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Fornecedores chineses e importadores do Oriente Médio se preocupam com impacto da guerra no comércio

Publicado 15/04/2026 • 16:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Fornecedores e compradores em uma feira comercial no sul da China demonstraram cautela na quarta-feira (15).
  • A demonstração foi após avaliarem os custos de máquinas de sorvete, eletrodomésticos e carros, que aumentaram desde o início da guerra no Oriente Médio.
  • Exportadores chineses e compradores do Oriente Médio falaram com pessimismo que a guerra no Irã afetou fortemente os pedidos e provocou alta nos preços.

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Bandeira da China.

Fornecedores e compradores em uma feira comercial no sul da China demonstraram cautela na quarta-feira (15) ao avaliar os custos de máquinas de sorvete, eletrodomésticos e carros, que aumentaram desde o início da guerra no Oriente Médio.

Exportadores chineses e compradores do Oriente Médio, no primeiro dia da Feira de Cantão, uma das maiores feiras comerciais do mundo, disseram à AFP, com pessimismo, que a guerra no Irã afetou fortemente os pedidos e provocou alta nos preços.

A feira oferece aos compradores estrangeiros a oportunidade de se encontrar pessoalmente com fabricantes chineses e avaliar seus produtos de perto, estabelecendo novos acordos de fornecimento e fortalecendo contatos antigos.

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Mas, ao lado de uma fileira de fritadeiras e fornos, o gerente de vendas da empresa de utensílios de cozinha, Li Jin, disse à AFP que alguns clientes do Oriente Médio “não se atrevem a fazer pedidos”, enquanto outros ainda não receberam suas remessas.

Muitos navios de carga que normalmente passariam pelo Estreito de Ormuz rumo ao Oriente Médio estão à deriva desde que Teerã praticamente fechou a importante via marítima em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

Washington anunciou seu próprio bloqueio aos portos iranianos no domingo, após o fracasso das negociações de paz com Teerã, frustrando as esperanças de uma reabertura iminente da rota comercial.

Novos pedidos de clientes do Oriente Médio praticamente desapareceram, disse Li, cuja empresa normalmente exporta entre 20% e 30% de seus produtos para a região.

“Se não fosse pela guerra, teríamos um fluxo constante de novos pedidos chegando”, afirmou.

O aumento no custo das matérias-primas também levou a empresa a elevar os preços para compensar margens de lucro menores, acrescentou.

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Mais segurança, mais negócios

Os clientes continuam em um modo de “esperar para ver”, disse Zora Wang, gerente de vendas de uma empresa que comercializa maquinário industrial.

“Mesmo enviando consultas, a intenção real de compra no curto prazo não é muito forte”, disse Wang à AFP.

No entanto, Wang afirmou que muitos de seus clientes trabalham com agentes de logística — intermediários responsáveis pelo transporte e distribuição — para usar outras rotas marítimas ou trajetos terrestres, garantindo que as remessas ainda cheguem ao Oriente Médio.

Ahmad Alibasha, gerente-geral sírio de uma empresa comercial chinesa, disse que os clientes do Oriente Médio “simplesmente não querem fazer pedidos neste momento”, com as compras da região caindo mais de 50% desde o início do conflito.

“Vamos preferir a calma, a tranquilidade e a segurança, porque mais segurança significa mais negócios”, disse Alibasha à AFP, esperançoso de que a atividade se recupere com o fim da guerra.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao The New York Post na terça-feira que uma nova rodada de negociações com Teerã pode ocorrer no Paquistão “nos próximos dois dias”, enquanto um frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã se mantém.

Enquanto isso, exportadores chineses de automóveis em um moderno showroom disseram à AFP que o conflito os levou a redirecionar operações para outras regiões, incluindo América do Sul e África.

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Problemas no transporte

A Feira de Cantão deste ano, realizada duas vezes ao ano no polo industrial chinês da província de Guangdong, conta com um recorde de 32 mil empresas, segundo a mídia estatal na quarta-feira.

Compradores, incluindo os do Oriente Médio, lotaram o enorme centro de exposições em busca de novos fornecedores.

Abdallah Mebarkia, empresário da Arábia Saudita, percorreu os amplos pavilhões em busca de televisores, máquinas de lavar e eletrodomésticos para vender a distribuidores em seu país.

A guerra no Oriente Médio teve um “forte impacto” em seus negócios, disse à AFP, classificando os custos de envio — agora entre 50% e 70% mais altos — como um grande “problema”.

Os preços do transporte marítimo subiram porque embarcações permanecem paradas no Golfo por medo de ataques, enquanto outras seguem rotas alternativas mais longas e caras para evitar o Estreito de Ormuz.

Cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo normalmente passa por esse estreito, e seu fechamento elevou o preço do combustível para transporte.

“Muitos atrasos” também foram causados pelo bloqueio de Ormuz, disse Mebarkia, com parte de suas mercadorias ainda presa na região.

O empresário jordaniano Asad Mohammad Abbas Asaad, que analisava dispensadores de bebidas e liquidificadores no estande de seu fornecedor, lamentou o aumento dos custos de envio, que dobraram o preço de importação de um contêiner desses produtos.

Compradores na Feira de Cantão expressaram esperança de que a guerra termine em breve, reduzindo tanto a turbulência comercial quanto a instabilidade mais ampla na região.

“Sempre esperamos pela paz”, disse Asaad.

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