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Preços dos alimentos sobem em março com pressão do petróleo, mostra FAO
Publicado 06/04/2026 • 09:52 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 06/04/2026 • 09:52 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Brasil tem potencial para liderar a produção global de alimentos até 2050, mas precisa investir em tecnologia, sustentabilidade e novos modelos de financiamento
O índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) fechou março em 128,5 pontos, alta de 2,4% em relação a fevereiro. Foi o segundo mês consecutivo de aumento e o primeiro em que todos os cinco grupos monitorados pelo índice, cereais, carnes, laticínios, óleos vegetais e açúcar, avançaram ao mesmo tempo.
A pressão veio principalmente do mercado de energia. A escalada do conflito no Oriente Médio empurrou os preços do petróleo para cima e contaminou diretamente os grupos de óleos vegetais e açúcar, os dois com maior alta no mês.
Leia também: Coreia do Sul planeja criar novas rotas para o petróleo pelo Mar Vermelho
O índice de óleos vegetais subiu 5,1% em março, terceiro aumento consecutivo, e ficou 13,2% acima do nível de um ano atrás. O óleo de palma atingiu o nível mais alto desde meados de 2022 e passou a ser negociado com prêmio sobre o óleo de soja, reflexo direto da alta do petróleo bruto. Óleos de girassol e canola também avançaram, pressionados por restrições de oferta no Mar Negro e pela expectativa de maior demanda por insumos de biocombustíveis.
O açúcar registrou alta ainda mais expressiva: 7,2% em março, o maior nível desde novembro de 2025. A principal razão foi a expectativa de que o Brasil, maior exportador mundial do produto, direcione mais cana-de-açúcar para a produção de etanol na próxima safra, diante do petróleo mais caro. Preocupações com o impacto do conflito no Oriente Médio sobre as rotas de comércio de açúcar também pressionaram as cotações. O avanço foi contido pela perspectiva favorável de oferta global na safra 2025/26, com boas colheitas na Índia e na Tailândia.

O índice de cereais subiu 1,5% em março. O trigo liderou, com alta de 4,3%, pressionado pela deterioração das condições de lavoura nos Estados Unidos por conta da seca e pela expectativa de redução do plantio na Austrália diante dos custos mais altos de fertilizantes. O arroz foi a exceção: recuou 3,0%, pressionado por colheitas, queda na demanda de importação e depreciação cambial em países exportadores.
O índice de carnes avançou 1,0% e ficou 8,0% acima do nível de um ano atrás. A carne suína liderou a alta, com demanda sazonal aquecida na Europa. A carne bovina também subiu, puxada pelo Brasil, onde a restrição na oferta de gado limitou os volumes exportáveis em meio à demanda global. As carnes de ovinos e aves recuaram.
O índice de laticínios subiu 1,2% em março, primeiro aumento desde julho de 2025. O leite em pó desnatado, a manteiga e o leite em pó integral avançaram, sustentados pela demanda global firme e pela queda sazonal na produção da Oceania. Os preços do queijo recuaram, principalmente na Europa, onde a oferta de leite melhorou e a demanda de exportação ficou fraca.
Apesar de dois meses seguidos de alta, o índice geral da FAO ainda está 19,8% abaixo do pico de 128,5 pontos registrado em março de 2022, quando a guerra na Ucrânia desestruturou os mercados globais de grãos e energia. O conflito atual no Oriente Médio opera por canais diferentes, com impacto mais direto sobre o petróleo e os derivados do que sobre os grãos, mas a direção dos preços voltou a ser de alta em todos os grupos monitorados pela organização.
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