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Brasil e Índia firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

Publicado 21/02/2026 • 11:08 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Brasil quer transformar reservas de minerais estratégicos em cadeias industriais completas
  • Parceria com a Índia mira autonomia tecnológica e reconfiguração das cadeias globais
  • Parceria entre países também prevê produção de medicamentos
Nova Delhi, 21/02/2026 - 21.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião no Palácio Presidencial (Rashtrapati Bhawan) com o Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou os minerais críticos no centro da agenda econômica bilateral durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Délhi. Ao abordar a transição energética e digital, Lula afirmou que esses insumos são determinantes para a nova configuração industrial global e que o Brasil pretende ocupar posição estratégica nesse processo.

Segundo o presidente, o país detém pelo menos 26% das reservas mundiais de minerais estratégicos, tendo apenas cerca de 30% do território prospectado. O dado foi apresentado como evidência do potencial de expansão e da necessidade de planejamento de longo prazo.

Leia também: Brasil assina 8 acordos na Índia e fala em US$ 30 bilhões de comércio bilateral

Conselho nacional para coordenar política mineral

Um dos principais anúncios foi a criação de um Conselho Nacional vinculado à Presidência da República para organizar a política relacionada a minerais estratégicos. A proposta é estruturar governança sobre exploração, processamento e atração de investimentos.

O objetivo declarado é assegurar soberania econômica e evitar que o Brasil atue apenas como fornecedor de matéria-prima. O governo pretende estimular a instalação de etapas de beneficiamento e industrialização no território nacional.

Cooperação com a Índia em minerais críticos

Lula destacou o acordo firmado com a Índia na área de minerais estratégicos como instrumento para ampliar cooperação técnica e industrial. A Índia lançou sua própria Missão Nacional de Minerais Críticos, o que abre espaço para convergência entre os dois países.

A cooperação envolve integração produtiva em cadeias ligadas a semicondutores, baterias, mobilidade elétrica e defesa, setores que dependem desses insumos.

Transição energética e reorganização global

No discurso, minerais críticos foram associados à agenda climática e à digitalização. A reorganização das cadeias globais de suprimento, marcada por tensões comerciais e busca por autonomia tecnológica, foi apresentada como oportunidade para reposicionamento estratégico.

O presidente vinculou o tema a programas nacionais de reindustrialização e inovação, defendendo atração de investimentos para etapas de maior valor agregado.

Estratégia de longo prazo em minerais críticos

Ao dar destaque aos minerais críticos no Fórum Brasil-Índia, o governo sinaliza que o tema passa a integrar o núcleo da política externa econômica. A aproximação com a Índia funciona como plataforma para ampliar comércio, investimento e presença industrial.

O discurso aponta para uma política mineral articulada à diplomacia econômica, com foco em agregação de valor, coordenação institucional e inserção competitiva nas cadeias industriais da transição energética e digital.

Ampliação de parcerias

Brasil e Índia renovaram por mais cinco anos a cooperação bilateral na área da saúde, ampliando a parceria em frentes como produção de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos, além de biofabricação, inovação, desenvolvimento de biológicos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial.

A Anvisa firmou acordo com a autoridade regulatória indiana para intercâmbio de informações sobre medicamentos, insumos e dispositivos médicos. Já a Fiocruz assinou memorandos com laboratórios da Índia para pesquisa, desenvolvimento e fabricação de medicamentos considerados estratégicos.

Segundo o presidente Lula, os dois países mantêm uma atuação conjunta histórica em defesa do acesso equitativo a medicamentos, especialmente genéricos, e da soberania sanitária na OMS. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os acordos também promovem transferência de tecnologia, fortalecem a produção nacional e ampliam a autonomia do Brasil na área da saúde.

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