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Possível acordo entre EUA e Irã pode reduzir preço do petróleo e redesenhar equilíbrio regional
Publicado 12/06/2026 • 21:10 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 12/06/2026 • 21:10 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
As negociações para um acordo entre Estados Unidos e Irã avançaram e alimentaram o otimismo dos mercados globais, mas ainda são cercadas por dúvidas sobre sua implementação e seus efeitos de longo prazo. Para a professora de Relações Internacionais da ESPM, Natália Fingermann, o fato de o anúncio mais recente ter partido do Paquistão, mediador das conversas, ajudou a aumentar a confiança dos investidores.
“O Irã e os Estados Unidos não possuem mais credibilidade frente ao mercado, porque eles já fizeram diversos anúncios e não cumpriram com seus anúncios”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ela, a participação de uma terceira parte confere maior confiabilidade ao processo e explica a reação positiva observada nos ativos financeiros.
Embora os termos do entendimento ainda não tenham sido divulgados oficialmente, a especialista avalia que a questão nuclear continua no centro das negociações. Em troca de limitações ao programa iraniano, Teerã busca o alívio das sanções econômicas e a liberação de recursos bloqueados no exterior.
De acordo com Fingermann, uma das demandas iranianas envolve o acesso a parte dos mais de US$ 100 bilhões atualmente congelados. Segundo informações citadas por ela, o governo do país teria solicitado a liberação de US$ 16 bilhões para financiar a reconstrução nacional após os danos causados pelo conflito.
A professora destacou que a durabilidade do acordo dependerá menos da assinatura do documento e mais da capacidade de ambas as partes de cumprir os compromissos assumidos. “A confiabilidade que a gente pode esperar no futuro do Irã é incerta e me parece que vai depender um pouco da contrapartida e da entrega da contrapartida que os Estados Unidos tenham prometido”, disse.
Um dos efeitos mais observados pelo mercado é o potencial retorno do Irã ao centro do comércio global de energia. Dono da terceira maior reserva de petróleo do mundo, o país poderia ampliar significativamente sua oferta caso as restrições ao setor sejam flexibilizadas.
Na avaliação da especialista, porém, essa retomada não ocorreria de forma imediata. Ela estima que as instalações atingidas pelos ataques recentes levarão entre seis meses e um ano para serem reconstruídas. Ainda assim, a volta gradual da produção iraniana teria potencial para ampliar a oferta global e pressionar os preços da commodity.
“Se de fato ele puder retomar o mercado, o que a gente deve ver é o preço do petróleo caindo”, afirmou. Segundo ela, em um cenário de normalização das relações e aumento da produção, o barril poderia retornar à faixa de US$ 60 a US$ 70 observada antes da escalada das tensões no Oriente Médio.
Fingermann também apontou Israel como um fator decisivo para a estabilidade do acordo. Segundo a professora, a interrupção dos ataques israelenses figura entre as exigências apresentadas pelo Irã durante as negociações. Para ela, uma eventual retomada das operações militares poderia comprometer rapidamente qualquer avanço diplomático.
“O grande entrave para tudo correr bem é Israel”, afirmou. “Se o governo de Netanyahu retomar os ataques e as ocupações, a gente pode ver este conflito reacender de uma maneira mais dramática ainda no Oriente Médio.”
A especialista avaliou ainda os reflexos políticos do cenário para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora considere prematuro medir impactos eleitorais concretos, ela destacou que a inflação elevada e os custos de energia continuam sendo fatores sensíveis para a população americana, especialmente entre os eleitores de renda média e baixa.
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Seguir no GoogleSegundo Fingermann, parte da base republicana mantém apoio firme ao presidente, mas a situação econômica tende a ganhar peso à medida que se aproximam as eleições legislativas. Nesse contexto, ela não descarta a adoção de medidas voltadas ao alívio do custo de vida caso o governo perceba riscos políticos mais significativos nos próximos meses.
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