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Indígenas e MST travam ferrovia estratégica no leste de MG e causam prejuízo milionário a empresas e passageiros

Publicado 26/03/2026 • 16:26 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Interdição em Resplendor suspende trem de passageiros entre Belo Horizonte e Cariacica e afeta também um dos principais corredores ferroviários de carga do país
  • 12,9% da movimentação ferroviária nacional passaram pela ferrovia em 2024
  • Bloqueio é liderado por indígenas Tupiniquim de Aracruz, com apoio da AITG, do Conselho Territorial Tupiniquim e Guarani e de integrantes do MST

A interdição de um trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em Resplendor, no leste de Minas Gerais, suspendeu a circulação do único trem de passageiros de longa distância diário no Brasil, entre Belo Horizonte e Cariacica, que transporta mais de 1 milhão de pessoas por ano, e atingiu também um dos principais corredores ferroviários de carga do país.

O bloqueio, que ocorre desde a madrugada de sábado (21), é liderado por indígenas Tupiniquim das aldeias Caieiras Velha, Irajá e Pau-Brasil, em Aracruz, no Espírito Santo. Cerca de 20 a 25 indígenas participam da interdição no trecho, com apoio da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani (AITG), do Conselho Territorial Tupiniquim e Guarani e de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O grupo cobra avanços na reparação pelos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

Bárbara Favalessa Almeida, liderança Tupiniquim e representante da AITG, explica que a manifestação é motivada pela falta de uma reparação que, no entendimento das comunidades indígenas, ainda não ocorreu de forma justa após o rompimento da barragem, em 2015. Ela afirma que, apesar da existência de estudos técnicos e levantamentos sobre os impactos sofridos pelos povos originários, parte dessas consequências segue sem reconhecimento.

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Embora a ferrovia seja conhecida pelo trem de passageiros que liga diariamente Minas Gerais ao Espírito Santo, a malha também é usada no escoamento de minério de ferro, pelotas e outras cargas para terceiros. Documentos da operação ferroviária obtidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC mostram a EFVM como responsável pelo transporte de minério, pelotas e cargas como aço, carvão, veículos e combustíveis, além do serviço de passageiros. Segundo material institucional divulgado no ano passado, a operação transportou 105,3 milhões de toneladas em 2023, das quais 85,1 milhões de toneladas de minério e 20,2 milhões de toneladas de carga geral, como soja, milho e calcário.

Na linha regular de passageiros, a oferta prevista é de um par de trens por dia, com partidas diárias pela manhã nos dois sentidos. O trajeto tem 664 quilômetros de extensão e conecta dezenas de municípios ao longo da ferrovia.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do impacto. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o sistema ferroviário brasileiro transportou cerca de 542 milhões de toneladas de carga em 2024. A EFVM respondeu por 12,9% da movimentação ferroviária nacional no ano, o que a colocou entre as três concessões de maior peso do país.

No transporte de passageiros, a última referência pública aponta 740 mil usuários ao longo de 2023. Mantido esse patamar como base, a ferrovia movimentou, em média, cerca de 2 mil passageiros por dia naquele ano, o que ajuda a dimensionar o efeito de uma paralisação prolongada sobre a ligação ferroviária entre os dois estados.

A mobilização ocorre em meio ao andamento do novo acordo do Rio Doce. O novo acordo de reparação da Bacia do Rio Doce reconhece os povos indígenas Tupiniquim e Guarani nos territórios de Aracruz entre os atingidos pelo rompimento. Em março, uma caravana interministerial do governo federal esteve em comunidades Tupiniquim e Guarani no Espírito Santo para detalhar ações previstas no acordo, discutir o processo de consulta e esclarecer dúvidas sobre a reparação.

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No dia 9 de março, mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam outro trecho da EFVM, em Tumiritinga (MG), também para cobrar justiça e reparação pelos danos do rompimento em Mariana. Na ocasião, a interdição durou algumas horas.

Desta vez, o bloqueio segue ativo e, até o momento, o fluxo de trens permanece interrompido, o que aumenta os impactos sobre o transporte de passageiros e o escoamento de cargas.

por operar o único trem de passageiros de longa distância diário do Brasil, transportando mais de 1 milhão de pessoas anualmente entre Cariacica (ES) e Belo Horizonte (MG).

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