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Tarifa dos EUA deve avançar – mas lista de exceções pode crescer?
Publicado 09/07/2026 • 22:30 | Atualizado há 53 minutos
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Publicado 09/07/2026 • 22:30 | Atualizado há 53 minutos
KEY POINTS
A possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros deve se concretizar, embora parte das exportações possa ser preservada por meio de uma lista maior de exceções, avaliou o economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial e pesquisador sênior do Policy Center for the New South. A análise foi feita em entrevista nesta quinta-feira (9) ao Times Brasil —Licenciado Exclusivo CNBC.
“O que pode acontecer é uma ampliação do leque de isenções, mas o movimento é de aumento das tarifas. Eu não sou otimista em relação a uma reversão dessa política”, afirmou.
O governo americano tem até 15 de julho para decidir se aplicará uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após a conclusão das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
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Segundo Canuto, as investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial americana servem como instrumento para viabilizar a política tarifária defendida pelo presidente Donald Trump, cujo principal objetivo continua sendo reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos.
“Essas investigações acabam funcionando como justificativa para estabelecer tarifas. O foco continua sendo reconstruir uma muralha tarifária para proteger o mercado americano”, disse.
O economista lembrou que iniciativas semelhantes adotadas anteriormente não produziram os resultados esperados.
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“As tarifas implementadas no ano passado não melhoraram o desempenho do comércio americano, aumentaram a incerteza, adiaram investimentos e tiveram efeitos negativos também sobre o emprego”, destacou.
Na avaliação do pesquisador, a pressão exercida por empresas americanas poderá levar o governo dos Estados Unidos a retirar alguns produtos da lista de sobretaxas, especialmente aqueles que não possuem oferta doméstica suficiente.
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Siga o Times | CNBC“Há produtos em que a tarifa apenas aumentará custos para empresas e consumidores americanos. Em vários casos, haverá apenas substituição por fornecedores mais caros de outros países”, explicou.
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Ele citou como exemplos itens como café solúvel e determinados segmentos da indústria calçadista brasileira, que poderiam perder espaço para concorrentes asiáticos sem que isso fortalecesse a produção americana.
Para Canuto, o impacto das tarifas tende a ir além das exportações, afetando decisões de investimento e acelerando uma mudança que já vem ocorrendo na pauta comercial brasileira.
“As empresas passam a investir menos quando há insegurança sobre o acesso ao mercado americano. Isso acaba estimulando a busca por outros destinos para as exportações brasileiras”, afirmou.
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Segundo o economista, o Brasil já vem ampliando sua presença em mercados da Ásia, especialmente na China, ainda que isso exija concessões de preços para conquistar novos compradores.
“Essa tendência de redução da participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro deve se intensificar. As políticas comerciais adotadas por Trump acabam sendo um tiro no próprio pé da economia americana”, concluiu.
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