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Meta, TikTok e YouTube enfrentam julgamento nos EUA por impacto em saúde mental de jovens

Publicado 26/01/2026 • 08:31 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Gigantes de tecnologia enfrentam primeiro grande teste judicial nos EUA sobre impacto das redes sociais na saúde mental de jovens.
  • Caso pode abrir precedente para novas ações e custos regulatórios, elevando o risco jurídico do setor.
  • Executivos como Mark Zuckerberg devem depor, colocando a estratégia das empresas sob intenso escrutínio público.
Tela de celular com aplicativos do Youtube, Tiktok e Instagram

Depositphotos

Meta, TikTok e YouTube começam a ser julgadas nesta semana em um tribunal da Califórnia em um caso que pode marcar um novo capítulo no debate nacional sobre tempo de tela, redes sociais e saúde mental entre adolescentes nos Estados Unidos. O processo envolve uma jovem de 19 anos, identificada nos autos como K.G.M., que acusa as plataformas de terem criado produtos com design altamente envolvente que teriam levado à dependência digital, depressão e pensamentos suicidas.

Segundo documentos judiciais, a ação sustenta que os mecanismos de recomendação e engajamento das plataformas contribuíram para agravar o estado psicológico da jovem, e busca responsabilizar as empresas por danos causados. Trata-se do primeiro de uma série de casos semelhantes previstos para ir a julgamento ainda neste ano, centrados no que os autores classificam como “vício em redes sociais” entre crianças e adolescentes.

O júri deverá decidir se as companhias foram negligentes ao oferecer produtos que prejudicaram a saúde mental da autora e se o uso dos aplicativos foi um fator relevante em sua condição, em comparação com outras influências, como conteúdos de terceiros ou aspectos da vida fora do ambiente digital.

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Caso é visto como teste para a indústria

Especialistas afirmam que o julgamento pode funcionar como um caso-piloto para dezenas de ações semelhantes em tramitação nos Estados Unidos. Para o advogado de mídia Clay Calvert, do American Enterprise Institute, trata-se de um teste para avaliar se a Justiça aceitará a tese de que plataformas digitais podem ser responsabilizadas por danos psicológicos decorrentes de seu design.

Executivos de alto escalão devem depor. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, é esperado no tribunal. A empresa afirma que seus produtos não causaram os problemas de saúde mental alegados. O CEO da Snap, Evan Spiegel, também estava entre os citados no processo, mas a companhia fechou um acordo com a autora em janeiro, sem divulgar os termos.

O YouTube, por sua vez, sustenta que suas plataformas são estruturalmente diferentes de redes sociais como Instagram e TikTok e que não deveriam ser analisadas no mesmo escopo jurídico. O TikTok não comentou publicamente quais serão suas estratégias de defesa.

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Campanha de imagem e ferramentas para pais

Paralelamente ao início do julgamento, as empresas intensificaram esforços para convencer o público e reguladores de que seus produtos são seguros para jovens. Nos últimos anos, as companhias lançaram controles parentais, limites de uso noturno e ferramentas de monitoramento, além de campanhas educacionais em escolas.

A Meta patrocinou workshops em dezenas de colégios americanos desde 2018 e promoveu eventos em parceria com associações de pais. O TikTok organizou iniciativas semelhantes por meio de entidades regionais, com foco em uso responsável da plataforma.

O Google, controlador do YouTube, também passou a trabalhar com organizações juvenis como as Girl Scouts, que oferecem programas educacionais sobre segurança digital e privacidade online.

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Estratégia jurídica e pressão regulatória

Do ponto de vista jurídico, as empresas contrataram escritórios que atuaram em litígios corporativos de alto perfil envolvendo temas como dependência digital e saúde pública. A Meta recorreu a advogados que participaram de disputas relacionadas à crise dos opioides, enquanto o TikTok contratou profissionais que defenderam gigantes do setor de games em processos sobre vício em videogames.

Para grupos de defesa de consumidores, a movimentação levanta preocupações. Julie Scelfo, fundadora da organização Mothers Against Media Addiction, afirmou que as companhias utilizam múltiplas frentes para moldar a opinião pública, o que pode gerar confusão entre pais sobre em quem confiar.

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Impacto para investidores

O julgamento é acompanhado de perto por analistas e investidores porque pode abrir precedente para indenizações bilionárias, mudanças obrigatórias no design de produtos e maior intervenção regulatória. Um desfecho desfavorável às empresas pode elevar custos de compliance e acelerar projetos de regulação sobre redes sociais e inteligência artificial nos Estados Unidos.

Com a indústria sob escrutínio crescente de autoridades e tribunais, o caso surge como um possível divisor de águas para o modelo de negócios das plataformas digitais voltadas a jovens — segmento estratégico para crescimento e publicidade no setor de tecnologia.

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