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Títulos da dívida da Venezuela disparam após prisão de Maduro; entenda

Publicado 05/01/2026 • 18:19 | Atualizado há 4 semanas

KEY POINTS

  • Títulos da dívida venezuelana em default desde 2017 subiram após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, com os bônus soberanos avançando para 41 centavos por dólar e papéis da PDVSA registrando alta semelhante
  • Hedge funds e gestoras internacionais detêm posições nesses ativos, que somam cerca de US$ 60 bilhões em valor de face e haviam sido negociados a preços muito baixos nos últimos anos
  • A dívida externa total da Venezuela, incluindo juros não pagos e obrigações da PDVSA, é estimada entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões, em um contexto de economia fragilizada

REUTERS/Adam Gray

O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, é escoltado enquanto se dirige ao Tribunal Federal dos Estados Unidos Daniel Patrick Moynihan, em Manhattan, para uma audiência inicial a fim de responder a acusações federais nos EUA, incluindo narco-terrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, entre outras, no heliporto de Downtown Manhattan, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026.

Os preços dos títulos da dívida da Venezuela em default dispararam nesta segunda-feira (5) após a prisão de Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos. O movimento beneficiou investidores que haviam comprado os papéis a preços muito baixos.

Os bônus soberanos venezuelanos, em moratória desde 2017, avançaram para 41 centavos por dólar, ante 33 centavos antes da operação americana. Títulos da PDVSA, a estatal de petróleo do país, também registraram alta, com os papéis com vencimento em 2035 passando de 26 para 33 centavos por dólar.

A valorização ocorre após um período prolongado de desvalorização desses ativos, que chegaram a ser negociados a cerca de 16 centavos por dólar há um ano. O estoque de títulos soberanos e da PDVSA em circulação soma aproximadamente US$ 60 bilhões em valor de face.

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Entre os investidores com exposição aos papéis estão hedge funds como Broad Reach e Winterbrook Capital, além de gestoras de recursos como Allianz Global Investors e RBC BlueBay. Outros fundos também mantêm posições em ativos venezuelanos, incluindo a Elliott Management.

Em novembro, a Elliott venceu uma disputa judicial nos Estados Unidos para assumir o controle da Citgo, refinaria americana anteriormente controlada pela PDVSA, como parte de um processo de pagamento a credores. A operação ainda depende de autorizações regulatórias e de recursos judiciais.

Os títulos da dívida venezuelana haviam sofrido forte queda a partir de 2017, após a imposição de sanções dos Estados Unidos, e recuaram ainda mais em 2019, quando restrições atingiram diretamente as exportações de petróleo da PDVSA. As limitações à negociação desses papéis por entidades ligadas aos EUA foram suspensas em 2023.

Com a inclusão de juros não pagos, a dívida externa da Venezuela e da PDVSA é estimada entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões. Desse total, cerca de US$ 100 bilhões correspondem a títulos soberanos e da estatal de petróleo.

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O Produto Interno Bruto nominal da Venezuela é estimado entre US$ 79 e US$ 83 bilhões para 2025-2026, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), valor inferior ao registrado antes do default da dívida em 2017.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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