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Tarifa dos EUA muda jogo do café e Brasil ganha vantagem
Publicado 23/02/2026 • 13:09 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 23/02/2026 • 13:09 | Atualizado há 3 meses
A nova tarifa global de 15% imposta pelos Estados Unidos redesenha o comércio internacional, mas, no caso do café, o impacto tende a ser mais equilibrado para o Brasil. Isso porque o produto segue com alíquota zero no mercado americano, preservando a competitividade frente a outros países exportadores.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Pavel Cardoso, a principal questão para o setor é a previsibilidade. “Essa decisão vai em linha com o que o setor espera, que é previsibilidade, isonomia e regras claras para que o setor privado consiga fazer seu planejamento”, afirmou.
Segundo ele, o cenário recente de mudanças frequentes nas tarifas trouxe instabilidade e perdas relevantes para os exportadores brasileiros.
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A adoção de uma tarifa uniforme de 15% estabelece um novo padrão no comércio internacional. Na prática, todos os países passam a operar sob regras semelhantes, o que reduz distorções competitivas.
Para o café brasileiro, o cenário é mais favorável porque o produto permanece isento. A exceção é o café solúvel, que agora passa a ter tarifa de 15%, abaixo de níveis anteriores.
“Com essa tarifa, o solúvel brasileiro volta a ficar mais competitivo, porque outros países passam a ter a mesma alíquota”, explicou Pavel.
Ainda assim, o setor vê o ambiente com cautela. A sequência de mudanças, com tarifas sendo impostas, suspensas e reformuladas, aumentou a volatilidade e dificultou o planejamento.
O impacto recente foi significativo. “Foram mais de 400 milhões de dólares que deixaram de ser exportados para os Estados Unidos em poucos meses”, disse.
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A relação entre Brasil e Estados Unidos no setor de café é histórica e estratégica. Os americanos importam café brasileiro há mais de 200 anos, e o produto representa cerca de 34% do consumo no país.
Além disso, aproximadamente 76% dos americanos consomem café diariamente, o que torna qualquer alteração de preço ou oferta um fator sensível.
“O café brasileiro é determinante para os blends das indústrias americanas. Qualquer mudança impacta não só preço, mas também o perfil do produto consumido lá”, afirmou o presidente da ABIC.
Ele também destacou o peso econômico e cultural do produto. “Café não é só um item de consumo. Ele tem um papel cultural e econômico relevante em qualquer país”, disse.
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No Brasil, o preço do café está mais ligado à oferta global do que às tarifas americanas. Nos últimos anos, eventos climáticos reduziram a produção e pressionaram os estoques.
Segundo Pavel, o mercado vive um desequilíbrio desde 2021. “Nós temos um descasamento entre produção e consumo global, o que reduziu os estoques e aumentou a volatilidade”, explicou.
A expectativa é de melhora com a próxima safra. “Estamos projetando uma safra positiva, o que pode trazer menos volatilidade e algum alívio de preços no segundo semestre”, afirmou.
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Seguir no GoogleAinda assim, o cenário segue sensível. Estoques baixos significam que qualquer evento climático pode gerar novas oscilações.
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O setor projeta um ano mais estável, com maior produção e retomada das exportações. O Brasil segue como líder global, responsável por cerca de 40% da produção mundial de café.
No mercado interno, o consumo permanece elevado. O café está presente em 98% dos lares brasileiros, com cerca de 21,5 milhões de sacas consumidas por ano.
Mesmo com a alta de preços recente, o produto mantém forte demanda. “O brasileiro não abre mão do café. Ele é resiliente na mesa do país”, destacou Pavel.
Para a indústria, o foco segue na qualidade e no crescimento sustentável. “O Brasil avançou muito não só em volume, mas em qualidade e certificação. Hoje entregamos um produto cada vez melhor para o consumidor”, disse.
No cenário atual, a tarifa global dos Estados Unidos não elimina as incertezas, mas mantém um ponto central para o setor. Competitividade preservada e espaço para negociação, em um mercado onde estabilidade é tão importante quanto preço.
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