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No SXSW, Douglas Ruskoff traz reflexões sobre como ser autêntico diante dos desafios do mundo digital
Publicado 11/03/2025 • 11:23 | Atualizado há 2 anos
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Publicado 11/03/2025 • 11:23 | Atualizado há 2 anos
Ruskoff lembrou como o início da internet e o SXSW eram catalisadores de um movimento contracultural, alimentado por pessoas excêntricas com ideias ousadas e imprevisíveis
Reprodução/YouTube/SXSW 2023
O painel de Douglas Ruskoff no evento que reúne criativos e especialistas, SXSW 2025, que acontece em Austin, nos Estados Unidos, intitulado Weirding the Digital: An Invocation, alugou um triplex na cabeça dos participantes. Sua fala foi profundamente instigante, desafiando os ouvintes a refletirem sobre a transformação da internet e da cultura digital.
Ruskoff trouxe à tona como o início da internet e o SXSW eram catalisadores de um movimento contracultural, alimentado por pessoas excêntricas com ideias ousadas e imprevisíveis. Contudo, essa energia criativa deu lugar a uma versão previsível, lucrativa e politicamente restrita do que a digitalidade representa hoje.
Durante uma hora de discurso inflamado e questionador, Douglas nos convidou a repensar o caminho que a sociedade digital trilhou, sugerindo que precisamos voltar ao básico: conectar com as pessoas de forma autêntica e humana, para redescobrir o centro da digitalidade.
O mundo está em um momento de incertezas. “As coisas estão estranhas na América politicamente”. O que começou como uma jornada criativa, onde pessoas com ideias excêntricas buscavam criar algo novo e radical, agora se tornou algo previsível, formatado e centrado no lucro.
“Foi de ‘weird’ para ‘wired’”, fazendo referência ao afastamento da cultura digital das suas raízes mais subversivas e experimentais.
A tecnologia, que antes estava ligada à inovação e à ruptura com o status quo, agora está moldada por forças políticas e econômicas que buscam controle e previsibilidade.
A transformação de algo “estranho” em algo “conectado” gerou um paradoxo: em vez de buscar novos caminhos e explorar novas possibilidades, agora tudo parece estar sendo pensado e planejado para obter lucro e atender à restrição política.
A contracultura, que antes era o impulso da criatividade digital, foi substituída por um sistema mais previsível, e até opressor.
O mantra de Austin é ”Keep Austin Weird”. O princípio do “weird” não é só provocar o inesperado ou o incomum, mas é um convite a parar, refletir e olhar para o mundo até que ele se torne estranho. A estranheza, para Ruskoff, é um ponto de partida essencial para reverter a mecanização do digital e retornar à sua essência criativa.
1. Aceitar o apocalipse — Aceitar a desconstrução das estruturas atuais e estar pronto para a mudança radical que pode vir.
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Siga o Times | CNBC2. Mudar o estranho — Ajustar e orientar a estranheza para que ela se torne uma ferramenta de transformação, um ato de resistência criativa.
3. Magia — Reconhecer que a magia, a sincronicidade, a intuição e os encontros inesperados fazem parte da energia criativa que transforma a digitalidade e a cultura. A estranheza, nesse contexto, é não só desejada, mas necessária.
Ruskoff também nos propõe uma nova visão sobre o papel das pessoas no processo de transformação digital. De agentes de ação, movendo-se de forma acelerada e impessoal, devemos nos tornar agentes de cuidado, abraçando a desconexão que a digitalização impôs e retornando ao básico da experiência humana: conectar com as pessoas, estar presentes e ser reais.
Ele reflete que a contracultura, em sua essência, é estranha. Ela sempre foi alimentada por ideias excêntricas e impulsionada pela busca de algo mais autêntico e disruptivo. A digitalidade precisa voltar a ser estranha para que possamos encontrar um caminho para o futuro que realmente ressoe com o espírito de inovação e liberdade que a internet representou em seus primórdios.
Gabriela Maraia é Managing Director LATAM da Greenpark, agência de conteúdo e marketing digital
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