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Mercado de tocadores de música atinge 5,1 trilhões em 2025, mas renda fica com poucos
Publicado 18/01/2026 • 07:40 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 18/01/2026 • 07:40 | Atualizado há 2 horas
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A indústria global da música alcançou 5,1 trilhões de streams em 2025, estabelecendo um novo recorde anual, com crescimento de 9,6% em relação a 2024, segundo o relatório de fim de ano da Luminate, empresa especializada em dados e análises do setor musical. O avanço confirma a centralidade do streaming como principal motor do mercado – mas também escancara suas contradições.
Nos Estados Unidos, os streams de áudio sob demanda somaram 1,4 trilhão, alta de 4,6% na comparação anual. Apesar do crescimento, o consumo segue fortemente concentrado em catálogos antigos: apenas 43% dos streams vieram de faixas lançadas nos últimos cinco anos (2021–2025), mostrando que o “back catalog” continua sendo o ativo mais valioso da indústria.
No Brasil, o domínio do streaming é ainda mais absoluto. Segundo a Pro-Música Brasil, em 2024 a modalidade respondeu por 87,6% de toda a receita do setor fonográfico, consolidando o país como um dos mercados mais dependentes das plataformas digitais.
A exceção à lógica da cauda longa ficou por conta dos grandes lançamentos globais. Taylor Swift, com The Life of a Showgirl, e Morgan Wallen, com I’m the Problem, ultrapassaram 5 milhões de unidades equivalentes a álbuns em um único ano, combinando vendas físicas, digitais e streaming – um feito cada vez mais restrito a poucos nomes capazes de mobilizar audiências globais e investimentos massivos de marketing.
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Embora o consumo de músicas novas – lançadas nos últimos 18 meses – tenha recuado levemente, alguns gêneros contrariaram a tendência. A música cristã/gospel registrou crescimento de 18,5% no volume de streams nos EUA em 2025, impulsionada por artistas como Forrest Frank, Brandon Lake e Elevation Worship.
O rock avançou 6,4%, enquanto a música latina cresceu 5,2%, reforçando seu peso estrutural no mercado americano. No entanto, o crescimento latino foi altamente concentrado: Bad Bunny respondeu sozinho por 5,3 bilhões de streams de áudio sob demanda nos EUA, o equivalente a 4,38% de todo o consumo do gênero. Seu álbum Debí Tirar Más Fotos gerou 2,97 bilhões de streams no país em 2025, ilustrando como poucos artistas capturam grande parte da atenção.
Pelo terceiro ano consecutivo, R&B e hip-hop lideraram o consumo nos Estados Unidos, com 349,9 bilhões de streams, seguidos por rock (260,5 bilhões), pop (167,2 bilhões), country (122,5 bilhões) e música latina (120,9 bilhões). O dado reforça que, apesar da fragmentação do mercado, alguns polos seguem estruturando o consumo — e a disputa por visibilidade dentro desses gêneros é cada vez mais desigual.
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2025 também marcou a ascensão comercial de artistas criados por inteligência artificial. Projetos como Xania Monet e a banda The Velvet Sundown passaram a disputar espaço nos rankings tradicionais. Monet tornou-se o primeiro ato de IA a estrear nas paradas de rádio da Billboard, alcançando o 3º lugar em Hot Gospel Songs e o 20º em Hot R&B Songs.
No country, nomes como Breaking Rust, Aventhis e Cain Walker ganharam tração, com Breaking Rust liderando o ranking de vendas digitais do gênero com “Walk My Walk”. Segundo a Luminate, esses projetos somaram centenas de milhões de streams, evidenciando que a IA já não é apenas uma curiosidade tecnológica, mas um novo player na disputa por atenção, receita e relevância cultural.
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Apesar do crescimento global, a economia da música digital segue altamente concentrada. Em 2024, segundo o relatório Spotify Loud & Clear, apenas 12.500 artistas no mundo geraram mais de US$ 100 mil na plataforma. Dentro desse grupo, 1.500 ultrapassaram US$ 1 milhão – um retrato claro de como a maior parte da receita fica restrita a uma elite.
As grandes gravadoras continuam controlando as principais alavancas do mercado: playlists estratégicas, investimentos robustos em marketing e uma engrenagem global de distribuição. Estar nas vitrines mais disputadas não depende apenas do algoritmo. Envolve acordos comerciais, exclusividades e negociações que funcionam como uma “porta de entrada” privilegiada. Hoje, apenas 20% a 25% dos artistas mais tocados são independentes – sinal de que o funil segue estreito e altamente competitivo.
Segundo a UBC, os selos independentes movimentaram cerca de US$ 14,3 bilhões em 2023, porém menos de 0,5% das cerca de 13 mil gravadoras independentes concentram um terço dessa receita, mostrando que a lógica da concentração não é exclusividade das majors.
Essa concentração também molda a criação artística. Para disputar atenção em um ambiente saturado, muitos músicos adaptam suas composições à lógica das plataformas: faixas mais curtas, refrões imediatos, intros impactantes nos primeiros segundos. O que deveria ampliar a liberdade criativa acaba, na prática, padronizando sonoridades e limitando a experimentação.
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Se os algoritmos moldam nossas descobertas, os números revelam quem está no topo. Em 2025, o pagode consolida-se como o gênero mais ouvido no país, impulsionado por grupos como Menos É Mais e hits como “Coração Partido”, que combinam força de comunidade e presença constante nas principais playlists.
O funk e o trap seguem em ascensão, refletindo novas narrativas urbanas e a potência das redes sociais como ferramenta de ascensão para artistas independentes. Nomes como Mc Tuto, Oruam e Tz da Coronel traduzem esse protagonismo, mostrando que o digital pode abrir portas — ainda que em um jogo profundamente desigual.
Já o sertanejo, que por anos dominou o topo das paradas, começa a perder protagonismo. Embora ainda seja uma força relevante, enfrenta um cenário de diversificação de consumo, com o público fragmentando sua atenção entre diferentes gêneros, artistas e cenas locais, evidenciando uma indústria em disputa permanente por relevância.
O ranking global foi dominado por lançamentos recentes:
Sete das dez faixas mais tocadas foram lançadas em 2024, indicando ciclos de consumo mais longos mesmo em um mercado pressionado por lançamentos constantes — e reforçando que, por trás da aparência de diversidade, a indústria segue organizada em torno de poucos vencedores.
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