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EXCLUSIVO: Estudo traça mapa da hemorragia setorial e regional causada pelo tarifaço

Publicado 19/07/2026 • 20:00 | Atualizado há 8 horas

KEY POINTS

  • Setor madeireiro tem 83% de exposição ao tarifaço, a maior entre todas as indústrias mapeadas.
  • São Paulo e Santa Catarina concentram 52% de todo o impacto do tarifaço mais recente.
  • Ceará tem 96,5% das exportações ao mercado americano vindas da indústria, com Pecém à frente.
tarifaço Exportações de madeira recuam com impacto direto das tarifas dos EUA

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Exportações de madeira recuam com impacto direto das tarifas dos EUA

O tarifaço americano vai afetar a economia do Brasil de uma forma bastante desigual. Não é o país inteiro que irá sangrar, é uma fila específica de setores e estados que dependem muito de um único comprador, que decidiu fechar a porta de uma hora para outra.

À frente dessa fila está a madeira, com 83% de exposição, a maior entre todas as indústrias mapeadas. É o que mostra estudo do IBEVAR – FIA Business School, através do núcleo LabFin-Provar, divulgado em primeira-mão ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC em julho de 2026.

O levantamento cruza dados da CNI e traça uma matriz que revela onde exatamente o choque bate mais forte, não só por setor, mas por território. As exportações diretamente atingidas somam US$ 11 bilhões, o equivalente a R$ 76 bilhões, entre 0,5 e 0,6 ponto percentual do PIB projetado para 2026. 

Só que no setor madeireiro, a perda chega a US$ 1,2 bilhão, o que representa metade de toda a produção do segmento.

Leia também: EXCLUSIVO: Tarifaço abre rombo fiscal duplo e empurra dívida a 83% do PIB em 2026, mostra estudo

Fonte: IBEVAR – FIA Business School – Elaboração: Times Brasil | CNBC

Setores na linha de frente do tarifaço

Atrás do madeireiro, aparecem minerais não metálicos, com 56,3% de exposição, produtos químicos, com 51,8%, e alimentos, com 38,1%.

O estudo também aponta alta dependência do mercado americano, sem isenção tarifária, em setores como Embraer, calçados, têxteis, móveis e máquinas.

No caso da Embraer, o levantamento projeta perdas de R$ 20 bilhões até 2030 apenas em decorrência do tarifaço, um indicativo de que o efeito setorial se estende além do curto prazo.

No segmento de bens de capital e máquinas, análise do banco Safra aponta que a WEG enfrenta impacto tarifário de cerca de 1,4% da receita consolidada com a nova alíquota, embora o histórico de repasse de custos ao mercado americano possa amortecer a pressão sobre margens. Já a Frasle, do setor de autopeças, sofre efeito mais moderado, uma vez que a tarifa de 25% não é cumulativa com sobretaxas já aplicadas sob outro mecanismo comercial dos Estados Unidos.

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No setor calçadista, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados projeta retração média de 3,6% nas exportações totais até o fim de 2026, cenário que se soma à avaliação da entidade de que a nova tarifa reduz a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e reverte parte da retomada observada após o fim de uma sobretaxa anterior, encerrada em fevereiro.

Do lado têxtil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção também soma preocupação, apontando efeitos negativos sobre produção, emprego e integração das cadeias produtivas do setor.

Fonte: IBEVAR – FIA Business School – Elaboração: Times Brasil | CNBC

Três estados concentram mais da metade do impacto

De acordo com o estudo do IBEVAR – FIA Business School, São Paulo e Santa Catarina concentram 52% de todo o impacto do tarifaço mais recente. Santa Catarina é o caso mais extremo do levantamento, com 68% de suas exportações aos Estados Unidos dentro da lista de produtos afetados.

Já o Ceará se destaca por outro motivo. O estado tem 96,5% das exportações ao mercado americano vindas da indústria, segundo o estudo, com o polo de Pecém respondendo sozinho por US$ 441,3 milhões. Assim, a exposição cearense está menos ligada ao volume total exportado e mais à dependência quase integral do setor industrial local.

Leia também: Crise de estoque de açúcar nos EUA expõe impacto do tarifaço contra o Brasil

Resposta do governo é considerada insuficiente

Diante desse mapa de exposição, o estudo do IBEVAR – FIA Business School cita o plano da ApexBrasil de R$ 130 milhões para diversificação de mercados como estatisticamente irrelevante frente à magnitude do choque identificado. A diferença de escala entre o programa de diversificação e os US$ 11 bilhões afetados ilustra o descompasso entre a resposta disponível e o tamanho do problema mapeado.

Assim, o levantamento conecta o tarifaço setorial ao risco fiscal do país por meio de sete perguntas que vão da exportação perdida até o impacto sobre economias regionais inteiras, segundo o estudo do IBEVAR – FIA Business School.

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