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Plano da Chevron na Venezuela reforça posição dos EUA na disputa energética global
Publicado 03/09/2026 • 16:03 | Atualizado há 11 minutos
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Publicado 03/09/2026 • 16:03 | Atualizado há 11 minutos
KEY POINTS
A ampliação do acesso dos Estados Unidos às reservas de petróleo da Venezuela fortalece a posição energética americana e pode alterar relações estratégicas de Washington com outros grandes produtores, afirmou José Niemeyer, economista e professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ. Para ele, a proximidade das reservas venezuelanas dá aos EUA uma vantagem relevante em um momento de conflitos que atingem o mercado global de energia.
Em entrevista nesta quinta-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, José Niemeyer analisou os efeitos do plano da Chevron de investir US$ 7 bilhões (R$ 35,7 bilhões) para mais que dobrar sua produção de petróleo na Venezuela nos próximos cinco anos, dos atuais 280 mil para 600 mil barris por dia.
“Esse é um tema muito interessante porque tem muitas variáveis. Primeira variável é que é um tema decididamente de geopolítica”, afirmou o economista.
Leia também: EXCLUSIVO CNBC: Chevron vai investir US$ 7 bi e triplicar produção na Venezuela, diz CEO
Para Niemeyer, um dos elementos centrais da estratégia americana está na localização das reservas. Diferentemente do petróleo produzido no Oriente Médio, a oferta venezuelana encontra-se em uma região muito mais próxima dos Estados Unidos, reduzindo a dependência de fornecedores geograficamente distantes.
“É mais fácil um controle dos Estados Unidos da América sobre a Venezuela do que sobre países ou regiões que estão muito longe do território norte-americano”, explicou. “A Venezuela está muito próxima da América Central. A América Central é espaço vital dos Estados Unidos da América.”
O professor também ressaltou que a produção venezuelana vinha perdendo espaço, em uma economia fortemente dependente do setor petrolífero. Nesse contexto, a entrada de investimentos e a expansão das operações podem representar uma mudança importante para a capacidade produtiva do país.
Leia também: Presidente interina da Venezuela agradece Trump por acordo energético sobre reservas de petróleo
“A produtividade de petróleo, a produção de petróleo na Venezuela, estava caindo muito. A Venezuela perdeu muito espaço como país produtor de petróleo”, apontou.
Na avaliação do economista, os efeitos da aproximação entre Washington e Caracas podem ultrapassar as fronteiras venezuelanas. A garantia de uma fonte relevante de petróleo mais próxima dos Estados Unidos tende a afetar o peso estratégico atribuído a outros fornecedores.
“Este acordo é tão importante porque isso vai impactar, na minha visão, na guerra entre os Estados Unidos e Irã. Isso vai impactar, com toda certeza, na guerra Rússia e Ucrânia”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCNiemeyer considera que, à medida que os Estados Unidos consolidem o abastecimento proveniente da Venezuela, a relação energética com a Rússia e países produtores do Oriente Médio pode perder importância relativa.
“Pode haver um distanciamento no futuro, no médio prazo, com relação ao mercado de petróleo entre Estados Unidos e Rússia e entre Estados Unidos e países produtores do Oriente Médio”, disse. Segundo ele, essa transformação poderia fazer com que “as questões de segurança internacional envolvendo petróleo fiquem menos conflituosas e mais cooperativas”.
A expansão do acesso às reservas venezuelanas também ocorre em meio à disputa entre Estados Unidos e China pela influência global. José Niemeyer avalia que Washington permanece como principal potência do sistema internacional, apesar do avanço relativo chinês e do surgimento de outros centros de poder.
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“Os Estados Unidos ainda são a superpotência do sistema internacional, mas estão perdendo poder relativo para a China e para outros centros de poder”, afirmou.
Apesar desse movimento, o economista destacou a força americana em serviços, tecnologia e capacidade militar. Ao mesmo tempo, apontou o crescimento da capacidade militar chinesa, especialmente no ambiente marítimo.
“China e Estados Unidos estão em competição e outros centros de poder, mas os Estados Unidos continuam superpotência com esta garantia de petróleo por muito tempo”, ressaltou.
Nesse cenário, a proximidade das reservas venezuelanas acrescenta uma dimensão importante à disputa. “Os Estados Unidos estando próximos desta reserva, eu acho que dá uma vantagem comparativa no campo da energia”, afirmou José Niemeyer.
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Apesar da importância estratégica do petróleo, Niemeyer ponderou que a vantagem conquistada pelos Estados Unidos precisa ser analisada à luz da transição para outras fontes de energia. “O petróleo é uma fonte de energia que polui muito. E aí talvez outros países cada vez mais vão tentar fazer alternativas de produção de energia”, explicou.
O economista destacou, porém, que a relevância do petróleo não se restringe à geração de energia. A commodity permanece essencial para diferentes cadeias industriais, incluindo siderurgia e produção de aços especiais, o que tende a preservar seu peso econômico durante um período prolongado.
“Eu acho que dá uma vantagem por um certo tempo. A questão é essa de quão alternativa a energia terá que ser no futuro para podermos combater, por exemplo, a questão do aquecimento climático”, concluiu.
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