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Cuba diz estar “pronta para a guerra” em meio à escalada de tensões com os EUA de Donald Trump

Publicado 16/04/2026 • 20:20 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Miguel Díaz-Canel afirma que Cuba está preparada para um possível ataque dos Estados Unidos e promete “resistência inexpugnável” em caso de conflito.
  • Declarações ocorrem em meio ao aumento da pressão de Donald Trump sobre a ilha, com ameaças, endurecimento econômico e acirramento das tensões na região.
  • Havana aponta agravamento da crise energética e do bloqueio como fatores externos, enquanto reforça que não aceitará mudanças em seu sistema político socialista.

IMAGO / Xinhua

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou nesta quinta-feira (16), que seu país está “pronto” para um possível ataque dos Estados Unidos à ilha, após meses de crescente pressão do presidente Donald Trump.

“Nós não queremos isso (confronto), mas é nosso dever estar preparados para evitá-lo e, se for inevitável, vencê-lo”, disse Díaz-Canel a milhares de pessoas durante um comício em Havana que marcou o 65º aniversário da fracassada invasão da Baía dos Porcos pelos EUA.

Cuba vem se preparando para a possibilidade de um ataque após repetidos alertas de Trump de que a ilha é “a próxima”, depois de sua ofensiva contra o líder venezuelano Nicolás Maduro e a guerra contra o Irã. Washington e Havana mantiveram conversas para reduzir as tensões, mas as negociações entre os antigos rivais não avançaram de forma significativa, segundo a imprensa norte-americana.

Diálogo e Resistência

Mariela Castro, filha do ex-presidente Raúl Castro, afirmou que os cubanos “querem diálogo” com Washington, mas “sem colocar nosso sistema político em debate”. Ela disse ainda que seu pai, hoje com 94 anos, que participou da reaproximação histórica com os EUA em 2015 sob Barack Obama (revertida posteriormente por Trump), estaria envolvido indiretamente nas conversas. O neto de Raúl, o coronel Raúl Rodríguez Castro, também estaria entre os negociadores.

Díaz-Canel reconheceu que o momento atual é “muito grave”, mas reforçou o caráter “socialista” do país, como proclamado por Fidel Castro em 1961. A invasão da Baía dos Porcos ocorreu dois anos após a Revolução Cubana e terminou com a derrota das forças anticastristas apoiadas pela CIA. Na época, cerca de 1.400 exilados cubanos desembarcaram na ilha, mas foram repelidos pelas forças cubanas, resultando em uma derrota humilhante para os EUA.

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Crise Energética e Bloqueio

Décadas depois, Cuba volta a estar no centro das tensões com Washington. Após a captura de Maduro em Caracas, Trump impôs um bloqueio de petróleo à ilha, agravando a pior crise econômica e energética do país em décadas. Díaz-Canel rejeitou a caracterização de Cuba como um “Estado falido”.

Havana atribui suas dificuldades principalmente ao embargo comercial imposto pelos EUA após a chegada de Fidel Castro ao poder, ainda em vigor, além do bloqueio energético mais recente. “Cuba não é um Estado falido, é um Estado sitiado”, afirmou. Maria Regueiro, uma aposentada de 82 anos presente ao ato, disse que, como em 1961, os cubanos estão “prontos para defender sua soberania, a qualquer custo”.

Entenda o Contexto

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Cuba voltou ao centro do debate geopolítico após novas declarações do presidente Donald Trump sobre o futuro da ilha. Em diferentes ocasiões recentes, Trump indicou que Cuba pode ser o próximo foco de sua política externa e chegou a sugerir que Washington pretende “libertar” o país do regime comunista.

Segundo relatos da imprensa norte-americana, o governo dos EUA mantém conversas com autoridades cubanas em meio a esse cenário de pressão. Fontes ouvidas pelo The New York Times afirmam que a Casa Branca teria sinalizado o interesse na saída do presidente Miguel Díaz-Canel do poder, embora sem detalhar os próximos passos de uma eventual transição política.

As declarações também se conectam a uma estratégia mais ampla de endurecimento regional, após ações militares e diplomáticas dos EUA na Venezuela e no Irã, países citados por Trump como parte de uma ofensiva contra governos aliados de Havana.

Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou, no dia 17 de março, que o país está preparado para qualquer cenário e prometeu uma “resistência inexpugnável”, escrevendo na rede social X: “Diante do pior cenário, Cuba tem uma certeza: qualquer agressor externo se chocará com uma resistência inexpugnável”.

Trump também já havia elevado o tom sobre a ilha em outras ocasiões. No dia 05 de março, durante evento na Casa Branca, ele disse: “O que está acontecendo com Cuba é incrível” e afirmou ao público: “Será apenas uma questão de tempo até que vocês voltem para Cuba, espero que não para ficar”.

Em entrevista ao Politico no mesmo dia (05), Trump foi ainda mais direto ao dizer: “Após a queda do regime iraniano, Cuba também vai cair”. Ele também afirmou que seu governo estaria pressionando economicamente Havana: “Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro, ou melhor, cortamos tudo o que vinha da Venezuela”.

As falas se somam a declarações de aliados, como o senador Lindsey Graham, que afirmou no dia primeiro de abril, em entrevista à Fox News: “Cuba é a próxima”.

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