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Conflito no Oriente Médio

Petróleo volta a negociar acima de US$ 100, após fracasso nas negociações de Islamabad e volta das tensões em Ormuz

Publicado 13/04/2026 • 07:02 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Petróleo Brent sobe 8% e supera US$ 100 após colapso das negociações entre EUA e Irã em Islamabad
  • Trump ordena bloqueio naval no Estreito de Ormuz, cortando passagem de navios de países compradores de petróleo iraniano
  • Pior choque energético da história eleva pressão sobre crescimento global e ameaça nova escalada militar com o Irã
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Montagem gerada pela inteligência artificial Google ImaGen3

Petróleo Brent supera US$ 104 após Trump ameaçar infraestrutura iraniana; países liberam 400 mi de barris de reservas estratégicas

Os contratos futuros do petróleo Brent, com vencimento em junho de 2026, estão sendo negociados com alta de 8% na InterContinental Exchange (ICE), de Londres, a US$ 102,70 o barril, após o fim das negociações de cessar-fogo entre os Estados Unidos e Irã, em Islamabad, capital do Paquistão, na madrugada de sábado para domingo.

O WTI americano seguiu o mesmo caminho e avançou mais de 8%, a US$ 104,40 o barril, após o presidente Donald Trump ameaçar, no domingo, o bloqueio naval do Estreito de Ormuz.

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A medida entrou em vigor às 10h do horário de Washington na segunda-feira (13), mirando embarcações de todas as nacionalidades que tentassem entrar ou sair de portos e áreas costeiras iranianas no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

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Colapso após 21 horas de negociações

As tratativas duraram 21 horas sem que Washington e Teerã chegassem a acordo sobre o programa nuclear iraniano, o controle do estreito e os ataques continuados de Israel contra o Hezbollah, no Líbano. Com o colapso das conversas, a janela aberta por uma trégua anunciada por Trump na semana passada se fechou rapidamente.

Segundo a Lloyd’s List Intelligence, o tráfego de petroleiros pelo estreito, que havia começado a se recuperar durante o período de cessar-fogo, parou novamente horas após o anúncio. Ao menos dois navios que se dirigiam à saída do Estreito reverteram o curso.

Pior choque energético da história

O Estreito de Ormuz é o ponto de passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo produzido no mundo. Desde os ataques iniciais dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o fluxo pelo corredor marítimo foi reduzido a um fio. Analistas alertam que normalizar a situação pode levar semanas após qualquer resolução diplomática.

Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, descreveu a interrupção como o pior choque energético já registrado, mais grave do que as crises do petróleo dos anos 1970 e do que a guerra na Ucrânia somadas.

“Este é um ponto de ruptura histórico para o petróleo mundial”, disse Daniel Yergin, vice-presidente do S&P Global, em entrevista à Barron’s. “Nunca houve algo nessa escala. As crises dos anos 1970, a guerra Irã-Iraque nos anos 1980, a invasão do Kuwait em 1990: nenhuma chega perto deste nível de disrupção.”

Um bloqueio integral pode elevar o barril a US$ 150, segundo Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute for Responsible Statecraft. “Retirar mais petróleo do mercado, especialmente o único que ainda conseguia sair do Golfo Pérsico, vai empurrar os preços ainda mais para cima”, disse ele à CNBC.

Inflação e crescimento em risco

Além do petróleo, fertilizantes e hélio, insumos para produção de alimentos e fabricação de semicondutores, tendem a seguir em alta, alimentando uma inflação que já avança em ritmo acelerado. A avaliação é de Ben Emons, diretor-gerente da Fed Watch Advisors.

Na semana passada, dirigentes do FMI e do Banco Mundial sinalizaram que vão revisar para baixo as projeções de crescimento global e elevar as estimativas de inflação, com aviso especial de impacto sobre os mercados emergentes.

“O efeito da crise sobre as instalações de energia e portos do Irã e de outros países do Golfo pode continuar pressionando a oferta na Ásia emergente”, disse o Barclays em nota. A instituição apontou que ainda é incerto quando a extração, o refino e o carregamento de petróleo e gás voltarão ao ritmo normal.

David Lubin, pesquisador sênior do Chatham House, pondera que a resposta dos preços foi menos severa do que se esperaria, em parte porque a economia global é hoje menos intensiva em petróleo do que era nos anos 1970. O consumo por unidade de PIB representa hoje cerca de 40% de um barril, ante um barril inteiro no início daquela década, e a diversificação da matriz energética com eólica, solar e nuclear reduziu a dependência estrutural do petróleo.

Ainda assim, Lubin advertiu: se o conflito avançar, “é bem possível que o impacto energético desta crise passe a entregar um choque negativo tão grande quanto o da crise dos anos 1970”.

China e Índia na mira

O bloqueio também coloca a segunda maior economia do mundo numa posição delicada. A China é a maior compradora de petróleo iraniano e continuou recebendo carregamentos pelo estreito mesmo após o início da guerra.

Uma proibição ampla sobre petroleiros carregando crude iraniano ameaça cortar esse suprimento, num momento em que Trump planeja visitar Pequim no próximo mês. “Duvido que Trump esteja pronto para essa escalada”, avaliou Parsi, sugerindo que o presidente americano pode recuar do anúncio.

A Casa Branca também ameaçou impor uma tarifa adicional de 50% sobre a China caso Pequim forneça equipamentos militares ao Irã. Índia e Paquistão, que haviam negociado acordos de passagem segura com Teerã, também podem ser atingidos pelo raio cruzado da medida.

Tática ou erro de cálculo

Parte dos analistas vê o bloqueio como pressão dentro das negociações, e não como encerramento definitivo do diálogo. “Como nenhum dos lados declarou explicitamente que as conversas não vão recomeçar ou que o cessar-fogo acabou, todos esses movimentos devem ser tratados como táticas dentro das negociações”, disse Parsi.

Brian Jacobsen, economista-chefe da Annex Wealth Management, se mostrou cautelosamente otimista com a possibilidade de Washington criar exceções de passagem segura para embarcações aliadas. Emons, porém, apontou o risco inverso: uma estratégia para pressionar o Irã pode facilmente provocar contraataques e uma nova escalada militar.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã sinalizou exatamente isso no domingo, advertindo que qualquer embarcação militar que se aproximasse do estreito “sob qualquer pretexto” seria interpretada como violação do cessar-fogo. O comunicado afirmou que inimigos seriam “presos em um vórtice mortal” em caso de erro de cálculo.

Impasse jurídico

O bloqueio naval também enfrenta contestações no campo do direito internacional. Segundo Ben Emons, nem os EUA nem o Irã têm autoridade legal para fechar ou impedir a passagem pelo Estreito de Ormuz. “As regras que regem estreitos internacionais não conferem aos Estados Unidos nenhuma autoridade legal para fechar, suspender ou impedir a passagem de trânsito por Ormuz”, disse. Apenas Irã e Omã são Estados costeiros, e mesmo eles estão proibidos de suspender o trânsito pelo corredor, acrescentou.

Para armadores, o risco prático inclui ainda a exposição a sanções ocidentais contra o Irã. Pagamentos ao país podem violar regras americanas e europeias, e as empresas envolvidas podem enfrentar penalidades severas, segundo a Lloyd’s List Intelligence.

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