor responde por 7,7% do PIB nacional, movimentando cerca de US$ 169 bilhões.
Conforme os números de 2024, o faturamento do turismo nacional chegou a R$ 207 bilhões. Esse montante representa uma alta de 4,3% em relação ao ano anterior. Além disso, o setor sustenta mais de 8 milhões de empregos, o que equivale a 8,1% de todos os postos de trabalho no país.
Atualmente, a entrada de turistas estrangeiros também apresenta aceleração. No primeiro quadrimestre de 2025, a receita com visitantes internacionais acumulou US$ 3 bilhões, valor 20% superior ao mesmo período de 2024. Apesar disso, o Times Brasil | CNBC apurou que o aumento da carga tributária sobre o setor aéreo pode comprometer essas metas de longo prazo.
Leia também: Carga tributária pode derrubar planos de crescimento da aviação
A projeção para 2034 indica uma contribuição de US$ 194,6 bilhões ao PIB. Todavia, a ausência de uma Conta Satélite do Turismo dificulta a precisão das métricas oficiais. Esse instrumento é o padrão internacional para medir a atividade com exatidão. Sem ele, os debates sobre políticas públicas carecem de dados técnicos padronizados.
Especialistas afirmam que o Brasil possui um dos maiores potenciais de aviação doméstica do mundo. Francisco Conejero Perez, professor de Aviação Civil, explicou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC na quarta-feira (15) que novas taxações retraem o setor imediatamente. Segundo Perez, o querosene de aviação compõe até 40% do preço final da passagem.
O especialista Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, também manifestou preocupação em entrevista ao Times Brasil | CNBC. França destacou que a proposta de um IVA de 27% sobre o transporte internacional tende a elevar os preços. Segundo o consultor, as empresas aéreas possuem uma estrutura de custos rígida que impede absorver novos impostos.
Ademais, França ressaltou que o setor aéreo movimenta R$ 107,5 bilhões do PIB de forma direta. Quando os custos sobem, a demanda cai. Estudos indicam que uma elevação de 10% no preço das passagens pode reduzir o número de passageiros na mesma proporção. Isso gera ociosidade nas frotas e diminui o consumo em hotéis e restaurantes.
A falta de uma política nacional para a aviação regional limita o acesso a novas rotas. De acordo com os analistas, o planejamento precisa integrar infraestrutura e segurança jurídica. Atualmente, o ICMS sobre o combustível varia entre 12% e 25% conforme o estado. Somado a isso, PIS e Cofins elevam ainda mais a pressão financeira sobre as companhias.
Perez acredita que a definição clara das regras na reforma tributária é necessária para ampliar o acesso do passageiro. Para ele, o governo busca aumentar a arrecadação mas pode gerar um efeito contrário. Se as pessoas viajam menos, toda a cadeia de serviços perde receita.
Portanto, o setor aguarda definições sobre as alíquotas para manter os planos de investimento. O equilíbrio entre a arrecadação federal e a manutenção da competitividade do destino Brasil definirá se o país alcançará a meta de 9,4 milhões de empregos no turismo nos próximos dez anos.
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