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Ex-embaixador defende resposta proporcional do Brasil a tarifas dos EUA e alerta para pior crise bilateral em 200 anos
Publicado 17/07/2026 • 12:31 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 17/07/2026 • 12:31 | Atualizado há 3 meses
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A resposta do Brasil às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos deve combinar firmeza e cautela para evitar uma escalada ainda maior da disputa comercial, afirmou Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil na China, Alemanha e Estados Unidos, ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, embora a Lei da Reciprocidade Econômica seja um instrumento legítimo, as medidas adotadas pelo governo brasileiro precisam ser cuidadosamente calibradas. “Não podemos deixar de fazer alguma coisa em retaliação, mas precisamos avaliar bem as consequências de cada medida que seja aventada para definir uma pauta que possa representar uma resposta concreta, ainda que não avassaladora, mas pelo menos mais do que simbólica“, afirmou.
Abdenur classificou o atual momento como o mais delicado da relação bilateral. “Com Trump, ele implodiu ou explodiu tudo isso e nós estamos no pior momento de nossas relações de 200 anos com os Estados Unidos“, disse. Segundo o diplomata, a deterioração decorre da postura adotada pelo governo americano.
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“No momento, eu diria que os Estados Unidos estão em guerra com dois países: guerra armada com o Irã e uma guerra política e econômica contra o Brasil.”
O ex-embaixador lembrou que, ao longo de sua trajetória no Itamaraty, participou de negociações complexas com Washington em temas como comércio, dívida externa, energia nuclear e tecnologia.
Segundo ele, durante os governos de Bill Clinton, Barack Obama e Joe Biden, a relação evoluiu para uma parceria mais equilibrada. “As relações Brasil e Estados Unidos passaram de adversariedade para uma parceria construtiva, mutuamente respeitosa e equilibrada“, afirmou.
Na avaliação de Abdenur, a situação mudou completamente sob a administração Trump. “O plano estratégico do governo Trump é dominar completamente a América Latina. O Brasil é o único país recalcitrante, o único país que ergue a cabeça e reage a essas pressões“, declarou.
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O diplomata também criticou as exigências comerciais feitas pelos Estados Unidos. “Trump estava exigindo do Brasil abertura total unicamente para os Estados Unidos de diversos setores da economia brasileira. Isso violaria nossos compromissos no Mercosul, no acordo Mercosul-União Europeia e na Organização Mundial do Comércio“, disse.
Para Abdenur, a adoção da Lei da Reciprocidade pode ser necessária, mas sem comprometer ainda mais a relação bilateral.
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Siga o Times | CNBC“Precisamos avaliar bem as consequências de cada medida. A grande incógnita é o que vai acontecer daqui para frente nos dois anos e meio restantes do governo Trump. Vamos ficar trocando desaforos a cada dia ou vamos sentar para dialogar?“, questionou.
Ele também fez uma distinção entre o atual conflito e disputas comerciais anteriores envolvendo a chamada Lei da Informática.
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“Olhando para trás, tenho de reconhecer que eu e o Brasil estávamos errados e, no caso, os americanos tinham razão. Mas é uma situação completamente diferente da atual, em que os americanos não têm nenhuma razão, não há fatos que justifiquem o que eles estão fazendo“, afirmou.
Ao comentar a investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre suposto trabalho forçado, que pode resultar em uma nova tarifa de 12,5%, Abdenur afirmou que o Brasil tentou negociar diversas vezes.
“Houve mais de 30 instâncias de contatos e diálogo presencial, por telefone ou videoconferência entre o presidente Lula, ministros e técnicos brasileiros com os Estados Unidos. Mas as portas se fecharam“, declarou.
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Segundo ele, “aquilo tudo foi uma embromação do lado americano para ganhar tempo e preparar esse assalto inédito ao Brasil que está acontecendo neste momento“.
O diplomata também demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). “A OMC está praticamente anulada pelos Estados Unidos. O governo Trump se caracteriza por desprezar, atacar, ignorar ou se ausentar de qualquer instituição multilateral relevante“, afirmou.
Apesar disso, Abdenur destacou a atuação das entidades empresariais durante a investigação da Seção 301. “Tanto o governo brasileiro quanto os empresários brasileiros e americanos propiciaram argumentos absolutamente incontestáveis. No entanto, isso foi deliberadamente ignorado pelo governo americano para proceder a isso que eu chamo de um assalto inédito ao Brasil nas relações de 200 anos“, concluiu.
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