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Corinthians acertou ao não renovar com Memphis, mas contratação deixou dívida

Publicado 12/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Amir Somoggi avalia que o Corinthians acertou ao não renovar com Memphis Depay diante da situação financeira do clube.
  • Para o diretor da Sports Value, a contratação do atacante criou uma nova dívida e aumentou a pressão sobre as finanças corintianas.
  • Somoggi afirma que o clube precisa de uma reestruturação profunda e cita redução de gastos e uma possível SAF entre os caminhos para reorganizar as contas.

A decisão do Corinthians de não renovar o contrato de Memphis Depay foi correta diante da situação financeira do clube, mas a contratação do atacante deixou um novo passivo a ser administrado. A avaliação é de Amir Somoggi, diretor da Sports Value, em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Somoggi, o problema não está apenas nos valores ainda devidos ao jogador, mas no fato de o Corinthians ter assumido um compromisso incompatível com sua capacidade financeira.

“Nesse momento ele toma a decisão correta, mas, como você bem salientou, ele já tem um passivo novo que antes da contratação do Memphis ele não tinha”, afirmou.

O diretor da Sports Value avalia que o clube vem gastando acima de suas possibilidades há anos, enquanto acumula dívidas relacionadas ao estádio, obrigações trabalhistas e compromissos com jogadores.

Leia também: Corinthians desiste de renovação com Memphis Depay por pressão financeira

Contratação não deveria ter ocorrido

Para Somoggi, embora Memphis tenha qualidade técnica e possa ter gerado repercussão nas redes sociais, os custos envolvidos na contratação não se justificavam diante da situação financeira do Corinthians.

Na avaliação dele, não renovar ajuda a interromper a criação de novos compromissos com o atacante, embora o clube continue responsável pelo passivo já acumulado.

“A ideia do Corinthians, na minha opinião, nesse momento, é estancar essa sangria, porque não é simplesmente salário”, disse.

Somoggi também questiona o retorno esportivo e comercial obtido com Memphis diante do custo da operação. Para ele, o atacante não entregou desempenho proporcional ao investimento feito pelo clube.

O problema, segundo o especialista, começou antes mesmo da discussão sobre a renovação.

“Como eu falei no início, nem deveria ter sido contratado. O Corinthians precisa passar por um choque de gestão brutal”, afirmou.

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Dívida com Memphis permanece

Mesmo sem a renovação, o Corinthians continua responsável pelos valores já devidos ao jogador.

Somoggi afirma que Memphis se tornou mais um credor relevante do clube e avalia que os valores envolvidos ainda podem aumentar em uma eventual disputa trabalhista.

O diretor da Sports Value também trata com cautela a possibilidade de Memphis questionar judicialmente uma renovação que não chegou a ser assinada. Ele ressalta que não é advogado e considera que a questão mais concreta está na cobrança dos valores já devidos pelo Corinthians ao jogador.

Corinthians precisa reestruturar finanças

Para Somoggi, o caso de Memphis é parte de um problema financeiro mais amplo. O Corinthians precisa reduzir gastos de forma significativa e reorganizar suas finanças para evitar a criação de novos passivos.

O especialista afirma que a dívida do clube pode se aproximar de R$ 3 bilhões neste ano e cita prejuízo superior a R$ 325 milhões nos dois últimos exercícios.

Entre as alternativas, Somoggi menciona um processo de ajuste de longo prazo, com forte redução de despesas, ou a transformação do clube em SAF com entrada de novos investidores.

Ele afirma não acreditar no modelo em discussão no qual torcedores se tornariam acionistas. Para Somoggi, uma eventual SAF precisaria reunir executivos e empresários capazes de recuperar a credibilidade da gestão e atrair capital.

“Me parece que a única saída para o Corinthians é encontrar um perfil de executivo, de empresário, que possa tirar esses políticos do poder e, com credibilidade, atrair capital, vender o controle do clube”, afirmou.

Na avaliação do diretor da Sports Value, uma solução desse porte também dependeria de mudanças internas no Corinthians, incluindo questões estatutárias e um acordo entre as diferentes forças políticas do clube.

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