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Brasil e EUA negociam acordo sobre terras raras, diz jornal
Publicado 18/01/2026 • 16:45 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 18/01/2026 • 16:45 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom
Floresta Amazônica
O Brasil e os Estados Unidos avaliam um possível acordo para cooperação sobre terras raras, em meio ao esforço de Washington para reduzir sua dependência da China no fornecimento de minerais considerados críticos para tecnologias avançadas. As informações são do Financial Times (FT).
O país sul-americano concentra a segunda maior reserva mundial desses elementos, fundamentais para aplicações que vão desde veículos elétricos e drones a equipamentos militares e tecnologia médica. Apesar da abundância, a exploração e o processamento ainda são limitados no Brasil e dominados globalmente pela China.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico, o governo americano busca diversificar as cadeias de suprimento depois que Pequim restringiu exportações como resposta às tarifas comerciais impostas durante o governo de Donald Trump. Nesse contexto, o Brasil surge como um parceiro estratégico.
Diplomatas e representantes do setor veem espaço para avanço nas conversas após uma reaproximação entre Trump e o presidente Lula. Uma autoridade citada pelo FT afirmou que o governo brasileiro está aberto a negociar minerais considerados estratégicos.
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O interesse americano não é exclusivo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou recentemente que a União Europeia também mantém negociações com o Brasil para um acordo envolvendo matérias-primas estratégicas, com foco em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos metálicos de extração e refino complexos. Alguns deles, como neodímio e praseodímio, são usados na fabricação de ímãs permanentes presentes em celulares, turbinas eólicas e equipamentos de ressonância magnética. Atualmente, a China domina especialmente a produção das chamadas terras raras pesadas.
Apesar do potencial, o desenvolvimento desses recursos no Brasil enfrenta desafios, como falta de financiamento local e entraves burocráticos.
Analistas avaliam que o momento político favorece a cooperação bilateral. Uma crise diplomática havia se intensificado no ano passado após a imposição de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e sanções relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois, houve um movimento de distensão, com retomada de diálogos e negociações comerciais entre os dois países.
As conversas sobre terras raras ainda estavam em estágio inicial no fim de 2025. Representantes do governo americano têm discutido o assunto com entidades do setor mineral brasileiro e com autoridades do comércio dos dois países. Um evento realizado em Washington, em dezembro, reuniu representantes governamentais, investidores e empresas para debater o tema.
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Os Estados Unidos sinalizam disposição para apoiar projetos no Brasil por meio de financiamento público e apoio institucional. Um dos exemplos citados pelo FT é o financiamento aprovado para a Serra Verde, atualmente a única mina de terras raras em operação no país, localizada em Goiás. Parte da produção havia sido destinada à China, mas esse contrato está próximo do vencimento.
A China responde por cerca de 60% da extração global de terras raras e mais de 90% da capacidade de processamento. O Brasil, segundo dados citados pelo jornal, detém cerca de 23% das reservas mundiais.
Especialistas avaliam que o potencial brasileiro poderia transformar o país em um dos principais polos globais do setor, embora alertem para desafios regulatórios e o longo tempo necessário para viabilizar novos projetos. Apenas parte do território nacional foi mapeada em termos mineralógicos, e processos de licenciamento podem levar anos.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou ao jornal que o tema integra o diálogo econômico entre Brasil e Estados Unidos. Procurada, a Casa Branca não comentou.
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