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CNBCPor que a China consegue suportar a alta do petróleo com mais facilidade do que outros países

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Ibovespa recupera patamar dos 180 mil pontos impulsionado por rali do petróleo e possível fim da guerra

Publicado 09/03/2026 • 17:13 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • A bolsa brasileira conseguiu se descolar do cenário negativo externo e recuperou o patamar simbólico perdido no encerramento da última semana.
  • O fôlego do mercado doméstico veio da disparada nos preços do petróleo, que favoreceu o desempenho de grandes exportadoras e atraiu fluxo de capital estrangeiro.
  • Mesmo com a trégua nos ativos de risco, investidores mantêm o sinal de alerta para os dados de inflação que podem alterar o ritmo de queda dos juros no Brasil.

O Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira (9) em alta de 0,86%, aos 180.915,36 pontos, com uma valorização de 1.550,54 pontos no dia. Após uma semana de perdas acentuadas, o índice brasileiro apresentou um desempenho resiliente, contrastando com o pessimismo das bolsas de Nova York.

O movimento de recuperação permitiu que o indicador retomasse o nível simbólico dos 180 mil pontos, patamar que havia sido perdido na última sexta-feira (6) após o mercado ter atingido a marca dos 190 mil pontos em fevereiro.

O principal motor do pregão foi a disparada de 30% nos preços do petróleo durante a madrugada, com a commodity aproximando-se de US$ 120 por barril. A escalada ocorre em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz e à nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, sinalizando que a linha-dura manterá o controle em Teerã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom diplomático ao afirmar que o novo líder iraniano “não durará muito” sem aprovação prévia, o que intensificou a percepção de que o conflito pode se prolongar por semanas.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o Brasil se beneficiou de sua posição como exportador relevante da commodity. “Enquanto grande parte dos mercados internacionais operou sob aversão ao risco diante das tensões geopolíticas e da disparada dos preços do petróleo, o Brasil apresentou desempenho relativamente melhor”.

“A alta da commodity beneficiou diretamente empresas do setor de energia, com destaque para a Petrobras, cujas ações ajudavam a sustentar o Ibovespa próximo da marca de 180 mil pontos. O fato de o país não estar diretamente envolvido no conflito contribuiu para o sentimento de mercado”, analisa Shahini.

Apesar do fôlego trazido pelas petroleiras, o mercado mantém cautela com os reflexos inflacionários da crise. A agenda da semana, que reserva dados do IPCA no Brasil e do CPI nos Estados Unidos, deve ser determinante para as próximas decisões monetárias.

Analistas já começam a revisar as apostas para a reunião do Copom na próxima quarta-feira (11), com uma ala do mercado projetando uma redução mais conservadora da Selic, de apenas 0,25 ponto percentual, em vez do meio ponto anteriormente esperado, devido ao risco de contaminação dos preços globais.

No cenário político, investidores também repercutiram a pesquisa Datafolha que mostra o senador Flávio Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Lula em uma simulação de segundo turno. A temporada de balanços seguiu no radar com a divulgação de números de empresas como Cosan e Direcional, mantendo a seletividade dos investidores em alta. O volume de negócios foi expressivo, marcado pela volta do horário tradicional de fechamento da B3 às 17 horas, com o fim do horário de verão nos EUA.

Desempenho das ações

Maiores altas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
AzzasAZZA35,38R$ 25,86
EnevaENEV34,98R$ 21,09
CPFL EnergiaCPFE33,73R$ 49,17
RumoRAIL32,97R$ 15,94
EmbraerEMBJ32,76R$ 82,35
CosanCSAN32,68R$ 5,74
PetrobrasPETR42,49R$ 43,16
SLC AgrícolaSLCE32,20R$ 16,75
PetrobrasPETR32,12R$ 46,75
MagaluMGLU32,04R$ 9,52
Fonte: TradeMap

Entre as maiores altas do dia, o setor de energia e infraestrutura liderou os ganhos. A AZZA3 saltou 5,38%, seguida pela ENEVE3, que avançou 4,98%. O setor elétrico também se destacou com CPFE3 subindo 3,73%.

As petroleiras, grandes protagonistas do pregão, registraram altas consistentes: a PETR4 subiu 2,49%, enquanto a PETR3 avançou 2,12%, impulsionadas pelo rali internacional do Brent.

Em contrapartida, os setores de construção civil e varejo alimentar enfrentaram uma forte pressão vendedora, resultando em perdas acentuadas nas cotações. O movimento de desvalorização foi expressivo, forçando um ajuste negativo no valor de mercado de companhias relevantes.

O Pão de Açúcar continuou figurando entre as maiores baixas, refletindo a volatilidade persistente no setor varejista, enquanto a C&A Modas teve uma das maiores quedas devido ao ajuste técnico dos investidores neste início de pregão.

Dólar

O dólar comercial encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 1,52%, cotado a R$ 5,165. A moeda norte-americana apresentou forte volatilidade, chegando a tocar a máxima de R$ 5,286 pela manhã, acompanhando o fortalecimento global da divisa e o avanço dos rendimentos dos Treasuries nos EUA.

Contudo, o movimento foi revertido ao longo do dia com a entrada de fluxo financeiro atraído pela alta das commodities e pelo elevado diferencial de juros no Brasil. Segundo Bruno Shahini, o fluxo cambial positivo e o papel do Brasil como exportador de petróleo ajudaram a fortalecer o real.

“O dólar apresentou forte volatilidade, mas o movimento foi revertido, com a moeda passando a cair frente ao real, sustentada pela entrada de fluxo favorecida pela alta do petróleo. O avanço dos preços tende a melhorar as contas externas e fortalecer a moeda local mesmo em um ambiente de elevada aversão ao risco”, conclui.

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