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Desaceleração da China acende alerta após guerra no Irã pressionar economia, diz professor do Ibmec

Publicado 18/05/2026 • 16:16 | Atualizado há 11 minutos

KEY POINTS

  • Produção industrial, varejo e investimentos chineses perderam força em abril, segundo dados divulgados após encontro entre Trump e Xi Jinping.
  • Professor afirma que conflito no Irã e dificuldades no consumo interno ampliaram desaceleração da economia chinesa.
  • Leonardo Paz Neves avalia que impacto sobre o Brasil tende a ser limitado, apesar da queda da produção industrial chinesa.

A desaceleração da economia chinesa ganhou força em abril em meio ao impacto do conflito envolvendo o Irã, à perda de ritmo do consumo interno e ao aumento das incertezas globais, segundo avaliação de Leonardo Paz Neves, professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ. Para o especialista, os dados divulgados pela China após a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping mostram que o país continua crescendo, mas em velocidade cada vez menor.

Neves concedeu entrevista ao Fast Money, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (18). “Os números continuam positivos, mas a economia está desacelerando”, afirmou o professor ao comentar os indicadores de produção industrial, vendas no varejo, investimentos urbanos e desemprego divulgados pelo governo chinês.

Segundo Leonardo Paz, a desaceleração já vinha ocorrendo gradualmente desde o ano passado, mas ganhou intensidade nos últimos meses em razão das tensões geopolíticas e dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado global de energia. “Essa queda foi mais acentuada do que o normal justamente por causa da guerra do Irã”, ressaltou.

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Petróleo e pressão econômica

Na avaliação do especialista, a dificuldade de circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz passou a afetar diretamente a economia chinesa, especialmente após meses de pressão sobre o abastecimento global.

Pelo menos 20% do petróleo do mundo está com dificuldade de passar pelo Estreito de Ormuz”, explicou.

Segundo ele, a China vinha utilizando estoques estratégicos para reduzir os impactos da crise, mas as reservas começam a diminuir, obrigando o governo a repassar parte dos custos para a economia doméstica. “O governo chinês começa a perder capacidade de manter estímulos econômicos tão fortes”, observou.

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O professor destacou ainda que empresas estrangeiras reduziram investimentos no país, adotando postura mais cautelosa diante do cenário internacional. Em contrapartida, empresas estatais ampliaram aportes em infraestrutura para evitar desaceleração mais intensa. “As empresas internacionais entraram em compasso de espera, enquanto as estatais investiram mais pesado em infraestrutura”, afirmou.

Consumo mais fraco

Leonardo Paz afirmou que a desaceleração do varejo chinês revela um comportamento mais conservador dos consumidores diante da piora das perspectivas econômicas.

Segundo ele, os chineses passaram a priorizar compras menores e evitar gastos que exigem crédito de longo prazo. “O que cresceu foram pequenos upgrades tecnológicos, como celulares e equipamentos simples”, explicou.

Por outro lado, setores ligados a bens duráveis perderam força. “Carros e geladeiras tiveram forte desaceleração porque exigem maior comprometimento financeiro”, destacou.

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O professor afirmou que existe hoje um ambiente de maior cautela dentro da economia chinesa. “Há um sentimento de pessimismo e de preservação de renda entre os consumidores”, observou.

Ele lembrou ainda que o sistema previdenciário chinês oferece menos proteção social do que em países ocidentais, aumentando a tendência de famílias reduzirem gastos em momentos de incerteza. “Eles não têm um sistema previdenciário que ofereça a mesma segurança que existe no Brasil”, ressaltou.

Encontro entre Trump e Xi

Apesar da sinalização positiva após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, Leonardo Paz avalia que ainda não existem medidas concretas capazes de alterar rapidamente o cenário econômico chinês. “A visita foi boa para distensionar a relação entre os dois países”, afirmou.

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Segundo ele, o anúncio feito por Trump sobre uma possível venda de 200 aviões da Boeing para a China ainda carece de confirmações oficiais mais detalhadas. “Ainda não está claro o que realmente vai se destravar em termos de negócios”, pontuou.

O professor destacou também que integrantes do governo americano mencionaram possíveis avanços em acordos ligados à agricultura e à soja, mas até o momento não houve confirmação pública por parte do governo chinês.

Para Leonardo Paz, a principal prioridade geopolítica tanto de Washington quanto de Pequim neste momento é buscar estabilidade no Oriente Médio. “A grande meta dos dois países agora é encerrar o conflito com o Irã o mais rápido possível”, afirmou.

Impacto no Brasil

Mesmo com a queda da produção industrial chinesa, o especialista acredita que os efeitos sobre o Brasil tendem a ser limitados no curto prazo.

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Segundo ele, muitos países, inclusive o Brasil, convivem atualmente com excesso de capacidade produtiva chinesa e competição crescente de produtos exportados pelo país asiático. “Boa parte do mundo quer que a China produza um pouco menos”, observou.

Leonardo Paz afirmou que parte relevante da desaceleração ocorreu na indústria automobilística chinesa, após meses seguidos de forte crescimento nas vendas de veículos. “Pela primeira vez em muito tempo houve queda na compra de carros na China”, destacou.

Ainda assim, ele avalia que o mercado brasileiro deve sofrer pouco impacto porque montadoras chinesas estão ampliando produção local no Brasil. “Várias fabricantes chinesas já começaram ou vão começar a produzir no Brasil este ano”, explicou.

Segundo o professor, mudanças tributárias adotadas pelo governo federal também incentivaram a instalação de fábricas chinesas no país. Ele citou casos de montadoras que passaram a assumir operações industriais já existentes no Brasil, além da expansão da BYD em Camaçari. “Esse decréscimo da China não deve impactar severamente o Brasil”, concluiu.

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