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Volatilidade do petróleo: por que o mercado ainda não confia na paz no Oriente Médio
Publicado 02/07/2026 • 21:09 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 02/07/2026 • 21:09 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O escoamento do petróleo no Estreito de Ormuz segue cercado de incertezas, enquanto a retomada parcial da navegação continua sendo acompanhada de perto por investidores. O que motiva essa falta de confiança são as negociações entre Estados Unidos e Irã, realizadas no Catar, que terminaram sem avanços concretos.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Bruna Allemann, head da Mesa Internacional da Nomos, afirmou que a recente movimentação dos preços do petróleo reflete o comportamento antecipatório dos mercados. Segundo ela, após o Brent recuar para a faixa dos US$ 70 e voltar a subir para cerca de US$ 73 por barril, o movimento demonstra que boa parte do risco geopolítico envolvendo o Oriente Médio já havia sido incorporada aos preços anteriormente.
“O petróleo, na verdade, é devolução de prêmio. Então já estava sendo cotado. O risco de tudo isso que está acontecendo já estava sendo cotado anteriormente e geralmente ele reage no curtíssimo prazo”, afirma.
Para a especialista, esse movimento reflete a diferença de velocidade entre o mercado financeiro — que opera na base da confiança e reage rapidamente a notícias — e o mercado físico, que envolve navios, seguradoras, operadores logísticos e refinarias e demanda semanas, ou até meses, para validar se uma rota como a de Ormuz voltará a ser efetivamente segura.
A estabilização do Brent nessa faixa de preço não deve ser interpretada como sinal de resolução da crise, afirma Bruna Allemann. Mas sim ao fato de o mercado se acostumar com a tensão persistente na região.
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Siga o Times | CNBCNa análise dela, o principal fator que impede uma queda mais consistente do preço não é a reabertura da rota em si, mas a disputa em torno de quem controlará o estreito de Ormuz no futuro. “O Irã mesmo já trouxe que pelo menos para voltar ao normal, pra gente pensar naquela precificação normal do petróleo, ainda demora”, diz.
Sobre os impactos da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da ameaça de saída do Iraque, que é outro grande player na produção de petróleo, a especialista pondera que o efeito direto sobre o preço é secundário diante de uma disputa de poder mais ampla. Segundo ela, esses movimentos se somam a outras tensões, como as relações entre Estados Unidos e China e as políticas tarifárias globais.
Para Bruna Allemann, o mercado ainda não consegue precificar com precisão fatores diplomáticos, jurídicos e até religiosos envolvidos nessa disputa, mas já começa a desenhar cenários futuros.
“Eu diria que a gente não pode olhar no curtíssimo prazo a manchete para poder olhar as oportunidades de investimento. E no longo prazo perceber que a inflação vai continuar pressionada em todos os países por conta do peso disso”, finaliza.
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