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Origem de relatórios sobre André Mendonça gera desconfiança entre ministros e aumenta tensão nos bastidores do STF

Publicado 04/09/2026 • 08:06 | Atualizado há 15 minutos

KEY POINTS

  • Ministros do STF levantaram dúvidas sobre a possibilidade de a Polícia Federal ter produzido relatórios sobre André Mendonça e seu gabinete fora dos procedimentos regulares.
  • Documentos mencionados em decisão de Alexandre de Moraes apontam possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça, mas as acusações não estão comprovadas.
  • Nos bastidores da Corte, há quem associe o desgaste de Mendonça à sua atuação como relator de investigações relacionadas ao Banco Master, enquanto cresce também a discussão sobre delegados da PF lotados em gabinetes do Supremo.

STF

Uma suspeita de que a Polícia Federal teria produzido relatórios de forma irregular sobre o ministro André Mendonça e integrantes de seu gabinete elevou a tensão nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). A hipótese é discutida por ministros da Corte.

As dúvidas surgiram em meio a um inquérito aberto para apurar o vazamento de mensagens envolvendo a lobista Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pessoas próximas ao Palácio do Planalto. A apuração foi instaurada após pedido da defesa de Lulinha.

No Supremo, a preocupação ganhou força depois que vieram à tona referências a relatórios de inteligência com informações relacionadas à atuação de Mendonça. A existência desse material provocou questionamentos internos sobre sua origem, a forma como os dados foram obtidos e se houve alguma apuração sobre um integrante da própria Corte fora dos procedimentos previstos para esse tipo de investigação.

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Segundo a coluna Radar, da Veja, um ministro do STF afirmou, sob anonimato, acreditar que o gabinete de Mendonça deveria estar atento à situação. A mesma fonte avalia que pode existir uma tentativa de enfraquecer politicamente e institucionalmente o magistrado, responsável por investigações relacionadas ao Banco Master.

Relatórios aumentam desconfiança

O episódio ganhou uma nova dimensão a partir de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, informações para análise de possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça. O documento faz referência a relatórios de inteligência que apontariam, em tese, condutas passíveis de enquadramento em diferentes normas.

Entre as suspeitas descritas nesses documentos estão eventual quebra de imparcialidade e possível favorecimento político na condução de procedimentos sob responsabilidade de Mendonça, incluindo investigações ligadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero.

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As referências envolvem possíveis infrações relacionadas a improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade.

A existência dos relatórios, porém, não significa que as acusações contra Mendonça estejam comprovadas. Da mesma forma, a menção a esses documentos não permite concluir, por si só, que a Polícia Federal tenha conduzido uma investigação ilegal. Nos bastidores do Supremo, contudo, ministros interpretaram o episódio como um sinal de que informações sobre a atuação do magistrado podem ter sido reunidas sem o rito que consideram adequado.

O caso também se mistura às disputas internas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Mendonça é relator de apurações ligadas ao caso, que provocaram divergências dentro do tribunal. Uma das interpretações relatadas por integrantes da Corte é que o desgaste do ministro poderia interferir na condução dessas investigações. Trata-se, no entanto, de uma avaliação de bastidor, e não de uma motivação oficialmente demonstrada.

Delegados nos gabinetes entram no debate

Outro ponto de atrito é a presença de delegados da Polícia Federal trabalhando em gabinetes de ministros do Supremo. Mendonça conta com profissionais oriundos da corporação em sua equipe, situação que passou a receber maior atenção em meio à crise.

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Também circulou entre integrantes do tribunal a informação de que Fachin teria recebido recomendações do ministro Gilmar Mendes para rever a presença desses servidores nos gabinetes dos ministros. A discussão amplia o alcance do episódio porque envolve não apenas a situação específica de Mendonça, mas a relação institucional entre a Polícia Federal e o Supremo.

O presidente Lula já criticou publicamente a existência de delegados atuando fora da estrutura da própria PF, declaração que gerou tensão com Mendonça. Segundo os relatos apresentados, integrantes do governo atuaram posteriormente para evitar que o episódio se transformasse em uma crise institucional mais ampla.

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