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Presidente de Israel tenta evitar nova eleição após impasse entre Netanyahu e oposição

Publicado 28/10/2026 • 15:08 | Atualizado há 21 minutos

KEY POINTS

  • Com mais de 85% dos votos apurados, bloco de Netanyahu lidera com projeção de 53 cadeiras, mas permanece distante das 61 necessárias para governar.
  • Oposição de Gadi Eisenkot pode depender do apoio dos partidos árabes, que avançaram para uma projeção de 19 assentos no Parlamento israelense.
  • Presidente Isaac Herzog pede diálogo para evitar nova votação, enquanto possível ofensiva contra o Irã amplia a tensão política após a eleição.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, pediu nesta quarta-feira (28) que os partidos busquem uma saída negociada para o impasse eleitoral e evitem uma nova votação. A apuração das eleições de terça-feira (27) não apontava maioria para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem para a oposição liderada por Gadi Eisenkot.

Com mais de 85% das urnas apuradas, o bloco de direita de Netanyahu aparecia com projeção de 53 das 120 cadeiras do Knesset, contra 48 da oposição. Para formar um governo majoritário, são necessários 61 assentos. Os resultados finais ainda podem alterar essa distribuição.

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“Devemos fazer tudo o que pudermos, certamente depois de ontem, para evitar outra rodada de eleições”, afirmou Herzog, responsável por escolher qual líder receberá a missão de tentar formar um governo. O presidente pediu que as legendas mantenham a “mente aberta” nas negociações.

Partidos árabes ganham força nas negociações

O principal avanço eleitoral ocorreu entre os partidos árabes israelenses, cuja representação pode chegar a 19 cadeiras. O resultado reflete uma participação sem precedentes de eleitores árabes, que representam cerca de 20% da população e manifestaram insatisfação com a orientação ultranacionalista do governo e com a política para os territórios palestinos.

O líder da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, disse que os eleitores pediram uma nova liderança. “Quem quiser oferecer uma alternativa substantiva e genuína ao governo manchado de sangue de Netanyahu terá de conversar conosco”, afirmou. À AFP, porém, esclareceu que aceita cooperar para retirar Netanyahu do poder, mas não pretende integrar formalmente uma coalizão nas atuais circunstâncias, citando a guerra em Gaza e os assentamentos na Cisjordânia.

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Esse apoio externo poderia permitir a Eisenkot sustentar um governo minoritário, embora analistas duvidem de sua durabilidade. O próprio Eisenkot e a maioria de seus aliados resistem a acordos com deputados árabes. Yair Golan, líder do principal partido de esquerda, defendeu a aproximação e criticou a divisão entre votos judaicos e árabes promovida por Netanyahu.

Likud denuncia irregularidades sem apresentar provas

Durante a campanha, Netanyahu explorou o temor de participação árabe no poder para mobilizar sua base. Nesta quarta-feira, o Likud acusou as listas árabes de terem “roubado” a eleição, alegando corrupção, ameaças, violência, falsidades e uso de programas proibidos para estimular o comparecimento às urnas. O partido não apresentou evidências, mas prometeu encaminhá-las às autoridades.

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Para Gideon Rahat, cientista político da Universidade Hebraica de Jerusalém, talvez todos tenham perdido a eleição, exceto os partidos árabes. Mesmo assim, observou, ainda não está claro se eles conseguirão transformar o desempenho nas urnas em influência efetiva. Um fracasso nas negociações pode levar a semanas de impasse e a uma nova eleição.

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Enquanto não houver novo gabinete, Netanyahu continuará como primeiro-ministro interino. Herzog também é apontado como defensor de um governo de unidade, hipótese que encontra resistência de Eisenkot, que já descartou integrar uma administração com o atual premiê.

Possível ataque ao Irã agrava disputa

O impasse ocorre diante da possibilidade de uma nova ofensiva israelense contra o Irã com participação dos Estados Unidos. Netanyahu já ordenou duas campanhas contra Teerã e interrompeu a mais recente após um cessar-fogo negociado pelo presidente americano Donald Trump, acordo que deixou de vigorar.

Na reta final da campanha, Netanyahu voltou a pedir a derrubada do governo iraniano. Reportagens, negadas por ele, indicaram resistência de comandantes militares a uma ação antes da eleição. Trump declarou que Washington não negocia mais com o Irã, mas descartou um ataque antes das eleições legislativas americanas da próxima terça-feira (3).

Em um comício, Netanyahu afirmou que Israel tem uma “oportunidade única” com Trump para “eliminar para sempre a ameaça existencial do Irã”. Eisenkot, por sua vez, advertiu as autoridades de segurança para que não permitam a sobreposição dos interesses políticos do premiê aos interesses nacionais. “Netanyahu, não ouse usar a segurança de Israel para suas necessidades políticas”, declarou.

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O ministro da Defesa, Israel Katz, reagiu nesta quarta-feira e classificou a declaração de Eisenkot como “antidemocrática e desconectada da realidade”. Uma escalada militar contra o Irã pode intensificar a pressão por um acordo político interno, mesmo diante da recusa pública da oposição em governar com Netanyahu.

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