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Xi Jinping visita a Coreia do Norte após sete anos para fortalecer influência chinesa sobre Kim Jong Un

Publicado 08/06/2026 • 07:21 | Atualizado há 6 horas

KEY POINTS

  • A Coreia do Norte pode aproveitar a cúpula para pressionar por concessões econômicas e, potencialmente, até pelo “reconhecimento tácito” de seu status nuclear por parte de Pequim, afirmam analistas.
  • A China deve buscar o alinhamento de Pyongyang em relação a Taiwan e fazer frente ao que considera uma postura de defesa cada vez mais assertiva do Japão.
  • A viagem marca a primeira visita internacional de Xi em sete meses, após o líder chinês reduzir suas viagens ao exterior.

Reuters

Imagem de arquivo, O líder norte-coreano Kim Jong Un aperta a mão do presidente chinês Xi Jinping enquanto participam de um desfile militar que marca o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, em Pequim, China, em 3 de setembro de 2025, nesta foto divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia.

A visita do presidente da China, Xi Jinping, a Pyongyang, capital da Coreia do Norte, está programada para começar nesta segunda-feira, em um momento em que Pequim busca testar sua influência sobre um vizinho cada vez mais inserido na órbita da Rússia.

A viagem de dois dias será a primeira de Xi à Coreia do Norte em quase sete anos. O presidente chinês deve se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

Leia também: Irmã de Kim Jong Un defende programa nuclear da Coreia do Norte como ‘ponto de não-retorno’

Em um artigo publicado no jornal estatal norte-coreano antes de sua chegada, Xi prometeu uma amizade “inabalável” e afirmou que pretende aprofundar a cooperação bilateral em diversas áreas, incluindo a militar.

“A Coreia do Norte tem hoje mais poder de barganha em relação à China do que tinha em junho de 2019, quando Xi visitou Pyongyang pela última vez”, afirmou Rachel Minyoung Lee, pesquisadora sênior do Programa da Coreia do Stimson Center. Ela citou o aprofundamento dos laços militares com Moscou, os avanços do programa nuclear norte-coreano e a melhora da economia do país nos últimos anos.

Segundo Lee, a Coreia do Norte deve aproveitar a cúpula para pressionar por concessões econômicas e possivelmente até buscar o reconhecimento tácito de seu status nuclear por parte de Pequim — algo que, segundo ela, a Rússia já teria aceitado de forma privada.

A China se opôs publicamente aos testes nucleares de Pyongyang no passado, mas sua posição atual é ambígua, e “os norte-coreanos parecem determinados a esclarecer essa questão durante a visita de Xi”, disse.

Kim tem buscado estreitar os laços militares e comerciais com Moscou, enviando tropas para lutar na guerra da Ucrânia enquanto continua expandindo suas capacidades nucleares, desafiando as sanções das Nações Unidas. Segundo analistas, essa parceria deu a Pyongyang uma nova capacidade de negociação.

“Xi quer contrabalançar toda a influência russa sobre a Coreia do Norte resultante da cooperação militar entre os dois países na guerra na Europa”, afirmou Victor Cha, presidente do departamento de geopolítica e política externa do Center for Strategic and International Studies. “A China não gosta que ninguém tenha mais influência sobre Pyongyang do que ela.”

Os dois líderes se encontraram pela última vez em setembro, quando Kim visitou Pequim para participar de um desfile militar chinês ao lado de outros líderes estrangeiros, incluindo o presidente russo, Vladimir Putin.

A viagem será a primeira visita internacional de Xi neste ano, após o líder chinês reduzir seus deslocamentos ao exterior depois da pandemia e passar a receber chefes de Estado em Pequim.

Para Pequim, a China provavelmente buscará alinhar Pyongyang às suas posições sobre Taiwan e fazer frente ao que considera uma postura de defesa cada vez mais assertiva do Japão, afirmou Lee. Ela acrescentou que administrar os riscos de escalada na Península Coreana também é um objetivo central da visita.

Antes da chegada de Xi, a Coreia do Norte revelou uma nova instalação para enriquecimento de urânio. Na ocasião, Kim anunciou planos para fortalecer as forças nucleares do país “em ritmo exponencial”, sinalizando a ambição de consolidar o status norte-coreano como potência nuclear.

Times Brasil - CNBC

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“O fato de Xi ter decidido fazer sua primeira viagem internacional de 2026 à Coreia do Norte reflete a importância que Pequim atribui ao esforço de fortalecer os laços bilaterais”, disse William Yang, analista sênior para o Nordeste Asiático do Crisis Group.

Alguns analistas acreditam que Xi também pode levar uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já sinalizou disposição para retomar a diplomacia com Kim. A Coreia do Norte, porém, insiste que Washington abandone a exigência de desnuclearização como condição prévia para qualquer negociação.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul afirmou na sexta-feira que espera que a visita de Xi “desempenhe um papel construtivo na resolução de questões relacionadas à Península Coreana”. Já o ministro da Unificação sul-coreano, Chung Dong-young, declarou no mês passado que uma possível cúpula entre Pyongyang e Washington pode estar entre os temas discutidos no encontro desta semana.

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