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Moody’s vê risco contido de crise bancária no Paraguai após quebra do Ueno Bank
Publicado 05/11/2026 • 20:00 | Atualizado há 29 minutos
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Publicado 05/11/2026 • 20:00 | Atualizado há 29 minutos
KEY POINTS
A quebra do Ueno Bank não deve desencadear uma crise no sistema financeiro do Paraguai, desde que o processo de resolução da instituição seja conduzido de forma rápida e ordenada, avaliou a Moody’s Ratings em relatório divulgado nesta quarta-feira (4).
Para a agência, o caso representa um teste relevante para a estrutura criada pelo país para lidar com a quebra de bancos do porte do Ueno, que havia crescido rapidamente nos últimos anos e se tornado uma das maiores instituições financeiras paraguaias.
Em setembro, o banco concentrava cerca de 8% dos empréstimos e 9% dos depósitos de todo o sistema financeiro. A Moody’s classificou a resolução como negativa para o setor bancário, principalmente pelo risco de atrasos ou perdas para clientes com valores acima do limite garantido.
Ainda assim, a agência considera limitado o risco de contágio para outras instituições.
Segundo o relatório, aproximadamente 97% dos depositantes do Ueno devem ter seus recursos integralmente cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai.
O limite de proteção é de 75 salários mínimos mensais, equivalente atualmente a cerca de 228,3 milhões de guaranis, ou US$ 38 mil, por cliente e por instituição.
Em valor, porém, apenas cerca de 30% dos depósitos do Ueno estavam dentro dessa cobertura.
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Siga o Times | CNBCExcluindo recursos do Instituto de Previsión Social (IPS) e de outras entidades públicas, valores não segurados representam aproximadamente 40% dos depósitos do banco. Esses clientes terão de disputar o ressarcimento com base nos ativos restantes da instituição, e a recuperação é considerada incerta pela Moody’s.
O Fundo de Garantia de Depósitos tinha cerca de US$ 1,6 bilhão em liquidez em setembro, montante equivalente a aproximadamente duas vezes os depósitos segurados do Ueno.
Apesar do colapso do Ueno, a Moody’s avalia que o restante do sistema financeiro paraguaio continua em situação sólida.
Em setembro, os créditos problemáticos representavam 2,5% da carteira total dos bancos, ante 2,1% no fim de 2025. As provisões cobriam 113% desses empréstimos, enquanto o índice de capital regulatório do sistema estava em 17,1%.
A agência também destaca que as demais obrigações domésticas do Ueno são relativamente pequenas, o que reduz a possibilidade de perdas relevantes se espalharem para outras instituições financeiras.
Os maiores bancos do Paraguai podem inclusive receber parte dos recursos retirados ou transferidos do Ueno. Itaú Paraguai, Banco Continental, Sudameris e GNB concentram juntos cerca de 60% dos depósitos do sistema e, segundo a Moody’s, estão entre as instituições que podem se beneficiar dessa redistribuição.
A agência avalia ainda que o episódio pode levar o Banco Central do Paraguai a elevar as exigências de capital e acelerar a adoção de regras alinhadas ao padrão internacional de Basileia III.
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