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Carne bovina: 5 pontos para entender a pressão da China sobre exportações brasileiras
Publicado 21/04/2026 • 08:30 | Atualizado há 4 semanas
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Publicado 21/04/2026 • 08:30 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
Foto: Freepik
Carne bovina: 5 pontos para entender a pressão da China sobre exportações brasileiras
A pressão da China sobre a carne bovina brasileira tem gerado incertezas no setor, além de obrigar que as empresas e o governo busquem soluções para o cenário. As novas regras de importação impostas pelo país asiático, um dos principais compradores da proteína nacional, podem impactar diretamente a dinâmica das futuras exportações.
As novas medidas podem impactar os volumes exportados, receitas e até a dinâmica do mercado global. Apesar das novas regras chinesas, o governo brasileiro estuda opções para evitar maiores impactos no setor. Confira cinco pontos importantes sobre o cenário atual.
Leia também: Exportação de carne bovina recua em março; receita dispara com preços mais altos
Conforme uma análise realizada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, uma das principais mudanças está na adoção de cotas anuais para importação de carne brasileira entre 2026 e 2028. Para 2026, o limite de envio bovino será de 1,10 milhão de toneladas, subindo para 1,12 milhão em 2027 e 1,15 milhão em 2028.
Caso o Brasil ultrapasse os volumes citados, será aplicada uma tarifa adicional de 55% sobre o excedente, o que obriga um maior controle dos volumes embarcados por parte do governo brasileiro.
Os limites de peso impostos pelos chineses também aumentam a preocupação com as exportações já em andamento. Atualmente, cerca de 300 mil toneladas de carne estão a caminho da China. Apesar de ainda estar longe do limite, o volume praticado entre os países é alto.
Caso essas cargas sejam contabilizadas nas novas medidas, dentro da cota de 2026, existe o risco do limite ser atingido já em setembro, antecipando os efeitos das restrições e pressionando o setor.
Diante desse cenário atual, o governo brasileiro e empresas do setor discutem alternativas para minimizar perdas futuras. Entre as principais medidas estão a criação de linhas de crédito emergencial, voltadas para capital de giro e armazenagem.
Outra possibilidade é a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países, o que poderia abrir espaço adicional para as exportações brasileiras.
“Algumas possibilidades estão sendo ventiladas, entre elas uma linha de crédito emergencial ao setor exportador, onde os recursos tenderiam a ser utilizados pelos frigoríficos tanto para capital de giro quanto para investimento em armazenagem e estoque, além da redistribuição de cotas não utilizadas por outros países”, explicou Rodrigo Costa, analista de pecuária da Pine Agronegócios, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Apesar das restrições, o Brasil mantém uma vantagem importante no mercado de exportações. A arroba (medida de peso utilizada para carnes) brasileira está abaixo de US$ 60 (aproximadamente R$ 298,72 na cotação atual), enquanto em outros mercados o valor ultrapassa os US$ 141 (aproximadamente R$ 701,9).
Essa diferença no preço brasileiro em comparação com os demais mercados ajuda a sustentar a demanda global pela carne nacional, mesmo em um cenário mais restritivo e competitivo.
“O Brasil continua sendo o melhor parceiro para evitar movimentos inflacionários”, afirmou Rodrigo.
Mesmo com as novas medidas da China, é pouco provável que o Brasil reduza por conta própria o comércio com o país. Ainda assim, eventuais penalidades podem levar à busca por novos parceiros.
Esse é o caso do Vietnã e Japão, que surgem como alternativas para absorver parte da produção brasileira. Como citado, as exportações bovinas integram uma das maiores rendas do país.
Leia também: China pressiona exportações e setor de carne bovina busca saída para evitar perdas
As novas medidas chinesas entre tarifas e incertezas logísticas colocam pressão direta sobre o setor de carne bovina. Entretanto, as implementações também abrem espaço para negociações diplomáticas, diversificação de mercados e ajustes estratégicos que podem auxiliar no desempenho das exportações brasileiras nos próximos anos.
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