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Alta do petróleo pressiona IPCA e analistas alertam para risco de inflação persistente no Brasil
Publicado 30/03/2026 • 14:40 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 30/03/2026 • 14:40 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Foto: Valter Campanato/Agência Brasi
Alta do petróleo pressiona IPCA e analistas alertam para risco de inflação persistente no Brasil
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central elevou a projeção do IPCA para 4,31% em 2026, terceiro avanço consecutivo, enquanto a expectativa para a taxa Selic permaneceu em 12,50% e o PIB é estimado em 1,85%. Para economistas e analistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o choque do petróleo provocado pelos ataques dos EUA e Israel no Irã é o principal vetor de pressão inflacionária no horizonte e representa risco concreto para o crescimento brasileiro.
O Brent opera acima de US$ 115 por barril, acumulando alta superior a 55% em março, e analistas alertam que uma escalada adicional pode levar o barril a US$ 150 em abril.
Leia também: Boletim Focus eleva projeção do IPCA ao fim de 2026 pelo terceiro mês seguido
Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o Brasil importa inflação de forma relativamente rápida quando o petróleo sobe. “Com o petróleo pressionado pela guerra no Oriente Médio, o Brasil importa inflação de forma relativamente rápida, sobretudo por combustíveis, transporte e custos operacionais, e isso tende a contaminar preços ao produtor e margens empresariais”, afirmou.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, vê o choque como um imposto externo sobre a economia. Para ele, o ambiente combina desancoragem leve das expectativas de inflação com ajuste para cima na trajetória de juros, reduzindo o espaço para flexibilização monetária e mantendo a atividade em ritmo fraco. Lima alerta para o risco de difusão do choque para os núcleos de inflação, o que reforçaria a necessidade de postura mais restritiva do Banco Central.
João Kepler, CEO da Equity Group, resume o mecanismo de transmissão. Segundo ele, quando o petróleo dispara, o primeiro efeito no Brasil vem por combustíveis, frete e energia, mas o impacto mais relevante é o espalhamento dessa pressão por toda a cadeia produtiva. “Se a tensão persistir, os setores mais afetados tendem a ser transporte, logística, aviação, indústria intensiva em energia e varejo dependente de renda disponível”, avaliou. “O PIB trava justamente nesse ponto, quando a inflação importada impede um alívio mais rápido dos juros e a atividade perde tração.”
André Matos, CEO da MA7 Negócios, compartilha da avaliação. Para ele, o choque de energia não derruba a economia sozinho, mas aumenta a chance de 2026 ser um ano de crescimento mais lento e mais desigual entre setores. Matos aponta varejo, transporte, aviação, indústria e construção como os segmentos mais vulneráveis à combinação de energia cara, juros elevados e crédito mais restrito.
O tom mais grave entre os analistas é o de André Perfeito, economista da Garantia Capital. Em nota distribuída nesta segunda-feira (30), Perfeito afirmou estar mais pessimista do que em qualquer outro momento recente com o prognóstico da economia brasileira.
Para ele, a piora das projeções do IPCA para 2026, 2027 e 2028 no Focus impede que o Copom corte os juros de forma mais decidida no curto prazo. O economista alerta que balanços de famílias e empresas estão se deteriorando por dentro com os juros no patamar atual e a alta alavancagem. “Com o IPCA neste patamar tudo sugere que a Selic não vai cair e assim temos o desastre feito”, escreveu.
Para Peterson Rizzo, gerente de relações com investidores da Multiplike, energia mais cara eleva custos, reduz margens e trava investimentos, limitando o crescimento do PIB com impactos mais fortes em indústria, logística e transporte.
Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, e Araújo, da Azumi, convergem ao apontar que o ambiente exige maior seletividade no crédito. Padula defende estruturas como FIDCs como alternativa para empresas que precisam de capital em um cenário de acesso mais restrito ao crédito tradicional. Araújo recomenda análise mais rigorosa de recebíveis, concentração setorial e qualidade de garantias.
Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, e Leticia Moschioni, sócia da Finscale, destacam que o cenário também cria um filtro no ecossistema empresarial. Para Patrus, modelos com geração de caixa, eficiência e capacidade de adaptação ganham espaço. Moschioni avalia que empresas capazes de integrar tecnologia, crédito e estratégia financeira tendem a atravessar melhor o ciclo.
Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, aponta que a dificuldade de ancorar expectativas fiscais mantém a curva de juros elevada e prolonga a política monetária restritiva. Com mercado de trabalho aquecido e serviços resilientes, avalia que a inflação perde força mais lentamente, exigindo postura mais conservadora do Banco Central.
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