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Conflito no Oriente Médio

Geopolítica vira risco patrimonial e famílias de alta renda revisam onde guardam seus ativos

Publicado 11/03/2026 • 07:34 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Proteção patrimonial deixa de ser questão tributária e passa a envolver soberania de ativos e risco de jurisdição
  • Guerra no Oriente Médio acelera revisão de estruturas internacionais por famílias de altíssimo patrimônio
  • Brasil pressiona planejamento patrimonial com novas leis tributárias, dívida pública elevada e Selic alta
Geopolítica vira risco patrimonial e famílias de alta renda revisam onde guardam seus ativos

imagem gerada pela Inteligência Artificial Nano Banana 2, através do agente Gemini

Geopolítica vira risco patrimonial e famílias de alta renda revisam onde guardam seus ativos

A escalada do conflito no Oriente Médio está provocando mais do que volatilidade no petróleo e alguns mercados. Para famílias com alto patrimônio, o momento representa ponto de mudança, no qual a proteção patrimonial deixa de ser uma discussão predominantemente tributária. O foco se desloca da rentabilidade e da eficiência fiscal para a soberania dos ativos e o risco de jurisdição.

O momento combina tensão militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, reconfiguração das alianças no Golfo e aumento expressivo dos gastos públicos com defesa na Europa. Historicamente, ciclos de expansão militar são acompanhados por crescimento acelerado da dívida pública, redesenho de políticas tributárias e maior escrutínio sobre fluxos internacionais de capital.

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Diversificação por bloco geopolítico

Para Eron Falbo, CEO da Bridge Legacy, consultoria especializada em estruturas internacionais para famílias brasileiras, a gestão patrimonial tradicional sempre esteve baseada na diversificação por classe de ativos. O novo contexto exige algo diferente.

“É preciso avaliar a exposição concentrada em uma única jurisdição, a dependência de sistemas financeiros específicos, a vulnerabilidade a mudanças fiscais extraordinárias e o risco de controles de capital ou restrições regulatórias”, afirmou Falbo.

Para o especialista, a estratégia não envolve abandonar centros tradicionais como Londres, Zurique ou Miami, mas construir redundância para reduzir a concentração de risco soberano. “O conflito em si pode ser temporário. A mudança estrutural nas prioridades fiscais e estratégicas dos países é o que gera impacto duradouro”, diz.

Europa sob pressão fiscal

A Europa, que por décadas ofereceu infraestrutura jurídica sofisticada com garantia de segurança americana, entra agora em um ciclo distinto. O aumento dos gastos militares financiado por expansão fiscal reacende dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública em economias que já enfrentam baixo crescimento e envelhecimento populacional.

“Quando a conta do rearmamento se tornar insustentável — e historicamente isso acontece — governos buscarão receita onde o patrimônio está mais visível e politicamente menos protegido, que são grandes fortunas, especialmente estrangeiras”, afirma Falbo.

Mudanças regulatórias recentes reforçam essa percepção. Portugal eliminou o investimento imobiliário do Golden Visa, encerrou o regime de Residente Não Habitual e discute ampliar o prazo para cidadania. A Grécia elevou os valores mínimos de investimento. O Reino Unido aboliu o regime de non-dom, provocando saída relevante de milionários do país. Segundo Falbo, 16.500 milionários deixaram o Reino Unido após o fim do regime, enquanto os Emirados receberam 9.800 milionários em 2025.

Brasil também pressiona

No Brasil, o ambiente igualmente pressiona o planejamento patrimonial internacional. A Lei 14.754/2023 passou a tributar fundos exclusivos e offshores, e a Lei 15.270/2025 ampliou o alcance das medidas. A partir de 2026, entra em vigor a tributação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais. Com dívida pública próxima de 95% do PIB e Selic elevada, o país entra em uma fase de maior pressão arrecadatória.

“Não são medidas isoladas, mas um movimento sistemático de ampliação da tributação sobre grandes patrimônios. A pergunta não é se o capital buscará proteção internacional, mas para onde”, afirma Falbo.

Golfo ganha força no radar

Ao mesmo tempo em que a Europa amplia gastos e pressões fiscais, países do Golfo fortalecem alianças com os Estados Unidos, firmam acordos bilionários e mantêm regimes de tributação zero sobre renda pessoal. A região, antes vista com cautela por investidores ocidentais, passa a integrar o planejamento de famílias que buscam previsibilidade institucional combinada a eficiência fiscal.

Resiliência jurisdicional

Ganha força o conceito de resiliência jurisdicional: estruturar o patrimônio de forma a mantê-lo protegido independentemente de mudanças políticas ou fiscais em um único país. Isso envolve estruturas multilocalizadas, diversificação bancária internacional, separação entre residência, domicílio fiscal e custódia de ativos, além de planejamento sucessório com proteção transnacional.

Para especialistas, conflitos armados funcionam como catalisadores de decisões que já estavam em curso, acelerando a revisão de risco soberano e estabilidade institucional. “O investidor sofisticado não reage ao evento. Ele se antecipa ao ciclo”, conclui Falbo.

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