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Com shutdown, governo dos EUA começa a fechar operações de serviços federais; paralisação preocupa o mundo e o Brasil
Publicado 30/09/2025 • 07:31 | Atualizado há 12 meses
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Publicado 30/09/2025 • 07:31 | Atualizado há 12 meses
KEY POINTS
O governo dos EUA começa nesta quarta-feira (1°) a fechar operações de serviços não essenciais após o fracasso nas negociações entre o Congresso e o presidente Donald Trump para elaboração do orçamento federal. O prazo final para definir a questão era 30 de setembro.
A partir de hoje, o país enfrenta o chamado shutdown, termo que se refere à paralisação parcial das atividades públicas não essenciais por falta de recursos, o que afeta desde agências federais até o pagamento de servidores considerados não prioritários. Este é o primeiro shutdown desde 2017, quando houve a paralisação mais longa da história: 35 dias.
O impasse é devido à lei Anti-Deficiência, de 1884, que define que o governo só pode gastar acima do limite autorizado com a aprovação do Congresso. Assim, todo anoé preciso aprovar leis que viabilizem o funcionamento do governo e, se não houver acordo, são autorizadas prorrogações dos prazos até que haja consenso.
O shutdonw pode provocar a perda de milhares de empregos do governo. Os primeiros efeitos seriam a não divulgação do relatório de emprego de setembro e prejuízos no funcionamento do tráfego aéreo. Também podem ocorrer suspensão de pesquisas científicas e atraso no pagamento das tropas americanas no país e pelo mundo.
Na Câmara dos Representantes, uma extensão temporária já foi aprovada, permitindo a continuidade dos gastos até novembro. No Senado, porém, a prorrogação foi rejeitada por 55 votos a 45.
O impasse está nas prioridades orçamentárias. Pressionados pela ala mais conservadora, republicanos defendem cortes mais profundos em programas sociais e redução geral das despesas, alegando que o déficit segue em trajetória insustentável. Democratas, por sua vez, defendem a manutenção de investimentos em saúde, educação e infraestrutura, argumentando que os cortes propostos afetariam milhões de famílias.
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Dois episódios recentes ajudam a entender os efeitos de uma paralisação. Em 2013, o shutdown durou 16 dias; entre 2018 e 2019, chegou a 35 dias, o mais longo da história. Nesses períodos, os juros de curto prazo subiram, refletindo a incerteza política, enquanto os juros longos recuaram pela busca de ativos seguros, movimento conhecido como flight to quality.
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Siga o Times | CNBCO Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estimou que o shutdown de 2018–2019 retirou US$ 11 bilhões do PIB, dos quais US$ 3 bilhões não foram recuperados, por conta de salários atrasados e serviços suspensos.
Para o economista André Perfeito, os movimentos de mercado devem repetir o padrão histórico: pressão nos juros curtos e queda dos longos. Ele observa que os títulos de 30 anos dos EUA já apresentaram recuo nos últimos dias, reflexo da demanda por segurança.
Segundo ele, esse cenário pode beneficiar o Brasil. “A queda dos juros longos americanos melhora o diferencial em direção ao Brasil. Mesmo com a incerteza, há espaço para o real buscar romper o suporte de R$ 5,30”, afirma.
Com a suspensão dos dados econômicos durante o shutdown, o Federal Reserve perde visibilidade para calibrar suas decisões de juros, aumentando a volatilidade no curto prazo.
No Brasil, analistas projetam três canais principais de impacto:
Uma aprovação rápida de extensão no Congresso tende a reduzir os efeitos iniciais nos mercados. Já um shutdown prolongado, como o de 2018–2019, pode gerar perdas de PIB, aumentar a pressão política e manter os investidores em busca de proteção por mais tempo.
Para o Brasil, a evolução das negociações em Washington será determinante para definir o comportamento dos juros, da bolsa e do câmbio nas próximas semanas.
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