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Petróleo

Queda do petróleo alivia inflação, mas instabilidade no Oriente Médio dificulta projeções

Publicado 27/07/2026 • 19:55 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Recuo do petróleo reduz pressões inflacionárias, mas cenário ainda é considerado volátil.
  • Economista afirma que indefinição no Oriente Médio dificulta decisões dos bancos centrais.
  • Para André Mirsk, Brasil deve manter juros elevados até que haja maior previsibilidade econômica.

A forte queda do petróleo após a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã reduz a pressão sobre a inflação global, mas ainda não oferece segurança suficiente para uma mudança nas expectativas econômicas, afirmou nesta segunda-feira (27) o economista e consultor financeiro André Mirsk em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a volatilidade do conflito impede que bancos centrais tomem decisões de longo prazo com maior convicção.

“O grande problema que os bancos centrais enfrentam hoje é que o petróleo não está sob o controle deles, mas dos desdobramentos desse conflito e das decisões dos Estados Unidos”, afirmou.

Mirsk lembrou que, na última sexta-feira (24), o barril chegou perto de US$ 100, mas recuou para cerca de US$ 85 após a redução das ofensivas militares. Na avaliação dele, uma oscilação dessa magnitude dificulta o trabalho das autoridades monetárias.

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“Se o Banco Central decidir sua política monetária baseado nessa indefinição do petróleo, ele fica sem capacidade de tomar decisões assertivas e duradouras”, disse.

Impacto vai além dos combustíveis

Segundo o economista, a volatilidade do petróleo afeta muito mais do que a inflação dos combustíveis. Ele destacou que toda a cadeia produtiva acaba sendo impactada pelos custos logísticos e energéticos.

“Não é só o preço do barril. Estamos falando do frete, dos seguros, do gás natural, dos fertilizantes e de vários produtos transportados pela região”, afirmou.

Mirsk ressaltou que até setores considerados menos dependentes do petróleo sofrem efeitos indiretos da instabilidade. Segundo ele, os data centers utilizados para inteligência artificial demandam elevado consumo de energia e sistemas de resfriamento, o que reforça a importância do mercado de energia para diversos segmentos da economia.

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Na avaliação do economista, o maior problema atualmente não está na oferta de petróleo, mas na dificuldade de distribuição. “Hoje vivemos muito mais uma crise de distribuição do que de produção. O mercado precisa saber que conseguirá transportar petróleo normalmente pelos próximos meses, e essa confiança ainda não existe”, afirmou.

Ele acrescentou que essa incerteza também explica a forte volatilidade observada nos contratos futuros da commodity.

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Oriente Médio ainda inspira cautela

Para Mirsk, mesmo com a redução das tensões, ainda é cedo para falar em normalização da região.

Segundo ele, o Irã percebeu a importância estratégica do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão internacional. “O Irã descobriu que Ormuz é uma arma muito mais poderosa do que qualquer bomba atômica que eventualmente possa ter”, afirmou.

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O economista observou que, mesmo após meses de conflito, ainda não há clareza sobre os objetivos finais das operações militares lideradas pelos Estados Unidos. “Se não sabemos quais são os objetivos finais da guerra, também não sabemos quando ela realmente termina”, disse.

Na avaliação dele, mesmo que um cessar-fogo definitivo seja firmado imediatamente, a normalização da região deverá levar vários meses. “Vai demorar para o mercado recuperar a confiança. O petróleo só voltará a operar em um ambiente de normalidade quando houver previsibilidade sobre a circulação da commodity na região”, afirmou.

Brasil deve manter juros elevados

Ao comentar o cenário brasileiro, Mirsk disse que o ambiente externo continua sendo um dos principais fatores para a condução da política monetária, mas destacou que as eleições de 2026 também passam a influenciar as expectativas dos investidores.

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Segundo ele, o mercado já trabalha com a possibilidade de a taxa Selic permanecer próxima dos níveis atuais até o fim do ano. “No início do ano se falava em uma Selic perto de 12%. Hoje o próprio mercado já trabalha com algo em torno de 14% e considera esse cenário satisfatório”, afirmou.

Para o economista, além do comportamento da inflação e do petróleo, a política fiscal continuará sendo determinante para a trajetória da economia brasileira. “O principal fator para o Brasil continua sendo a política fiscal e aquilo que o mercado começará a projetar para 2027. Isso será decisivo para os próximos movimentos da economia”, concluiu.

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