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‘Master Paraguaio’: o que pode acontecer com os recursos públicos depositados em bancos?
Publicado 07/11/2026 • 10:30 | Atualizado há 8 minutos
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Publicado 07/11/2026 • 10:30 | Atualizado há 8 minutos
KEY POINTS
Foto: divulgaçao
Crise do Ueno Bank: o que pode acontecer com os recursos públicos depositados em bancos?
A crise do Ueno Bank, conhecida como ‘Master paraguaio‘, levantou preocupações sobre o destino de recursos públicos mantidos em instituições financeiras privadas. O episódio colocou em evidência os riscos de órgãos estatais concentrarem grandes volumes de dinheiro em bancos que enfrentam problemas financeiros.
A instituição mantinha entre US$ 800 milhões (R$ 4,304 bilhões) e US$ 850 milhões (R$ 4,573 bilhões) em recursos de órgãos públicos paraguaios, incluindo aproximadamente US$ 380 milhões (R$ 2,044 bilhões) vinculados ao sistema de previdência e saúde. Com a entrada do banco em regime de resolução pelo Banco Central, a recuperação desses valores passou a preocupar o governo.
O caso, conhecido como “Master paraguaio”, também provocou manifestações populares, investigações e uma crise política que levou o presidente Santiago Peña a anunciar sua renúncia em 5 de novembro.
O principal risco está na dificuldade de recuperar imediatamente os recursos depositados em uma instituição com problemas financeiros. Quando um banco entra em regime de resolução, o Banco Central adota medidas para reorganizar seus ativos e passivos e buscar alternativas para proteger os depositantes.
No caso do Ueno, a autoridade monetária aprovou a medida em 2 de novembro, após identificar que a instituição não atendia aos requisitos mínimos de capital. A decisão interrompeu a movimentação normal das contas e deixou clientes sem acesso imediato ao dinheiro. Entretanto, a presença de recursos públicos no banco não significa que todo o montante será perdido.
A recuperação depende dos resultados do processo de resolução, da disponibilidade de ativos e das condições para transferir ou devolver os depósitos. Até o momento, não há uma estimativa definitiva sobre quanto o Estado conseguirá recuperar.
Outro ponto de preocupação envolve o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), administrado pelo Banco Central paraguaio. O mecanismo protege clientes de instituições financeiras em caso de problemas bancários.
Os depósitos garantidos do Ueno somavam 5,08 trilhões de guaranis, enquanto o fundo administrava 9,54 trilhões de guaranis. Dessa forma, a exposição potencial representa aproximadamente 53% das reservas disponíveis. O valor não significa que todo esse montante será retirado do fundo, já que a recuperação de ativos pode reduzir a necessidade de utilização das reservas.
O sistema garante até 228,3 milhões de guaranis por depositante, aproximadamente R$ 203 mil. Segundo estimativas preliminares do Banco Central, 97% dos clientes do Ueno teriam direito à recuperação integral dos valores. Esse grupo, porém, representa apenas 30% do total de depósitos.
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Siga o Times | CNBCOs depósitos que ultrapassam o limite de cobertura não têm ressarcimento integral assegurado. Nesses casos, os clientes dependem da recuperação dos ativos do banco e das demais etapas do processo de resolução.
Em 5 de novembro, o Banco Central iniciou os pagamentos aos correntistas com depósitos de até 10 milhões de guaranis, desde que não tivessem dívidas com a instituição e possuíssem conta ativa em outro banco paraguaio. Os demais clientes precisam aguardar as próximas etapas, pois ainda não existe um calendário definitivo para todos os pagamentos.
Criado em 2003, o Fundo de Garantia de Depósitos é administrado pelo Banco Central. O governo realizou um aporte inicial de US$ 50 milhões, enquanto as instituições financeiras passaram a contribuir trimestralmente com 0,12% da média dos depósitos.
A cobertura inclui contas correntes, poupanças, depósitos em moeda estrangeira e aplicações a prazo. Diferentemente do Brasil, onde o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, o mecanismo paraguaio fica sob responsabilidade direta da autoridade monetária.
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A legislação também permite alternativas de financiamento público caso as reservas sejam insuficientes. Entre elas está a emissão de títulos lastreados em contribuições futuras dos bancos. Por isso, a crise do Ueno pode exigir novos aportes para recompor os recursos utilizados. Ainda não há, contudo, uma estimativa oficial do custo final.
A exposição de recursos públicos ganhou repercussão diante das relações anteriores entre Santiago Peña e o grupo controlador do Ueno. O presidente foi sócio do Grupo Vázquez até março de 2025, circunstância que ampliou os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses.
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O Ministério Público investiga suspeitas de empréstimos a empresas relacionadas ao grupo econômico e possíveis irregularidades financeiras. As apurações também resultaram em acusações contra 27 pessoas ligadas à administração da instituição.
Enquanto as investigações avançam, o ‘Master paraguaio‘ mantém em evidência o desafio de recuperar os depósitos, preservar as reservas do fundo garantidor e avaliar o impacto da crise sobre os recursos públicos.
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