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Protestos podem levar Milei à mais grave crise desde início do governo
Publicado 06/08/2026 • 21:25 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 06/08/2026 • 21:25 | Atualizado há 2 horas
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Os protestos em Buenos Aires podem abrir a crise política mais grave enfrentada pelo presidente Javier Milei desde o início de seu governo, caso as manifestações ganhem força e se prolonguem nos próximos dias. A avaliação é de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV e de Economia da FAAP.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Vieira afirmou que as manifestações precisam ser analisadas dentro de um processo mais amplo de reformas econômicas e institucionais promovido pelo governo argentino.
“Esses protestos, mais do que talvez apenas a manifestação de setores mais à esquerda, demonstram que é um processo que deve ser negociado com a população. Sem negociação, o custo político acaba sendo mais elevado”, afirmou.
Segundo o professor, as medidas adotadas por Milei têm como objetivo reanimar a economia argentina a partir de uma agenda de orientação liberal, mas vêm acompanhadas de elevado custo social.
“Os indicadores econômicos demonstram uma realidade muito distinta daquela que o Milei gosta de vender, de que haveria ali um ajuste sem dores ou que as dores deste ajuste acabem por compensar os ganhos”, disse.
Vieira destacou que a resistência às medidas não está concentrada apenas na oposição.
Segundo ele, propostas debatidas pelo governo, incluindo mudanças relacionadas à compra de terras por estrangeiros, encontraram resistência em setores da própria base presidencial.
“Não há pontos de concordância mesmo na base do atual presidente”, afirmou.
Na avaliação do professor, partidos e grupos de centro-direita que apoiam o governo podem atuar para moderar partes da agenda mais identificadas com a ala libertária de Milei.
“A sua própria base mais moderada também se aproveita para frear reformas tão profundas e que têm um custo social muito elevado”, disse.
Perguntado sobre o peso do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas reformas, Vieira afirmou que parte da agenda segue a orientação tradicional dos programas negociados com o organismo, especialmente na área econômica.
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Siga o Times | CNBCEle ponderou, porém, que algumas propostas refletem mais diretamente as escolhas políticas do próprio presidente argentino.
“Ao meu ver, é muito mais uma perspectiva do Milei por si só. Os instrumentos escolhidos, como reforma do Banco Central e essa própria questão da Lei de Terras, são muito mais algo da agenda do Milei”, afirmou.
Para Vieira, seria possível buscar um ajuste fiscal com maior negociação política e medidas voltadas a reduzir os impactos sobre a população.
Vieira evitou afirmar que as manifestações desta quarta-feira representam um ponto de ruptura para o governo.
“É muito difícil dizer se Milei encontra nessas manifestações hoje um ponto de não retorno. Vai depender, claro, da continuidade desse movimento nos próximos dias”, disse.
O professor lembrou que a Argentina possui histórico de mobilizações sociais em momentos de forte ajuste econômico, mas ressaltou que o atual cenário ainda está distante de episódios mais graves vividos pelo país no passado.
“A gente tem aqui algo muito distante daquela situação, gostaria de deixar claro”, afirmou.
Ainda assim, segundo Vieira, a dimensão que os protestos assumirem poderá determinar o grau de pressão política sobre o governo.
“É interessante ver como esse movimento, se vai se consolidar ou não nos próximos dias, pode ser algo que leve Milei a enfrentar a sua crise mais grave desde o começo do seu governo”, disse.
Na avaliação do professor, Milei pode ter interpretado como um respaldo amplo demais o resultado das últimas eleições legislativas e agora precisará ampliar o diálogo tanto com setores moderados de sua base quanto com a oposição.
“É necessário agora buscar um equilíbrio que passa por negociar com a sua própria base, mais de centro-direita, e, claro, conversar, dialogar com a oposição”, afirmou.
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