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Escassez “sistêmica” de combustível de aviação ameaça voos na Europa em meio à crise no Oriente Médio
Publicado 14/04/2026 • 12:39 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/04/2026 • 12:39 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A indústria aérea europeia pode enfrentar uma escassez “sistêmica” de combustível de aviação nas próximas semanas, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz se prolongue, segundo especialistas ouvidos pela CNBC. O cenário pode levar a centenas de cancelamentos de voos, afetando diretamente a alta temporada de viagens no verão europeu.
De acordo com Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, a evolução da crise depende do fluxo de petróleo pela região. “A situação nas próximas três a quatro semanas pode se tornar sistêmica, com cortes severos de voos na Europa já em maio e junho”, afirmou.
O tráfego na via marítima estratégica foi interrompido após o Irã fechar o Estreito de Ormuz durante o conflito com Estados Unidos e Israel, o que provocou forte alta nos preços do petróleo. Após o fracasso das negociações de paz no fim de semana, os Estados Unidos iniciaram um bloqueio naval para impedir a entrada e saída de navios nos portos iranianos, ampliando a pressão sobre Teerã.
Leia também: “Preço sobe de elevador e desce de escada”: economista alerta para impacto do petróleo na aviação
Segundo Rico Luman, economista sênior do ING, há sinais crescentes de falta de abastecimento. “Existem muitos alertas de escassez nas próximas semanas, caso o fornecimento não seja retomado. Já vemos navios parando e o suprimento do Oriente Médio se esgotando, o que exige substituição”, disse.
A associação ACI Europe, que representa aeroportos da União Europeia, afirmou que a escassez pode ocorrer em até três semanas, gerando impactos econômicos severos justamente no período de maior demanda. O transporte aéreo é responsável por cerca de 851 bilhões de euros por ano – quase US$ 1 trilhão (R$ 4,98 trilhões) – no PIB europeu e sustenta 14 milhões de empregos.
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A crise já tem reflexos globais. “Vimos restrições na Ásia, especialmente em países como Vietnã e Tailândia, altamente dependentes do Oriente Médio para combustível de aviação. Isso está se espalhando para a Europa, porque é um mercado global”, afirmou Luman.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, elevou o petróleo para acima de US$ 100 por barril (R$ 498 por barril), gerando um choque energético. Os preços do querosene de aviação dispararam 103% em março, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo.
Nos Estados Unidos, o combustível de aviação quase dobrou de preço, passando de US$ 2,50 por galão (R$ 12,45 por galão) em 27 de fevereiro para US$ 4,88 por galão (R$ 24,30 por galão) em 2 de abril . Já os contratos futuros do WTI para maio recuavam 1,86%, a US$ 97,24 por barril (R$ 484,3 por barril), enquanto o Brent para junho caía 0,33%, a US$ 99,03 por barril (R$ 493,2 por barril).
Galimberti destacou que o mercado esperava uma resolução rápida da crise, mas o bloqueio mudou esse cenário. “Agora parece que este é um processo mais longo”, afirmou, comparando com o conflito entre Rússia e Ucrânia, que se prolongou ao longo dos anos.
As companhias aéreas europeias já começaram a reagir, com cancelamentos de voos e revisão das projeções de lucro. “Já vimos vários anúncios de aumento no preço das passagens e isso deve continuar se o cenário não mudar”, afirmou Luman.
A companhia Aurigny, de Guernsey, informou no fim de março que reduzirá a capacidade em algumas rotas entre abril e junho, citando a instabilidade global, além de aplicar uma taxa adicional temporária de £2 por bilhete.
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A SAS anunciou o cancelamento de 1.000 voos em abril, enquanto o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, indicou que poderá reduzir voos no verão caso a crise persista.
Outras empresas também já projetam impactos financeiros. A Wizz Air estima um impacto de 50 milhões de euros no lucro líquido de 2026, enquanto a Virgin Atlantic avalia dificuldade para gerar lucro neste ano, mesmo com a adoção de sobretaxas de combustível.
Para Corneel Koster, CEO da Virgin Atlantic, parte do impacto deve permanecer. “Independentemente do que acontecer no Golfo, parte dessa disrupção nos preços globais de energia veio para ficar”, afirmou ao Financial Times.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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