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Tarifas dos EUA ameaçam indústria capixaba e reforçam busca por novos mercados

Publicado 17/07/2026 • 14:02 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • Estados Unidos seguem como principal parceiro comercial do Espírito Santo, apesar da queda nas exportações.
  • Cerca de 500 produtos capixabas foram atingidos pelas novas tarifas, o equivalente a US$ 240 milhões em exportações.
  • Findes aposta na negociação com empresários americanos para reduzir impactos e evitar novas sobretaxas.

A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos amplia a insegurança para a indústria do Espírito Santo e reforça a necessidade de diversificar mercados de exportação, afirmou Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), em entrevista nesta sexta-feira (17) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, embora o setor já esperasse novas medidas comerciais, o ambiente de incerteza tem dificultado o planejamento das empresas. “Essa situação que tem acontecido, especialmente do último ano para cá, gera de fato uma insegurança muito grande no comércio internacional entre o Espírito Santo, o Brasil e os Estados Unidos. Nós estávamos à espera de algo não tão pesado, mas também não é surpresa o que aconteceu“, afirmou.

“Por isso, cada vez mais a nossa federação, junto com a CNI e com o presidente Ricardo Alban, intensifica a interação com os empresários americanos, porque entendemos que essa é uma discussão de comércio internacional.”

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Baraona explicou que o impacto direto sobre a economia capixaba já é significativo. “Mais ou menos 500 produtos foram taxados aqui no Espírito Santo. Isso equivale a cerca de US$ 240 milhões (R$ 1,23 bilhão), em torno de quase 9% das exportações“, disse. “O que mais tem sido afetado são as rochas ornamentais, o minério de ferro e os alimentos.”

Diversificação de mercados

O presidente da Findes afirmou que a queda nas exportações para os Estados Unidos já vinha sendo observada antes da nova tarifa e tende a acelerar a busca por novos compradores.

“Dos 27 estados brasileiros, 20 já diminuíram as exportações para os Estados Unidos. Aqui no Espírito Santo, devido a essa insegurança, a necessidade de procurar novos mercados tem sido premente para que as empresas não sofram esses solavancos“, afirmou.

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Segundo ele, esse processo, porém, não acontece rapidamente. “É uma missão que não é simples, é demorada. O Brasil é um grande exportador e tem muitas possibilidades, mas abrir novos mercados leva tempo“, disse.

Baraona ressaltou que o diálogo também ocorre com entidades empresariais dos Estados Unidos. “Estamos conversando com a Amcham e com a US Chamber porque, da mesma forma que o Brasil e o Espírito Santo são afetados, as empresas americanas também são prejudicadas. Nós exportamos muitos insumos e matérias-primas utilizados pela indústria deles“, afirmou.

Ele acrescentou que a estratégia é ampliar a pressão sobre o governo americano. “Estamos interagindo com os empresários americanos para que haja entendimento e também pressão sobre o governo, mostrando que essas tarifas criam problemas internos para os próprios Estados Unidos“, disse.

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Prejuízo para a indústria

Na avaliação de Baraona, os efeitos sobre a atividade industrial já começaram a aparecer.

“Nós antevemos um certo prejuízo. As empresas já estão se realinhando nas suas produções e, enquanto não conseguem novos mercados, já enfrentam dificuldades e diminuem a produção, porque hoje é impossível criar estoques“, afirmou.

Segundo ele, o cenário reforça a necessidade de fortalecer a indústria brasileira. “O Brasil precisa implementar cada vez mais a sua indústria para agregar valor à transformação da nossa matéria-prima. É sempre complexo enfrentar uma interrupção como essa justamente quando há necessidade de ampliar as exportações“, destacou.

Expectativa por negociação

O dirigente demonstrou confiança na continuidade das negociações conduzidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto a entidades empresariais americanas.

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“O presidente Ricardo Alban tem estado diretamente ligado às federações dos 27 estados exatamente para potencializar essas negociações com os empresários americanos. Entendemos que essa é uma pauta comercial e que essa pressão precisa chegar também à esfera política“, afirmou.

Sobre a investigação conduzida pelo USTR, que pode resultar em uma nova tarifa de 12,5% relacionada a denúncias de trabalho forçado, Baraona afirmou que o setor segue atuando para evitar novas sanções.

“Esperemos que haja bom senso. Não só o governo brasileiro, mas também as nossas confederações nacionais estão trabalhando muito unidas nisso, porque de fato é um absurdo essa acusação de trabalho escravo. Tem havido espaço para argumentar e trocas de informações, inclusive no campo jurídico. Esse é um ponto que poderá prejudicar ainda mais a taxação que já existe“, concluiu.

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