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Visita de Putin reforça China como centro da diplomacia global e aprofunda aliança estratégica com Rússia
Publicado 19/05/2026 • 22:02 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 19/05/2026 • 22:02 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
A visita do presidente russo Vladimir Putin à China poucos dias após a passagem de Donald Trump por Pequim reforça o papel central de Xi Jinping na atual reorganização geopolítica global e evidencia o aprofundamento da parceria estratégica entre chineses e russos. A avaliação é de Evandro Carvalho, professor da Universidade Politécnica de Macau, que vê a China se consolidando como epicentro das articulações diplomáticas entre as grandes potências.
“A mídia aqui na China tem apresentado essa circunstância como uma evidência de que a China, neste contexto atual, se tornou uma espécie de epicentro da diplomacia global”, afirmou, em entrevista nesta terça-feira (19) ao Fast Money, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo o professor, a chegada de Putin a Pequim logo após o encontro entre Trump e Xi Jinping chamou atenção dentro da própria China, principalmente pelo simbolismo político do momento. Ainda assim, ele ponderou que a relação entre chineses e russos não pode ser vista apenas como reação ao avanço das tensões entre China e Estados Unidos. “A relação China e Rússia é uma parceria que não é mais conjuntural. Ela tem uma convergência estratégica muito importante”, destacou.
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Evandro Carvalho ressaltou que a intensidade da relação entre os dois líderes ajuda a dimensionar a proximidade entre Moscou e Pequim. Segundo ele, esta foi a 25ª visita de Putin à China, enquanto os encontros entre os presidentes dos dois países já ultrapassaram 40 reuniões. “Isso dá a dimensão desta relação entre os dois países se comparado à relação China-Estados Unidos ou China-Reino Unido”, observou.
Na avaliação do professor, a guerra entre Rússia e Ucrânia acelerou o fortalecimento econômico entre os dois países, especialmente após as sanções impostas pelo Ocidente contra Moscou. Segundo ele, a China passou a ampliar a compra de petróleo e recursos energéticos russos em condições favoráveis, enquanto a Rússia encontrou em Pequim um parceiro estratégico para compensar parte do isolamento internacional.
“A Rússia precisava exportar em função das sanções, e a China estava interessada nesses recursos energéticos, sobretudo num bom preço”, afirmou. O especialista destacou ainda que o petróleo russo se tornou um ativo estratégico relevante para os chineses diante da instabilidade geopolítica internacional.
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Segundo Carvalho, o comércio bilateral entre os dois países já supera US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) há três anos consecutivos e segue avançando em ritmo acelerado. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o fluxo comercial atingiu cerca de US$ 61 bilhões (R$ 306,8 bilhões), crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O professor destacou que parte relevante das transações entre China e Rússia já vem sendo realizada em yuans e rublos, reduzindo a dependência do dólar no comércio bilateral. Segundo ele, esse movimento contribui para um processo gradual de desdolarização do sistema internacional. “Essa relação comercial entre eles colabora para o processo de desdolarização”, afirmou.
Apesar disso, Carvalho reconheceu que o dólar ainda mantém posição dominante no sistema financeiro global. Ainda assim, ele ressaltou que tanto China quanto Rússia vêm ampliando iniciativas voltadas à utilização de moedas nacionais em acordos comerciais e financeiros.
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Segundo o professor, a complementaridade econômica entre os dois países fortalece ainda mais a parceria. “A China é um polo econômico, tecnológico e financeiro importante, enquanto a Rússia entra com recursos energéticos e capacidade militar”, explicou.
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Seguir no GoogleNa avaliação de Evandro Carvalho, a tendência é que a relação entre China e Rússia continue se aprofundando nos próximos anos, não apenas no comércio, mas também em áreas como educação, turismo, cultura e pesquisa científica. “A relação bilateral vai ganhando outras dimensões”, observou.
O professor citou como exemplo a decisão dos dois países de transformar 2026 e 2027 no “ano China-Rússia da educação”, iniciativa voltada à ampliação da cooperação entre universidades e centros de pesquisa dos dois países. Segundo ele, isso demonstra que a parceria já ultrapassa o campo econômico e geopolítico.
Para Carvalho, o avanço das relações entre chineses e russos ocorre também em nível social e institucional, fortalecendo os vínculos de longo prazo entre os dois países. “A tendência é esta relação crescer ainda mais e se aprofundar em diversas áreas”, concluiu.
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