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Petróleo a US$ 90? Ataque dos EUA e Israel contra o Irã deve acelerar preço da commodity nas próximas semanas

Publicado 28/02/2026 • 12:44 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28), seguido por retaliação iraniana com mísseis contra Israel e bases americanas no Oriente Médio, adicionou tensão no mercado de petróleo.
  • Especialistas ouvidos pelo Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC afirmam que o efeito inicial tende a aparecer nos preços da commodity, com tendência de alta nas próximas semanas.
  • Contudo, a alta nos preços do petróleo tende a perdurar enquanto o conflito tiver desdobramentos, que poderiam até impactar o Estreito de Ormuz.
Fábrica de produção de petróleo.

Foto: Canva

O ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28), seguido por retaliação iraniana com mísseis contra Israel e bases americanas no Oriente Médio, adicionou tensão no mercado de petróleo. Especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC afirmam que o efeito inicial tende a aparecer nos preços da commodity, com tendência de alta.

Na última sexta-feira (28), o petróleo Brent avançou 2,86%, cotado a US$ 72,87 o barril. Enquanto os contratos de petróleo WTI para abril subiram 2,77%, a US$ 67,02.

Segundo Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, o conflito interfere diretamente na dinâmica global de oferta. Parte do petróleo barato comprado por países como China e Índia de produtores como Irã e Venezuela pode sair de circulação durante o conflito, reduzindo a disponibilidade e impulsionando as cotações.

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“Essa demanda, que antes comprava petróleo barato, vai ter que comprar agora petróleo cheio”, diz, acrescentando que esse movimento já ajuda a explicar a recuperação recente das cotações da faixa dos US$ 60 para perto de US$ 70.

O especialista em geopolítica do petróleo Daniel Toledo concorda que a reação imediata do mercado é típica em episódios desse tipo. “Sempre que ocorre um ataque envolvendo países estratégicos no Oriente Médio, o mercado passa a precificar risco geopolítico”, afirma. “Mesmo sem interrupção concreta na produção, o simples risco de desabastecimento eleva contratos futuros.”

Esse mecanismo se intensifica porque a região concentra parcela relevante da oferta global e abriga gargalos logísticos críticos. Um deles é o Estreito de Hormuz, por onde circula cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo. Qualquer ameaça à rota, diz Toledo, tende a provocar reação quase instantânea nos preços, com investidores e tradings comprando contratos para proteção e embutindo prêmio de risco.

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No curto prazo, porém, o impacto sobre o consumo tende a ser limitado. A demanda global responde mais a fatores estruturais, como crescimento econômico e atividade industrial. “Um choque pontual de preço não reduz automaticamente o consumo. O efeito inicial é predominantemente financeiro e especulativo, não físico”, diz o especialista.

Queiroz acrescenta que, além do fator geopolítico, há pressões estruturais de médio e longo prazo. Segundo ele, cancelamentos de projetos ligados à agenda ambiental e a retomada de investimentos em combustíveis fósseis, inclusive para suprir projetos intensivos em energia, como data centers, aumentam a demanda prevista.

Ao mesmo tempo, a oferta tende a crescer mais lentamente, já que grandes projetos levam anos para entrar em operação e parte da cadeia de suprimentos foi descontinuada.

Na visão dele, essa combinação pode sustentar preços mais altos no longo prazo. “Em dez anos, veremos petróleo acima de US$ 100 o barril pela escassez e pela redução da oferta”, afirma.

Já no médio prazo, nos próximos 5 anos, Queiroz enxerga o barril Brent oscilando entre US$ 50 e US$ 100. Para a primeira semana de março, o especialista defende que a alta da commodity está contratada.

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Ainda assim, Toledo ressalta que o comportamento imediato de alta pode não se manter. Se ficar claro nos próximos dias que não houve dano relevante à infraestrutura de produção ou exportação, parte da alta pode ser revertida.

O cenário, segundo o especialista, muda se houver escalada militar envolvendo grandes produtores ou interrupção efetiva de rotas logísticas. Nesse caso, o mercado deixaria de precificar apenas risco potencial e passaria a refletir escassez real de oferta.

Cenário nebuloso

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, há possibilidade de o petróleo brent ultrapassar os US$ 72, mas tudo dependerá de uma oferta menor da commodity, o que pode impulsionar os preços.

“São muitas variáveis que vão dar o tom, entre elas se o Estreito de Ormuz fecha, se a China deixa de ter acesso a petróleo mais barato ou se o Irã vai deixar de produzir”, avalia o analista, que ainda considera o contexto incerto, mas acredita que nos próximos dias o petróleo sobe diante do maior risco geopolítico.

Na avaliação dele, é complexo determinar quanto tempo vai durar a alta da commodity. “O prolongamento vai depender dos efeitos em cadeia de produção”.

Já na visão de Mario Oliveira Filho, especialista em energia e infraestrutura, o mercado já tinha precificado antecipadamente os impactos do ataque ao Irã, mas ainda haveria espaço para uma alta nos preços do brent entre US$ 1 a US$ 7 o barril.

“Se a duração do ataque e conflito for breve, a alta nos preços do petróleo se intensificará no curto prazo. Mas se houver desdobramentos no médio prazo, o Irã provavelmente bloqueará o Estreito de Ormuz e a alta do brent pode chegar a US$ 15 por barril”, estima Filho.

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