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Petróleo

EUA e China emergem como vencedores com mudanças na Opep e redefinem petróleo e juros globais

Publicado 28/04/2026 • 22:34 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • Movimento favorece Estados Unidos e China ao enfraquecer a influência do cartel e dar mais peso à dinâmica de oferta e demanda
  • País ganha autonomia para elevar a produção, com meta de chegar a 5 milhões de barris/dia até 2027, mas enfrenta riscos logísticos no Estreito de Ormuz
  • Impacto no curto prazo tende a ser limitado, mas saída aumenta exposição a volatilidade e tensões geopolíticas, além de sinalizar maior busca por independência entre grandes produtores
Opep fornece projeções para o petróleo em 2025.

Pixabay

Plataforma de petróleo

A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep+ nesta terça-feira (28), foi mais um golpe na já combalida cadeia de produção e distribuição do petróleo. Além de aumentar as incertezas acerca da disponibilidade da commodity, a retirada do país também reduz o poder de barganha do cartel, mas em grau moderado, segundo os especialistas ouvidos pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC.

Quem ganha com o movimento são os Estados Unidos e a China, à medida em que retira poder de um cartel que prejudica a precificação adequada do petróleo, diz Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital. “Vai ajudar a prevalecer oferta versus demanda e reduzir impactos geopolíticos no preço”.

O país produz cerca de três milhões de barris por ano, o equivalente a 2,5% da produção global. Já a Opep como um todo responde por 30% do fornecimento global de petróleo, o que lhes garante relativo poder sobre os preços da commodity pelo mundo. À medida em que o cartel opera através da regulação do valor dos barris do petróleo conforme o aumento e redução da oferta, o grupo fica um pouco fragilizado com a saída, mas não deve ver seu poder diminuir, diz Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV.

As autoridades dos Emirados Árabes afirmaram que a decisão resulta de uma revisão da política de produção e da capacidade atual e futura do país, alinhada ao interesse nacional e ao compromisso de atender às demandas do mercado, além de refletir uma “responsabilidade soberana” no novo contexto energético.

O comunicado buscou reduzir o peso do cenário imediato ao destacar que, apesar da volatilidade de curto prazo, como interrupções no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, há perspectiva de crescimento sustentado da demanda global de energia no médio e longo prazo.

Os planos do país

O governo declarou que pretende manter o país como um “parceiro de energia confiável e responsável” e que a decisão amplia a flexibilidade para responder ao mercado, preservando uma atuação estável e gradual.

O movimento indica uma tentativa de afastamento das restrições do cartel liderado pela Arábia Saudita, seguindo caminho já adotado por Catar, em 2019, e Angola, em 2024.

Os planos dos Emirados Árabes Unidos são de aumentar a capacidade de produção de cerca de 3,4 milhões de barris por dia para 5 milhões de barris por dia até 2027.

Fora da Opep+, o país ganha liberdade para ampliar a produção sem obedecer às cotas do grupo, o que pode elevar a oferta global no médio prazo, explica Daniel Toledo, advogado especialista em negócios internacionais e geopolítica do petróleo.

“Na prática, o impacto dependerá de dois fatores: a velocidade com que os Emirados conseguirão colocar mais barris no mercado e a situação logística no Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz. Com restrições de navegação, ataques à infraestrutura e aumento do custo de seguro, não basta ter capacidade produtiva. É preciso conseguir escoar o petróleo”, diz.

A reação do petróleo

Os contratos futuros da commodity não devem ser impactados no curto prazo com o movimento do país. A oferta de petróleo pode aumentar de um a dois milhões de barris por dia, estima Queiroz.

Para ele, o país ganha autonomia na sua produção, e com isso pode trabalhar o equilíbrio fiscal das suas contas e também aumentar investimentos com o caixa adicional gerado. “Não enxergo perda na saída no curto prazo e nem no longo prazo”, afirmou.

Por outro lado, o país perde parte da proteção política e econômica oferecida pela coordenação coletiva, afirma Toledo . “A Opep+ funciona como um mecanismo de influência sobre preços. Fora dela, os Emirados ficam mais expostos à volatilidade e podem ser vistos como um ator que enfraquece a disciplina do grupo. Também há custo diplomático, especialmente na relação com a Arábia Saudita”, afirma.

Xadrez global

A saída ocorre no pior momento possível para a previsibilidade do mercado. O conflito já provocou forte disrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passam volumes relevantes de petróleo e derivados. A Agência Internacional de Energia estimou que os fluxos de petróleo e produtos pelo estreito caíram de cerca de 20 milhões de barris por dia para níveis residuais, enquanto países do Golfo reduziram a produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia.

Isso significa que o mercado está lidando, ao mesmo tempo, com choque geopolítico, risco de oferta, incerteza logística e agora uma ruptura institucional dentro da Opep+, diz Toledo.

“A saída dos Emirados não é apenas uma decisão econômica. Ela sinaliza que grandes produtores querem mais autonomia em um ambiente em que as alianças regionais estão sendo testadas”, explica.

Com impacto reduzido, a notícia não deve impactar os níveis de inflação nem, portanto, a trajetória das taxas de juros globais.

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