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Tempo corre a favor do Irã em negociação com Trump
Publicado 01/06/2026 • 22:06 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 01/06/2026 • 22:06 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O tempo corre a favor do Irã nas negociações com os Estados Unidos, apesar da pressão do governo Donald Trump. A avaliação é de Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Brustolin, Trump enfrenta limitações políticas e legais para manter ou retomar uma guerra contra o Irã sem autorização do Congresso americano.
“Para ir para essa guerra contra o Irã, Trump usou o artigo 2º da Constituição dos Estados Unidos, que lhe confere o poder de comandante em chefe das Forças Armadas”, disse.
O professor afirmou que a justificativa americana foi a existência de uma ameaça iminente à segurança nacional, ligada à possibilidade de o Irã desenvolver uma bomba nuclear. O problema, segundo ele, é que a legislação aprovada após a Guerra do Vietnã limita a 60 dias a manutenção de uma guerra sem autorização do Congresso.
Leia também: Trump devolve proposta do Irã com mais exigências e prolonga negociações
Brustolin disse que Trump não tem apoio suficiente no Legislativo para sustentar uma escalada militar.
“Trump não tem apoio do Congresso para continuar essa guerra. Mesmo os senadores republicanos não apoiam a continuidade dessa guerra”, afirmou.
Segundo ele, a situação favorece o Irã porque o país não depende de validação parlamentar nos mesmos moldes de uma democracia ocidental. Brustolin afirmou que o regime iraniano tem baixa aprovação interna, mas ainda consegue usar a estrutura autoritária para sustentar sua posição.
“O regime ditatorial tem uma vantagem aqui, porque Trump não tem apoio do Congresso”, disse.
Brustolin afirmou que um dos principais obstáculos para um acordo definitivo está no fato de que os Estados Unidos não alcançaram seu objetivo de guerra: reduzir a capacidade iraniana de projetar poder.
Segundo ele, o fechamento ou a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz afeta a economia mundial e mostra que Teerã ainda conserva instrumentos relevantes de pressão.
“O uso da geografia do Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz, afeta a economia do mundo inteiro. Portanto, o Irã continua projetando poder”, afirmou.
O professor disse que, para cumprir integralmente os objetivos militares americanos, seria necessário avançar para incursões terrestres no Irã, algo que Trump dificilmente faria.
“Na verdade, para realizar os objetivos de guerra dos Estados Unidos, seria necessário fazer incursões terrestres no Irã, o que Trump não vai fazer”, disse.
Brustolin lembrou que Trump criticou por anos as guerras no Afeganistão e no Iraque e prometeu não colocar soldados americanos em conflitos longos.
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O programa nuclear iraniano segue como o ponto mais sensível das negociações. Segundo Brustolin, a exigência americana de limitar o enriquecimento de urânio dificulta um acordo de paz.
Ele afirmou que o Irã busca manter parte de seu estoque nuclear, incluindo urânio enriquecido a 60%, patamar acima do necessário para uso civil.
“O Irã aproveita a sua geografia para fazer pedidos que não fazia antes dessa guerra, inclusive o de manutenção do seu estoque nuclear”, afirmou.
Brustolin comparou o impasse atual ao acordo nuclear fechado em 2015, durante o governo Barack Obama. Segundo ele, o acordo limitava o enriquecimento de urânio pelo Irã a 3,67%, nível associado à produção de energia.
“O Irã só produziu esse urânio superenriquecido por conta de Trump, no primeiro mandato, ter deixado o acordo nuclear”, disse.
Para o professor, permitir que o Irã mantenha urânio enriquecido seria politicamente difícil para Trump.
“Se Trump sair dessa guerra e o Irã mantiver o seu urânio enriquecido, será considerado uma derrota para os Estados Unidos”, afirmou.
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Brustolin afirmou que o Irã também tenta incluir outras frentes nas negociações, como o sul do Líbano e o Hezbollah, grupo aliado de Teerã.
Segundo ele, o Irã quer um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah e também busca ampliar seu poder de barganha no Estreito de Ormuz.
“O Irã quer manter o seu urânio enriquecido, e isso seria inaceitável para Trump”, disse.
Para Brustolin, o impasse mostra que a negociação deixou de ser apenas sobre o programa nuclear e passou a envolver geografia, segurança regional, preço do petróleo, rotas comerciais e equilíbrio político interno nos Estados Unidos.
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