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Violência contra a mulher é emergência global, afirma ONU

Publicado 27/02/2026 • 10:40 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • O chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas criticou nesta sexta-feira (26) o aumento das ameaças aos direitos das mulheres em todo o mundo.
  • Além disso, ele destacou o alto número de feminicídios e abusos chocantes.
  • O Brasil tem apresentado um aumento constante de casos de feminicídio e abusos sexuais.

Esquerda.net, CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons

O cenário mundial não difere do que está acontecendo no Brasil: números de feminicídios e abusos sexuais estão em crescente.

O chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas criticou nesta sexta-feira (26) o aumento das ameaças aos direitos das mulheres em todo o mundo, destacando o alto número de feminicídios e abusos chocantes revelados em casos como o do criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.

Ele destacou a situação extrema no Afeganistão, alertando que o “sistema de segregação imposto às mulheres lembra o apartheid, baseado em gênero em vez de raça”.

Türk também mencionou dois casos que recentemente provocaram ondas de choque mundial: os desenrolares do caso Epstein e o da sobrevivente francesa de estupro Gisèle Pelicot.

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Cenário brasileiro

No Brasil, a situação também não é diferente: de acordo com dados publicados pela Agência Brasil, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o número de estupros no país é o maior na série histórica, atingindo 87.545 ocorrências. O número equivale a um estupro a cada 6 minutos.

Além da violência sexual, o feminicídio também tem sido pauta recorrente nos jornais brasileiros, com um caso novo a cada semana. O último de grande destaque foi o assassinato da jovem Cibelli Monteiro Alves, de 22 anos. Cibelle era vendedora da joalheria Vivara, e estava trabalhando em um shopping de São Caetano no momento em que foi esfaqueada. Ela tinha uma medida protetiva de urgência contra o autor do crime.

De acordo com dados da Agência Brasil, São Paulo capital bateu o recorde de feminicídio em 2025. A Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revela que entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 53 casos de feminicídio na capital paulista. Este é o maior índice anual desde 2018 (início da série histórica). Já na grande SP, acontecem 2 feminicídios em menos de 24 horas. Os dados são da mesma instituição.

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Impunidade encoraja

Falando ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, Volker Türk criticou “sistemas sociais que silenciam mulheres e meninas” e permitem que homens poderosos as abusem com impunidade.

“A violência contra mulheres, incluindo o feminicídio, é uma emergência global”, afirmou o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos ao principal órgão de direitos humanos da organização.

Os casos exemplificados dexam clara “a extensão da exploração e do abuso contra mulheres e meninas”, disse ele, questionando: “alguém acredita que não existam muitos outros homens como Dominique Pelicot ou Jeffrey Epstein?”. A pergunta também pode se estender para todos os outros autores.

Casos Epstein e Pelicot

Epstein era um aliciador sexual de menores, traficando crianças e adolescentes para a prostituição. O milionário mantinha relações com ricos, famosos e pessoas poderosas mesmo após sua condenação, em 2008.

Gisèle Pelicot trouxe o público para dentro de seu chocante caso ao abrir mão do direito ao anonimato durante o julgamento, em 2024, na França. Seu ex-marido, Dominique, teria levado dezenas de desconhecidos para estuprá-la enquanto ela estava inconsciente.

Proteção do estado necessária

“Os Estados devem investigar todos os crimes alegados, proteger as sobreviventes e garantir justiça sem medo ou favorecimento”, insistiu.

Türk também afirmou estar profundamente preocupado com o aumento dos ataques contra mulheres em posições públicas, inclusive na internet. “Toda mulher política com quem converso diz enfrentar misoginia constante e ódio online”, afirmou.

Além disso, ele destacou que apenas em 2024 “cerca de 50 mil mulheres e meninas no mundo foram mortas — a maioria por membros da própria família”.

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