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Petróleo

Firjan vê petróleo mais caro por período prolongado e alerta para impactos em combustíveis e inflação

Publicado 24/07/2026 • 17:25 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Preço médio do barril em 2026 já supera em cerca de 50% as projeções feitas no ano passado.
  • Fechamento do Estreito de Ormuz reduz oferta global e amplia pressão sobre derivados.
  • Escalada no Oriente Médio afeta muito mais do que os combustíveis e alcança milhares de produtos da economia.

A alta do petróleo deve continuar pressionando os preços dos combustíveis, da indústria e da inflação enquanto persistirem as restrições de oferta provocadas pelos conflitos no Oriente Médio, afirmou nesta sexta-feira (24) Thiago Valejo, gerente de Projetos de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“O petróleo é um mercado historicamente cíclico. Hoje o preço já está em queda em relação a ontem, mas isso não significa que continuará assim. O grande ponto de interrogação é saber até quando esse movimento vai durar”, afirmou. “A média do barril em 2026 já está cerca de 50% acima do que o mercado projetava no ano passado.”

Previsões superadas

Segundo Valejo, a disparada das cotações surpreendeu o mercado. Se, ao fim de 2025, as estimativas apontavam para um barril entre US$ 55 e US$ 60 (entre R$ 279,95 e R$ 305,40), a média registrada neste ano já se aproxima de US$ 85 (R$ 432,65), refletindo o agravamento das tensões geopolíticas.

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O executivo ressalta que os efeitos da valorização do petróleo vão muito além dos postos de combustíveis. De acordo com estudo da Firjan, a cadeia petrolífera está ligada à produção de mais de 6 mil produtos, incluindo fertilizantes, insumos petroquímicos, gás natural e diversos materiais utilizados pela indústria.

“O principal termômetro para a população é o preço na bomba, mas o petróleo está presente em milhares de produtos consumidos diariamente. O impacto econômico acaba sendo muito mais amplo.”

Rotas estratégicas

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Na avaliação do especialista, a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz continua sendo o principal fator de preocupação para o mercado internacional de energia.

Valejo lembra que a passagem responde por aproximadamente 20% de todo o petróleo transportado no mundo, o que torna qualquer restrição relevante para o equilíbrio entre oferta e demanda. “Hoje o estreito opera com circulação muito reduzida e os seguros das embarcações chegaram a ficar cerca de 50 vezes mais caros do que em condições normais”, destacou.

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Oferta limitada

Embora parte das exportações esteja sendo redirecionada por rotas alternativas, como a região de Bab-el-Mandeb, o gerente da Firjan afirma que essa solução não elimina os impactos sobre o abastecimento global.

Segundo ele, parte da produção consegue ser estocada ou desviada para outros corredores marítimos, mas milhões de barris deixam de chegar às refinarias diariamente, reduzindo a disponibilidade de derivados.

“Esses barris retidos não chegam às refinarias, não chegam ao consumidor final e acabam comprometendo a produção de combustíveis e de outros derivados do petróleo”, concluiu.

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