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Economia Brasileira

Páscoa acumula alta de 50% em cinco anos e quase dobra a inflação oficial

Publicado 31/03/2026 • 09:07 | Atualizado há 9 minutos

KEY POINTS

  • Os produtos típicos de Páscoa ficaram quase duas vezes mais caros que a inflação oficial nos últimos cinco anos.
  • Entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, o IPCA acumulou alta de 33,13%, enquanto a chamada “cesta de Páscoa” avançou 50,75% no mesmo período, segundo levantamento da Rico.
  • Entram nesse grupo itens como chocolates, bombons, açúcar, azeite, biscoitos e pescados.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os produtos típicos de Páscoa ficaram quase duas vezes mais caros que a inflação oficial nos últimos cinco anos. Entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, o IPCA acumulou alta de 33,13%, enquanto a chamada “cesta de Páscoa” avançou 50,75% no mesmo período, segundo levantamento da Rico.

Entram nesse grupo itens como chocolates, bombons, açúcar, azeite, biscoitos e pescados. De acordo com Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, os aumentos superaram com folga a média da economia.

“Embora os preços tenham subido de forma geral, os produtos tradicionalmente associados à data ficaram ainda mais caros para o consumidor”, diz.

Leia também: Páscoa 2026 deve bater recorde de vendas mesmo com chocolate mais caro; veja o que esperar

No recorte mais recente, porém, o ritmo perdeu força. Nos 12 meses até janeiro de 2026, a cesta de Páscoa subiu 2,51%, abaixo do IPCA de 4,44%. Para a analista, o movimento reflete um ambiente de desaceleração inflacionária, em meio à política monetária restritiva, com juros a 15%, à apreciação cambial observada desde o ano passado e à maior oferta global de alguns alimentos.

Inflação da cesta de Páscoa

CategoriasAcumulado 5 anos (Jan/21 a Dez/25)Acumulado 12 meses (Fev/25 a Jan/26)
Índice geral33,13%4,44%
Cesta de Páscoa50,75%2,51%
Açúcar cristal34,00%-10,74%
Açúcar refinado57,51%-4,76%
Azeite de oliva51,56%-22,76%
Balas43,46%4,42%
Biscoito44,09%8,01%
Chocolate e achocolatado em pó85,10%19,06%
Chocolate em barra e bombom78,44%24,77%
Frutas55,98%0,73%
Leite condensado35,60%2,67%
Manteiga32,77%-5,53%
Pescados9,29%-0,53%

“Ao detalhar os itens da cesta, os dados mostram comportamentos distintos. Enquanto chocolates e frutas tiveram aumentos expressivos no período mais longo, alguns produtos registraram queda de preços no último ano, como o azeite e os açúcares”, diz o levantamento.

Leia também: Páscoa: varejo alimentar se favorece da alta dos chocolates e outros itens; veja quais

Chocolate segue pressionado

Mesmo com a queda das cotações internacionais do cacau ao longo de 2025, os preços do chocolate continuam em alta no Brasil. Em cinco anos, o chocolate em barra e bombom acumula alta de 78,44%, enquanto o chocolate e achocolatado em pó avançaram 85,10%. No acumulado de 12 meses, as altas são de 24,77% e 19,06%, respectivamente.

Segundo Figueiredo, há defasagem no repasse de custos. Parte dos produtos hoje nas prateleiras foi produzida com insumos adquiridos quando o cacau estava mais caro. Além disso, custos logísticos, reajustes de embalagens e demais etapas da cadeia produtiva continuam pressionando o preço final, sobretudo em um período de demanda elevada.

Açúcar perde força após anos de alta

O açúcar foi um dos principais vetores de pressão nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, o açúcar refinado subiu 57,51%, e o cristal, 34%. No entanto, o cenário mudou recentemente: no acumulado de 12 meses, os preços caíram 4,76% e 10,74%, respectivamente.

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A analista atribui o recuo à melhora da produção global e ao aumento da oferta brasileira, após um período de forte pressão provocado por fatores climáticos, logísticos e estruturais que afetaram a oferta internacional entre 2020 e 2024.

“Depois de um período de forte pressão entre 2020 e 2024, vimos um arrefecimento relevante em 2025. A melhora da oferta global e safras mais favoráveis ajudaram a reduzir os preços”, diz.

Azeite recua, mas ainda pesa

O azeite de oliva, que acumulou alta de 51,56% em cinco anos, registra agora queda de 22,76% em 12 meses. O produto havia disparado entre 2023 e 2024 após quebras de safra na Europa, principal região produtora.

Com a recuperação da safra europeia, os preços internacionais recuaram, abrindo espaço para redução no varejo. Ainda assim, o produto permanece em patamar elevado, impactado por fatores como câmbio e frete.

Comparação com 2025

Em relação à Páscoa passada, o quadro é mais favorável. Nos 12 meses até a Páscoa de 2025, a cesta subia 5,28%; agora, o avanço é de 2,51%. O IPCA também desacelerou, de 5,06% para 4,44% na mesma base de comparação.

Há, contudo, comportamentos distintos entre os itens. Enquanto chocolates seguem pressionados, produtos como azeite, açúcar cristal, açúcar refinado e manteiga registram queda no acumulado recente. Biscoitos (8,01%) e balas (4,42%) ainda apresentam alta em 12 meses.

No agregado, segundo a analista, o retrato para 2026 é mais benigno que o observado no ano anterior, ainda que categorias industriais mais sensíveis ao custo de insumos permaneçam pressionadas.

Cesta de Páscoa: 2026 x 2025

CategoriasPáscoa 2026 (12 meses)Páscoa 2025 (12 meses)
Índice geral4,44%5,06%
Cesta de Páscoa2,51%5,28%
Açúcar cristal-10,74%-1,06%
Açúcar refinado-4,76%-0,04%
Azeite de oliva-22,76%14,16%
Balas4,42%8,01%
Biscoito8,01%1,39%
Chocolate e achocolatado em pó19,06%12,49%
Chocolate em barra e bombom24,77%16,53%
Frutas0,73%3,31%
Leite condensado2,67%8,98%
Manteiga-5,53%4,97%
Pescados-0,53%-0,10%

Sazonalidade encarece produtos

Além do cenário macroeconômico, a sazonalidade também influencia os preços. Nos meses que antecedem a Páscoa, a demanda por chocolates, balas e açúcar aumenta, o que costuma gerar reajustes por parte de fabricantes e varejistas.

“Esse movimento está ligado à dinâmica clássica de oferta e demanda e ajuda a explicar por que muitos produtos ficam ainda mais caros no período próximo à data”, cita a pesquisa.

Como gastar menos

Diante desse cenário, o planejamento pode reduzir o impacto no orçamento. Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, recomenda comparar preços entre marcas e estabelecimentos, observar o custo por quilo, definir previamente um orçamento e avaliar o custo-benefício dos produtos.

Algumas dicas são:

  1. Pesquisar e comparar preços

Os valores dos chocolates podem variar bastante entre marcas e estabelecimentos. Por isso, comparar preços e analisar o custo por quilo do produto pode ajudar a encontrar opções mais vantajosas.

  1. Planejar os gastos

Definir um orçamento antes de ir às compras e estabelecer quem realmente será presenteado ajuda a evitar gastos desnecessários e manter as finanças sob controle.

  1. Avaliar o custo-benefício

Preço elevado nem sempre significa qualidade superior. Ler rótulos e verificar a composição do chocolate pode ajudar a fazer escolhas mais conscientes.

  1. Apostar em alternativas

Chocolates artesanais, lembranças personalizadas ou até experiências em família podem substituir os tradicionais ovos de Páscoa sem perder o significado da celebração.

“A Páscoa pode ser celebrada de forma especial sem comprometer o orçamento. Planejamento, pesquisa e escolhas conscientes ajudam a equilibrar tradição e saúde financeira”, afirma Thaisa.

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